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Postado em 12-12-2009
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 12-12-2009 18:52

Harakiri japonês
harakiri
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Deu na coluna

Em sua coluna diária na Tribuna da Bahia o jornalista político Ivan de Carvalho retoma o tema dos flagras produzidos pela Operação Caixa de Pandora no Distrito Federal, mas sempre com um enfoque original na observação dos fatos e nas análises.

Neste caso Ivan lembra que com o sangue, a dor e a vida, o autor do harakiri japonês tenta lavar a desonra e, assim, ser um espírito honrado.E mostra as diferenças com os políticos brasileiros neste escândalo do DF, a começar por seu governador José Roberto Arruda. Confira no texto que Bahia em Pauta reproduz.(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICAS/COMPORTAMENTOS

SOBRE DIFERENÇAS

Ivan de Carvalho

Além do governador do DF, José Roberto Arruda, ex-DEM, e pessoas ligadas a ele, alguém está indignado com os flagras produzidos pela Operação Caixa de Pandora.

E não é o Democratas. Este partido já tirou rapidamente seu cavalo da chuva. Marcou para quinta passada uma reunião em que ouviria a defesa do governador Arruda e já ontem se reuniria novamente para expulsá-lo.

Arruda preferiu não ir à Executiva Nacional fazer sua defesa. Sabia que a expulsão era inevitável e, para evitar o vexame, pelo menos este, praticou o harakiri, que foi o seu desligamento, anunciado em entrevista coletiva com a imprensa, na quinta-feira, quando não admitiu perguntas.

O harakiri de Arruda tem um diferencial em relação ao haraquiri japonês. Este é praticado quando alguém, sentindo-se atingido pela desonra, enfia a faca na barriga (a dor é quase insuportável e suportada apenas porque, quando o japonês a sente, a faca já entrou rasgando tudo e não tem mais jeito mesmo). Com o sangue, a dor e a vida, o autor do harakiri japonês tenta lavar a desonra e, assim, presumo, ser um espírito honrado.

O harakiri de Arruda também foi doloroso. Mas não teve o sentido de lavar a desonra e restaurar a honra. Ao se desligar do DEM na quinta-feira para evitar a expulsão no dia seguinte, ele o fez porque a ministra Carmen Lúcia, do STF, negou o pedido para anular o processo de expulsão, feito por Arruda sob a alegação de que seu partido não cumprira as regras do processo de expulsão. Arruda queria tempo, negado.

Então cancelou sua filiação, antecipando-se à expulsão. Saindo, ficou sem partido e como não dispõe mais do prazo de um ano para se filiar a outra legenda e concorrer às eleições de 2010, não as disputará. Resta-lhe, querendo, uma fácil eleição para a presidência da Associação Brasiliense dos Distribuidores de Panettones. Mas garantiu que prefere cumprir seu mandato de governador até o fim. Se deixarem, claro. Muito provável que consiga.

Mas a Operação Caixa de Pandora, que revelou um mensalão regional envolvendo a liderança do DEM no Distrito Federal, apresenta um outro diferencial muito importante. O DEM expulsaria o único governador que elegera, em todo o país, em 2006, se ele não cancelasse sua filiação à legenda na véspera. Bem diferente do Mensalão, aquele com inicial maiúscula e de âmbito nacional, patrocinado pelo PT com a participação de alguns partidos ou lideranças de partidos aliados. Os partidos não reagiram, salvo para defender seus mensaleiros, que ocupavam vários escalões – especialmente os mais altos. Não houve harakiri. Apenas algumas pessoas mergulharam prudentemente, mas agora a candidata Dilma Rousseff deixa clara sua opinião de que é hora dos mensaleiros petistas voltarem à tona. Esse é o grande diferencial entre o mensalão de Arruda e o Mensalão do PT. Ah, só para registrar: cinco ou seis militantes do PSol carregavam, quinta-feira, no Eixo Monumental, em Brasília, uma faixa com a inscrição “Nem mensalão do Lula, nem mensalão do Arruda”. Foram agredidos fisicamente por um grupo bem maior de militantes do PT.

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