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Postado em 03-12-2009
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 03-12-2009 13:26

Deu na Tribuna da Bahia

Na coluna Em Tempo, assinada na tribuna da bahia pelo jornalista Alex Ferraz, Bahia em Pauta recomenda leitura e reflexão sobre a nota reproduzida a seguir. Leia a integra da coluna de Alex na edição impressa da TB. (VHS)
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Dinheiro na cueca será para sempre

Tenho a mania de querer ver os desdobramentos das notícias, em vez de me ater apenas a elas. Este caso de corrupção ativa do governador do DEM no Distrito Federal, o “violador” Arruda (eu não esqueci da violação do painel do Senado…), leva-me a pensar: os corruptos do PT, no primeiro mandato de Lula, carregavam dinheiro na cueca. Agora, no governo do DEM, em Brasília, o sujeito enfia dinheiro na cueca também.
Será que a corrupção é atávica entre os brasileiros? Sempre será assim? Fui ao meu amigo sociólogo Ricardo Líper, professor da UFBa, e ele defende que “é genético”, o que não permite vislumbrar solução no futuro imediato. Já meu amigo jornalista Tony Pacheco, que tem formação em Psicanálise, garante-me que “a tendência é piorar, pois o sistema político é que está errado. Os políticos apenas surfam num sistema feito sob medida para se roubar impunemente”.
Tony lembra que o modelo de democracia que temos é aquele que os EUA impuseram à maior parte do mundo a partir do governo Carter. Os Direitos Humanos, segundo meu amigo, “foram apenas o ideal superestrutural para convencer os povos a aderirem ao ambiente propício aos negócios, que é o livre mercado do neoliberalismo”. Para Tony, quando se fala em livre mercado e em ambiente propício aos negócios, fala-se “em qualquer negócio, lícito ou ilícito”.
É uma questão filosófica, de organização social. Se o parente de Genoino tivesse sido preso e estivesse encarcerado desde a primeira cueca cheia de dinheiro, muito provavelmente, Arruda não tivesse coragem de promover dinheiro público na cueca no momento atual

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Comentários

rosane santana on 3 dezembro, 2009 at 15:20 #

A corrupção entre políticos brasileiros tem a ver, primeiro, com a ausência de cidadania _ “acesso aos mercados e aos bens de consumo” – num país onde entre 5% a 10% controla a maior fatia do PIB. Analfabetismo e ignorância, portanto, contribuem para a roubalheira, num contexto onde a população não reivindica os seus direitos e a impunidade toma conta. Ora, se a população não cobra, o judiciário não anda. O funcionamento de nossas estruturas políticas remonta ao século XIX, século em que se instaurou o Estado brasileiro, que trouxe para dentro de si todos os vícios das elites canavieiras do Nordeste e cafeicultoras do Sul, de confundir negócios públicos com privados. O antigo familismo lusitano tão bem retratado pelo baiano Nestor Duarte em “A ordem Privada e a Organização Politica Nacional”, e por Raimundo Faoro, em outra obra-prima da historiografia brasileira, Os Donos do Poder. É quase genética, portanto, como lembra o professor Ricardo Liper, mas, em minha opinião, respeitando o inteligentíssimo colega Tony Pacheco, não tem a ver com a história dos EUA, país de colonização bem diversa, aliás, como já demonstrou o grande Caio Prado Junior em “A Formação do Brasil Contemporâneo”, a genial explicação marxista para o nosso subdesenvolvimento.


rosane santana on 3 dezembro, 2009 at 15:39 #

Correção: genética entre aspas, no comentário anterior.


gilberto on 3 dezembro, 2009 at 15:46 #

Tou ligado; o momento é do DEM, do Arruda, do ACM Neto e o comentário é do.. do…
Muda o foco tem que procurar ser pertinente com a sua perseguição.


rosane santana on 3 dezembro, 2009 at 15:57 #

A propósito da discussão levantada por Alex Ferraz, escrevi ha pouco tempo o artigo “Clientelismo com os dias contados”. Ninguém se engane. Não havera “pais do futuro”, o Brasil não será potência, se a questão da corrupção não for resolvida, se não houver, sobretudo agora, na Era da Informação, quando um novo humanismo se inaugura, um maciço investimento em um projeto de educação, sobretudo educação básica, porque não adianta criar “fabricas” universitárias para receber alunos sem formação de qualidade, desde a infância ou veremos alastra-se o fenômeno dos desempregados com diploma etc e tal. Os cidadãos bem educados (falo em educação formal) vão respaldar a ação de órgãos como o Ministério Publico e a CGU (que alguns querem restringir) e , por um processo dialético, haverá a limpeza desejada. Mas, sem educação não há solução. Entretanto, a mudança nas estruturas econômicas do país (já em andamento) e a revolução tecnológica vão forçar a melhoria educacional, acredito.


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