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Adeptos do regime tomam ruas no Irã/Reuters

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Deu no jornal PÚBLICO (Portugal)

Centenas de milhares de iranianos participaram hoje em várias manifestações organizadas pelas autoridades para apoiar o regime e pedir a condenação dos líderes reformistas, mais pressionados do que nunca a desistirem dos protestos nas ruas.

Em Teerã, mas também em dezenas de outros protestos na província, multidões vestidas de negro gritaram “Morte aos hipócritas”, “Morte a [Mir-Hossei] Moussavi”, o antigo primeiro-ministro e ex-candidato presidencial. Foram também queimadas bandeiras dos EUA e Reino Unido, países acusados de instigarem os protestos.

As manifestações (só na capital realizaram-se vários cortejos) foram organizadas em resposta aos protestos da oposição, que domingo aproveitou o feriado do Ashura, a mais importante das festividades xiitas, para os maiores (e mais violentos) protestos dos últimos meses.

Para mostrar a força da República Islâmica, serviços e empresas públicas, escolas religiosas e forças de segurança instruíram os seus empregados a participarem nos desfiles. E em Teerão foram organizados serviços de ônibus especiais para levar os participantes até ao local das concentrações, transmitidas ao vivo pela televisão estatal.

“As pessoas querem que os líderes da revolta sejam punidos. Não vamos ficar calados enquanto insultam a religião”, disse um dos manifestantes ouvido pelos repórteres locais. Palavras que ecoaram o aviso deixado pelo mullah Ahmad Alamolhoda, membro da influente Assembleia dos Peritos, aos dirigentes reformistas: “Deveis arrepender-vos. Caso contrário sereis considerados mohareb”, os inimigos de Deus para quem a lei islâmica prevê a pena de morte.

Esta manhã, o procurador-geral iraniano, Mohseni Ejeie, revelou num encontro com deputados conservadores que foram iniciadas “acusações” contra Mousavi e Mehdi Karroubi (o outro candidato da oposição), mas o chefe adjunto da polícia iraniana garantiu que a sua prisão “não está na ordem do dia”. “Não lhe queremos dar importância prendendo-os”, disse Reza Radan, confirmando o receio de que este passo possa conduzir a nova radicalização dos opositores.

Certo é que depois dos protestos de domingo, o cerco se apertou em torno dos dois líderes. Ouvido pela BBC, o cineasta Mohsen Makhmalbaf, adepto de Mousavi, contou que o ex-primeiro-ministro “está a ser vigiado a todo o momento” e depois de vários dos seus colaboradores terem sido detidos “já não pode sequer falar ao telefone”. Hoje, o seu sobrinho, Seyed Ali Mousavi, morto domingo por desconhecidos, foi a enterrar no principal cemitério de Teerão, mas só depois de a família se ter comprometido a realizar um funeral longe dos olhares públicos

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