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Postado em 05-01-2010
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 05-01-2010 23:45

Deu na coluna

Em sua coluna diária na Tribuna da Bahia o jornalista Ivan de Carvalho aponta o seu olhar crítico nesta terça-feira, 5, contra empresas que insistem em ludibriar o consumidor – a nova definição do cidadão brasileiro, segundo o grande e saudoso baiano Millton Santos – apesar do Código específico criado para punir maus fabricantes e comerciantes enganadores. O pão Plus Vita Light, por exemplo, anunciava no rótulo, com admirável cara de pau e notório destaque, “0% de Gordura”, condena Ivan no texto de seu artigo opinativo, que Bahia em Pauta reproduz.

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OPINIÃO POLÍTICA
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ILUSÃO DE ÓTICA

Ivan de Carvalho

Não quis usar o título Propaganda Enganosa porque, desta vez, talvez já não seja inteiramente apropriado. Da primeira vez que abordei o mesmo assunto, era. Tanto para a marca Plus Vita, que citei na ocasião, quanto para diversas outras marcas do suposto pão integral vendido aí pelos supermercados e similares.

Quero também esclarecer que não tenho qualquer preconceito contra a marca Plus Vita. Sou até consumidor habitual de um de seus produtos, o pão Plus Vita Light. Daí citá-lo, pela familiaridade. Dizer isso já é uma propaganda, mas nada vou cobrar por ela. O que tenho sobre a marca citada, portanto, são conceitos mesmo, formados por um consumidor que, independente disso, também é jornalista.

Não muito tempo depois que abordei o assunto, fazendo a acusação de propaganda enganosa, a Rede Globo, em um de seus programas (Globo Repórter ou Fantástico) deu o resultado das análises laboratoriais que mandara fazer em cerca de dez marcas de pão desse tipo. A Plus Vita inclusa. E a conclusão apresentada, fundada nos resultados laboratoriais, foram a de que as marcas “não dão ao consumidor o que prometem” em seus rótulos.

O pão Plus Vita Light anunciava no rótulo, com admirável cara de pau e notório destaque, “0% de Gordura”. Mas a análise encomendada pela Globo mostrou que isto não era verdade. Pouco depois o rótulo estava diferente, com aquela inscrição substituída por duas outras, em letras miudinhas – “Zero gordura trans” e “Baixo teor de gorduras”. E um 0 bem grande, em azul. Quem sabe o consumidor se restringe à leitura do 0 azul? Ele deve se referir às gorduras trans. Pois, quanto às outras não poderia ser.

Mas o danado do pão manteve no rótulo, em letras bem grandes, duas inscrições: “Plus Vita Light” (correto) e “Integral” (incorreto). Isso certamente produz uma “ilusão de ótica”. Mas há, jogando na retranca, uma inscrição em letras miúdas, dando conta de que se trata de “Pão Light com Farinha de Trigo Integral”. E se o consumidor tiver excelente visão ou uma lupa, vai conseguir ler nos “ingredientes” que o primeiro deles é “farinha de trigo integral”. Fiquei admirado de não conseguir encontrar aí o que encontrara fazem poucos meses entre os ingredientes que compõem o pão –“4% de farinha de trigo integral”.

Só quatro por cento seriam suficientes para o pão ser anunciado como integral? Mas, bem, os quatro por cento sumiram e agora o consumidor, se achar que o que come é de sua conta, que mande para um laboratório confiável.

Gente, onde estão a Codecon, o Procon e o Ministério Público? E a Anvisa, onde está? Meu filho torceu um pé e o médico, além do gesso, prescreveu o antiinflamatório Profenid “ou cetoprofeno, mas o genérico, porque os similares a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) não fiscaliza, o que é lamentável, mas é assim…”.
Você, leitor, sabia dessa interessante política farmacológica do governo federal, da qual pode depender a sua saúde? Suponho que não, já que o governo está tão bem avaliado, segundo as pesquisas de opinião.

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