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Postado em 28-11-2009
Arquivado em (Aparecida, Artigos, Multimídia) por vitor em 28-11-2009 23:10


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CRÕNICA/VOZES E LUGARES


As vozes portuguesas e a minha lágrima na manhã de novembro….


Aparecida Torneros

Busco Camané e Marisa no Google. Ontem, na madrugada, eu a vi cantar no programa do Jô e lembrei da emoção que foi tê-la ouvido muitas vezes, durante minha viagem recente a Portugal, pois a guia do grupo, nas estradas daquele país lindo, punha sempre seu cd player para nos embalar diante da paisagem do seu lugar. A doçura entremeada de nostalgia, a força da paixão a mim legada por sua interpretação que sai da alma e vem direto ao meu coração…

Assim, depois de ter dormido embalada por ela, busquei-a na manhã de novembro, e tentei encontrar também o delicioso cantar do Camané, que me foi apresentado por um amigo portuense, no que este me fez um tremendo bem. Camané é tudo de bom na canção portuguesa moderna. Traz em si um sentimento do mundo que nos encoraja a viver amores e perdões. Assim, encontrei um vídeo fascinante, de quebra, estão ainda, juntos, Carlos do Carmo e Rui Veloso.

Então, minha lágrima correu e me dei conta da emoção que as vozes de Portugal me fazem brotar com sua necessidade de expressar o amor mais profundo, aquele dos amantes eternos, que sabem o quanto é possível doer um grande amor, e que, apesar das dores, não se pode fugir dele, nem se deve, pois o amor é mesmo um prêmio e os premiados com ele, vencem distâncias, vencem o tempo, vencem as dores…

Minha manhã de novembro, com um sol lá fora daqueles convidativos a me embrenhar nos mares de um Rio de Janeiro iluminado, eu aqui, trazendo para dentro de mim, as imagens de Lisboa, do Tejo, do Porto, dos muitos rios de Portugal, das suas lindas cidades, estradas, lugares, pessoas, dos amigos que tenho por lá, dos sentidos que lá me esperam para reviver momentos de fado, de canções, de vozes incrivelmente penetrantes do meu espírito voador.

Agradeço. Sou privilegiada. Sei o quanto as vozes de Portugal me embalam em sangue e sentimento. Vou até elas como um pássaro, e beijo suas nuances, sorvo do seu mel, deixo-me envolver por seus cantares, não me importo de chorar assim, como uma manteiga derretida. Sinto que a paixão em mim é um sobressalto diante da vida de um beija-flor, e sigo, sigo porque é preciso navegar e voar.

É hora de ir mais atrás e buscar também Amalia. Amalia da minha infância, da minha mocidade, das minhas primeiras incursões pelo amor que machuca e redime.

Ouço então “Com que voz”, belíssima e profunda mensagem. Nada como embalar a dor com a docilidade de um triste fado, ou de viver a volta de alguma alegria com a sapiência de um canto que inunda a alma da gente com o conforto do lamento, mas sem perder a esperança de recomeçar, de um ponto qualquer, um porto onde algum “barco negro” nos espere, para embarcarmos em direção à felicidade eterna.

E volto a sorrir, pois ao escutar Barco Negro , na manhã de novembro, vejo-me bonita de novo, através da inesquecível Amalia e da visceral voz de Marisa, singrando nas luzes das ondas de um mar revolto, entusiasmado, dançante, aventureiro, amante das terras desconhecidas, e descubro que o amor “está sempre comigo”, nem chegou a partir… por mais que isso possa parecer inacreditável… é a magia do fado, com certeza…

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária. (http://blogdamulhernecessaria.blogspot.com).

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Comentários

Mariana Soares on 1 dezembro, 2009 at 10:44 #

Cida, querida, adoro os seus textos, deles brotam indizíveis sentimentos, paixões ardentes, onde revivo tanta coisa boa…Pura delícia! Obrigada!


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