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Postado em 21-12-2009
Arquivado em (Artigos, Gilson, Multimídia) por vitor em 21-12-2009 10:14

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CRÔNICA/ UM NOME,UM LUGAR

NELSINHO, ROBERTO E AS BALEIAS

Gilson Nogueira

Nelsinho Mota vinha em direção oposta à minha. O sol e o céu azul eram as duas únicas coisas acima de nossas cabeças, além de Deus, gaivotas perdidas e aviões. Deu-me, ali,vontade de cumprimentar o grande Nelsinho, mas, meio acanhado, passei por ele, em silêncio,sorrindo, para dentro, com a brisa a beijar-me a cara. Fiz de alguma forma, sem querer, o charme dos que não dão bola para celebridades.

Nelsinho, jornalista, poeta, compositor, produtor musical dos bons, seguiu seu caminho. Eu ia para o bar de Vevé. Nelsinho, possivelmente, deveria estar visitando a Ilha, mais uma vez, hospedado no Galeão Sacramento, em Mar Grande, ou em casa de algum amigo ou amiga. Não me importei para onde ele caminhava. Torci para que conhecesse Vinagre, Brígido, Biro Biro, Joca, Salvinho e outros parceiros de farras etílicas, sob a sombra dos coqueiros da Ilha e dos nossos sonhos. Ao vê-lo passar, com aquele jeito cariocamente blasé, pensei: “ Esse cara é foda! É um talento, faz parte da minha geração. Ele também deve cagar para esse negócio de cultuar famosos e poderosos, como se fossem eles feitos de outro material que não a carne.

Seriam de acrílico?! Nossa geração não era chegada a essas babaquices que os dendês no sangue adoram promover no Carnaval da Bahia. Famosos, celebridades e poderosos uma ova, eles que se lixem. Comigo não cola!!! Todos os humanos são iguais, na fila da transitoriedade, seguindo a dinâmica da vida.

Dentre as melhores coisas feitas na Ilha, lembro, aqui, à véspera da abertura oficial do Verão, amanhã, 219o artigo foi escrito domingo,20), no calendário do tempo, que andar em Itaparica, sem que o pavor de ser assaltado não faz mais parte da geografia poética do lugar.É impossível, hoje, ficar sozinho, em harmonia com aquele paraiso. Os bandidos impedem a paz de quem procura esse estado de espírito na ilha.

Mesmo assim, para quem nunca experimentou embriagar-se com sua beleza, com o astral que domina esse território, vale a pena tentar. Nesse momento, faça como fiz, várias vezes, deixe seus pés à beira d´água, onde, certamente, uma canção, em forma líquida, irá refrescar seu corpo, sua cabeça, a lhe dizer que a paz depende de nós.

Se o calor impedir a aventura, estacione seus pensamentos na sombra de um barco, ou de uma barraca qualquer, dessas que vendem cerveja, para admirar a paisagem, admitindo que, além do horizonte deve ter algum lugar bonito para viver em paz. Fique de olhos abertos, para sua segurança. E viva Nelsinho, Roberto Carlos e as baleias!!!

Gilson Nogueira é jornalista

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Comentários

Regina on 21 dezembro, 2009 at 17:05 #

Presado Gilson: Voce juntou aqui algumas de “my favirites things”. Diana Krall, Nelsinho Mota e as caminhadas na ilha. Muitas das minha melhores memorias, sao daqueles dias passados na ilha, sendo Ponta de Areia em Amoreira, meu ponto de preferencia. Dormir na praia sob o ceu estrelado, que ninguem pode descrever, so vendo e vivendo, faziam parte daquelas aventuras que so a juventude justifica. Fora com os malfeitores, esse eh um lugar onde vamos depojados de tudo que eh superficial, so levamos o caracao, a alma, o desejo de estar e acreditar que o Paraiso existe.


Gilson Nogueira on 21 dezembro, 2009 at 17:39 #

Regina, até as estrelas participavam silenciosamente das nossas serenatas. No céu de minhas gostosas recordações da Ilha ( Mar Grande ) brilha, ainda, intensamente, uma noite em que Papai Noel tomou todas e, por isso, esqueceu de colocar os presentes na janela. Velhos tempos, velhos dias…


Regina on 21 dezembro, 2009 at 21:57 #

Velhos e eternos tempos que deixam esse sorriso no seus/meus labios e o coracao sapecando de felicidade. O bom eh que vc ainda vai atraz desse sonho/realidade e eu vou tambem, cada vez que visito a Bahia.


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