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Postado em 20-12-2009
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 20-12-2009 22:48

Montazeri: perda pesada no Irã
Aiatolá

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Deu no jornal PÚBLICO (Portugal)

Morreu neste domingo, aos 87 anos, o “ayatollah” Hossein Ali Montazeri, um dos principais religiosos dissidentes no Irão que chegou a ser apontado como sucessor do “ayatollah” Khomeini. Morreu na cidade santa de Qom e o seu funeral será nesta segunda-feira, 21. Foi uma das principais figuras da Revolução islâmica de 1979 e era também um dos principais críticos do Presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Montazeri deverá ser sepultado no mausoléu de Masoumeh, irmã do imã Reza, o oitavo imã do islão xiita, venerado pelos xiitas, informa a agencia de notícia AFP. Após o anúncio da sua morte, os estudantes juntaram-se na Universidade de Teerã para recitar versículos do Corão, adiantou o “site” Rahesabz.

Próximo de Khomeini, de quem foi aluno, Montazeri foi um dos teóricos da Revolução Islâmica de 1979 e um dos promotores da constituição da República Islâmica. Impôs-se como uma das principais figuras da revolução e foi designado pelo fundador do regime como seu sucessor, em 1985. Mas, defensor de uma corrente mais liberal e progressista, acabou por ser afastado na sequência das suas críticas contra o endurecimento do regime face aos opositores.

Foi afastado do poder em 1989 , pelo próprio “ayatollah” Khomeini, pouco antes da morte do fundador da República Islâmica. Passou cerca de 15 anos em quase reclusão, sob observação das autoridades e com os seus contactos com o exterior limitados. Manteve, no entanto, a sua influência junto da ala mais liberal do regime.

Em 2003 foi levantada a prisão domiciliar a que estava sujeito e então ganhou uma maior liberdade de expressão, nomeadamente para criticar as políticas de Mahmoud Ahmadinejad e do Supremo Líder Ali Khamenei. Em Junho contestou a reeleição do Presidente, ao referir que “ninguém pode acreditar” que o escrutínio tenha sido honesto, e denunciou a repressão sobre as manifestações que se seguiram.

A sua última posição pública foi tomada a 16 de Dezembro, quando denunciou no seu “site” na Internet “a morte de pessoas inocentes” e “a detenção de militantes políticos que pediam a liberdade”. Disse então que “se as autoridades continuarem assim, é claro que o povo se vai distanciar do regime e que a crise atual se vai agravar”.

A agência oficial iraniana IRNA divulgou hoje uma pequena biografia em que o apresenta como “uma figura religiosa ativa junto dos desordeiros”, como são referidos os manifestantes que protestaram contra a reeleição de Ahmadinejad, e criticou as “declarações sem fundamento aos media contra-revolucionários”. O seu funeral deverá agora voltar a juntar os opositores ao regime.

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