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Postado em 05-12-2009
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 05-12-2009 16:48

Deu na coluna

Em sua coluna diária na Tribuna da Bahia o jornalista político Ivan de Carvalho avança em novas análises sobre assunto cada vez mais recorrente na política e nos governos em suas várias instãncias:a corrupção Por estes dias nada consegue superar ainda – nem aqui nem em lugar nenhum – o impacto das imagens da Operação Caixa de Pandora, envolvendo o governador do Distrito federal, José Roberto Arruda-, deputados da Câmara Legislativa Distrital. O escândalo traz à tona outro tema recorrente, que ressurge a cada nova safadeza nacional:a reforma política.

Agora, talvez os políticos desconfiem que os eleitores não querem, como contribuintes, pagar a campanha deles e ainda dar-lhes o voto, considera Ivan no texto que Bahia em Pauta reproduz da TB.

(VHS)

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Arruda: corrupção e reforma
Robarruda

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OPINIÃO POLÍTICA

MAIS UMA VEZ

Ivan de Carvalho

A Operação Caixa de Pandora – envolvendo o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, deputados da Câmara Legislativa e até desembargadores do Tribunal de Justiça do Distrito Federal destaca mais uma vez na mídia o interminável debate da reforma política.

Devido às características do caso, quando se invoca a reforma política como um caminho para evitar a repetição de episódios semelhantes e que vão se acumulando na história recente do país, o que se está visando é o financiamento público de campanha.

O ministro da Justiça, Tarso Genro, ex-presidente do PT, disse que casos de corrupção como os que agora são revelados no Distrito Federal vão se repetir enquanto o país não fizer uma reforma política e, naturalmente, mais uma vez defendeu a instituição do financiamento público das campanhas eleitorais para, segundo ele, inibir a troca de favores.

Ele diz que o financiamento público das campanhas inibiria as relações entre políticos e empresas que fazem doações ilegais em troca de favorecimentos em contratos públicos. Para o ministro da Justiça, o aumento do controle por meio dessa modalidade de financiamento minimizaria a troca de favores entre o político e quem banca as campanhas. O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, também sustentou a necessidade de “refletir sobre uma reforma política” e o ponto específico em que tocou foi exatamente o financiamento público de campanha.

Há muita gente – até diria que a grande maioria – entre os políticos que é favorável ao financiamento público de campanha. Nem sei bem a razão de até agora não o haverem criado. Talvez os políticos desconfiem que os eleitores não querem, como contribuintes, pagar a campanha deles e ainda dar-lhes o voto. Seria, talvez, exigir demais – pagar para ser convencido a votar em alguém e ainda dar o voto de troco, quando o troco é de lá que deveria vir.

O financiamento público de campanha não é um instrumento resultante da imaginação política criadora brasileira. Nós (eles) ainda estão em outro nível, o dos dólares na cueca, agora desvalorizada pelos reais nela. E até na meia, que imaginação pobre, coisa mais sem graça! Do Mensalão em que brilhou o irmão de Genoíno e sua cueca à Operação Caixa de Pandora, ela, a cueca, sofreu uma degradação imperdoável. A peça mais central e nobre do vestuário masculino decaiu do dólar para o real e ainda sofre a concorrência, tipo Rua 25 de Março, de periféricas meias.

Bem, o financiamento público de campanha, ia dizendo, existe por exemplo nos Estados Unidos. Mas não é para todo mundo não. Mesmo os candidatos a presidente precisam obter um certo percentual de intenções de voto, sem o que não botam a mão em um centavo sequer. Mas esse dinheiro não é suficiente, apenas ajuda o candidato a não “sumir”. O sistema de financiamento para valer mesmo é privado e os candidatos passam pelo menos metade da campanha “colhendo fundos”. Inclusive das indústrias de cigarros, farmacêuticas, petrolíferas, que nunca pedem nada em troca…

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