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Postado em 22-12-2009
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 22-12-2009 12:52

Ato político…
enterro
…no enterro do Aiatolá Montazeri
Aiatolá
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Deu no jornal PÚBLICO (Portugal)

O funeral do grande ayatollah Ali Montazeri juntou seguidores do líder religioso e aliados dos candidatos derrotados nas eleições presidenciais, numa manifestação que deu novo fôlego à oposição, ainda que o seu desaparecimento deixe um vazio difícil de preencher nas fileiras reformistas.

Durante as cerimônias foram registados alguns incidentes – na maioria escaramuças entre ativistas da oposição e seguidores do Supremo Líder, o ayatollah Ali Khamenei -, mas as forças de segurança mantiveram-se à margem, mesmo quando a oposição gritou palavras de ordem contra o Presidente, Mahmoud Ahmadinejad, de quem Montazeri foi crítico acérrimo.

“O Governo sabe que um funeral é uma manifestação que não pode proibir”, sublinhou John Leyne, correspondente da BBC.

Os jornalistas estrangeiros foram proibidos de viajar até Qom e a imprensa oficial limitou-se a noticiar que Montazeri foi enterrrado “na presença dos seus seguidores”, alguns dos quais “procuraram criar tensão gritando slogans extremistas”.

Mas imagens obtidas pelas agências confirmam o relatos das testemunhas e dos sites reformistas, mostrando o caixão sendo transportado no meio de uma multidão. Nas mãos dos enlutados, surgiram fotografias de Montazeri, mas também fitas e faixas verdes, a cor da campanha presidencial de Mir-Hossein Mousavi, que esteve em Qom ao lado de Mehdi Karroubi, o outro candidato da oposição.

ESCARAMUÇAS

A morte do antigo delfim do ayatollah Khomeini “foi um momento galvanizador”, disse ao “LA Times” o reformista Mohammad Aghazadeh, destacando o fato de o funeral ter juntado “pessoas da classe média que não são religiosas, jovens” e discípulos de Montazeri. “O movimento verde se alastra por por todos os setores da sociedade”, garantiu.

“Não foi Montazeri que morreu, é o Governo que está morto”, gritaram alguns manifestantes, enquanto outros prometiam: “Seguiremos o teu exemplo, mesmo que o ditador faça chover balas sobre as nossas cabeças.” Quando o cortejo se aproximou do mausoléu de Hazrat Masoumeh, onde o ayatollah foi sepultado, milicianos bassijis, usaram altofalantes para tentar abafar os protestos – “Hipócritas, deixem Qom”, exigiram -, mas as vozes da oposição soaram mais alto, contaram várias testemunhas.

A multidão dispersou-se após o funeral, o que não impediu alguns confrontos junto à residência da família. “Eles começaram a atirar pedras e arrancaram uma faixa negra em homenagem ao meu pai”, contou Saeed Montazeri, um dos filhos do ayatollah, ao “Washington Post”. Os opositores responderam também com pedras, levando à intervenção da polícia antimotim. Mais tarde, outro site anunciou que o carro de Mousavi terá sido atacado no regresso a Teerão.

Depois do funeral, a oposição espera aproveitar as cerimónias de homenagem a Montazeri para contornar a proibição de manifestações.

O sétimo dia da sua morte, no próximo domingo, coincidirá com o Ashura, quando os xiitas recordam o martírio do imã Hussein, neto de Maomé, morto na batalha. Apesar de religioso, o feriado tem fortes conotações políticas, já que Hussein é visto como um símbolo da luta contra a opressão.

“Isto é algo que preocupa o regime”, disse ao “Guardian” o analista iraniano Hossein Bastani, sublinhando que em 2009 “muitos iranianos consideram a República Islâmica o pior inimigo do islão e do povo” – uma acusação proferida pelo próprio Montazeri, quando, no auge da repressão pós-eleitoral, acusou o regime de criar uma ditadura em nome da religião.

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