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Posted on 27-11-2009
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 27-11-2009

Dona Lindu e Seu Aristides: vida real
linaristides
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Cartaz do Filme: vilão não aparece
Filme
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ARTIGO DA SEMANA

SEU ARISTIDES, O VILÃO DO FILME

Vtor Hugo Soares

De Salvador acompanho o bafafá político e cinematográfico em Brasília em torno do filme “Lula, o filho do Brasil” e logo estou de novo voando nas asas da memória para Paulo Afonso, na beira do São Francisco, o rio da minha aldeia. Estertores dramáticos do governo de Getúlio Vargas, tempo da construção da primeira grande hidrelétrica da CHESF no Nordeste, que o presidente Café Filho inaugurou no começo dos anos 50, em dia para nunca esquecer.

Então, o gaúcho Vargas já havia disparado o tiro no peito no Palácio do Catete, mas, mesmo sepultado, seguia sendo “o cara” (na época se chamava “o maioral”) de um Brasil comovido e indignado. Paulo Afonso era ainda distrito de Glória, cidade onde eu morava. Ali estava um dos maiores formigueiros de operários e engenheiros do País, vindos de todas as partes – até da Rússia – para trabalhar na mega-construção, “orgulho do operariado e da engenharia do Brasil”, como proclamava a propaganda oficial.

Na Paulo Afonso daquele período dois belos e modernos cinemas (com cinemascope e tudo) – o Cine Poty, da vila dos operários, e o CPA, sala frequentada pelos engenheiros e gente grande do lugar, do outro lado do arame que na época dividia a cidade. Eram meus locais preferidos. Dois fantásticos laboratórios de sonhos e de observações de reações humanas, políticas e sociais.

Cabeça virada para a esquerda, graças à congênita tendência familiar, e a ajuda das doutrinações de Luiz Gonzaga. Não o notável sanfoneiro pernambucano de Exu, que também passava muito por lá e virara uma espécie de semideus depois de gravar a antológica música sobre o lugar: “Olhando prá Paulo Afonso, eu louvo nosso engenheiro/ louvo nosso “cassaco”, caboclo bom brasileiro/ Eu vejo o Nordeste erguendo a bandeira/ tem ordem e prograssso a nação brasileira/E esta usina feliz mensageira/ vivendo da força da cachoeira”. No final, o refrão ufanista empolgava: “Meu Brasil vai, Meu Brasil vai!”

Lembro aqui de Luiz Gonzaga Ferreira, de quem era fã e seguidor mirim nas lutas sociais e políticas de então. Gonzaga, combativo e perseguido dirigente sindical dos bancários dos anos 60 na Bahia, hoje mais reconhecido – segundo o conterrâneo Edgar Campos, no Senadinho baiano no Shopping Barra, em Salvador – como tio de uma celebridade da atualidade: o ator Wagner Moura, que deu os primeiros passos na vida e na arte nas calçadas de Rodelas, outra cidade perto de Paulo Afonso, também engolida, como Glória, pelas águas que movem uma de suas usinas.

Apesar das lições de Luis sobre o “imprevisível comportamento das massas”, uma das coisas que mais me intrigavam na Paulo Afonso daquele tempo , eram as estranhas e inesperadas reações do público na platéia lotada do Cine Poty quando passava filme de caubói. A torcida passional, barulhenta e irrefreável a favor do vilão, mesmo que o mocinho na tela fosse o simpático e imbatível ator James Stuart.

E voltamos a Brasília do filme “Lula, o filho do Brasil”. Leio que na abertura do 42º Festival de Cinema de Brasília, ao rebater com bom humor as críticas feitas pela oposição de que o filme é uma forma de manipulação política, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo recomendou a oposição a procurar, entre seus maiorais, alguém que também pudesse ter a vida retratada nas telas. Bernardo não sugeriu nomes, mas assinalou: “Se procurarem bem, eles acham”.

Críticos, palpiteiros e políticos “do lado contra”, como se dizia em Paulo Afonso, acham que nem será preciso tanta procura, esforço e investimento. No próprio filme que exalta Lula e sua mãe, Dona Lindu, vivida por Glória Pires, há um personagem que parece feito de encomenda para a oposição torcer: Seu Aristides, pai de Lula o homem mau da história.

Até mesmo dentro do governo há quem diga que o diretor Fábio Barreto carregou demais nas tintas de tons cinzentos e negativos em relação ao perfil de Seu Aristides. A começar pela cena em que Lula enfrenta o pai no meio da rua, quando este tenta bater em Dona Lindu. Barretão não dá refresco ao personagem interpretado por Milhem Cortaz, mostrado o tempo todo como arrogante, beberrão, truculento e malvado. Homem incapaz de um gesto de afeto, a não ser em relação ao seu cachorro Lobo, deixado no Nordeste pela mulher no êxodo da família de pau de arara para o Sudeste.

Na chegada de surpresa de Lula com Dona Lindu em São Paulo, Seu Aristides nem quer saber da viagem e da família. Vai logo interpelando a mulher por ter deixado Lobo em Pernambuco. Na Paulo Afonso do tempo de Getulio, um personagem assim tinha tudo para cair nas graças da massa na platéia do popular Cine Poty.

Na Brasília de Lula tem muita gente da oposição apostando que não será diferente agora, quando Seu Aristides, o vilão de “Lula, o filho do Brasil” pintar – e bordar – nas telas nacionais. A conferir

Vitor Hugo Soares é jornalista – E-mail:: vitor_soares1@terra.com.br

nov
27
Posted on 27-11-2009
Filed Under (Newsletter) by vitor on 27-11-2009

Tiger Woods: grande susto
Tiger
O campeão mundial de golfe, Tiger Woods, ferido nesta sexta-feira, 27, em acidente de automóvel na Flórida (EUA) , já teve alta hospitalar. A informação, procedente de agencias de notícias norte americanas, foi divulgada há pouco no portal TSF Rádio Notícias, de Portugal.

O número um mundial do golfe, recém-vencedor do Masters da Austrália, recebeu atendimento médico para alguns cortes faciais e posteriormente recebeu autorização para deixar o hospital no hospital da Flórida onde foi atendido.

De acordo com vários órgãos de comunicação norte-americanos, o automóvel de Woods se desgovernou bateu em um hidrante e posteriormente numa árvore.

Segundo a Polícia da Flórida o acidente ocorreu perto da casa do golfista Tiger Woods, de 33 anos.Alguns meios de comunicação locais revelaram que os “air-bags” do SUV Cadillac de Woods não funcionaram, o que pode revelar uma velocidade inferior a 56 quilómetros por hora.

nov
27
Posted on 27-11-2009
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 27-11-2009

Deu na coluna

Em sua coluna política publicada na edição desta sexta-feira, 27, da Tribuna da Bahia o jornalista Ivan de Carvalho responde a mensagem de um leitor e fala de política nacional . Analisa como podem ser equivocados os comportamentos e avaliações massificadas ao longo da história.Bahia em Pauta reproduz. Confira.
(VHS)
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Lula:ponto de vista
Prelula
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OPINIÃO POLÍTICA

Sobre críticas de um leitor

Ivan de Carvalho

Recebi de um leitor da Tribuna da Bahia, cujo nome preservo, um e-mail datado do dia 23 em que, depois de elogio imerecido a esta coluna, observou que insisto “em só apenas criticar qualquer coisa que venha do governo Lula”, não lembrando-se ele de alguma coisa elogiosa a esse governo publicada neste espaço (em verdade, procurando bem, acabaria achando; já elogiei, por exemplo, o Bolsa Família, como uma medida emergencial e provisória, portanto desde que tenha o sentido do peixe que se dá enquanto se ensina a pessoa a pescar).
Surpreendeu-me, porém, entre as várias observações do leitor, aquela em que alega – ressalvado o direito óbvio de cada indivíduo a ter opinião própria – que as frequentes críticas a “coisas que venham do governo Lula” ocorrem apesar do presidente da República ter um índice de aprovação cada vez melhor, atingindo os 80 por cento na última pesquisa CNT/Sensus. Então, estranha ele que esses 80 por cento possam estar errados e certos somente eu “e mais alguns jornalistas que não aceitam que um nordestino, que foi para São Paulo num pau-de-arara, que é analfabeto, como diz Caetano, seja presidente do Brasil”. E indaga “até quando vocês vão continuar com esse sentimento preconceituoso e discriminatório”.
Respondi que procuro ser imparcial, isento, quando relato um fato ou faço uma análise, mas quando opino dou a minha opinião. Governo é posto por nós e pago pornôs para acertar, acertar é obrigação. Não é preciso elogiar. Errar obriga à crítica. O artigo imediatamente anterior ao e-mail do estimado leitor e que talvez haja sido a gota d`água que lhe encheu o copo opinava sobre duas coisas vindas do governo Lula. A defesa que a ministra e candidata do PT a presidente da República, Dilma Rousseff, fizera do retorno dos mensaleiros do PT à política e os rapapés (não me lembrei na ocasião de acrescentar os salamaleques) com que o governo Lula recebia em Brasília o presidente iraniano Ahmadinejad, o sinistro mentiroso que nega o Holocausto – a matança de seis milhões de judeus por Hitler.
Claro que o leitor que teve a gentileza de escrever-me não concorda com o insulto à humanidade perpetrado por Ahmadinejad e, estou convicto, também com a defesa de Rousseff quanto à volta dos mensaleiros. Apenas o meu artigo opinativo continha mais duas críticas “a coisas que venham do governo Lula” e ele talvez haja entendido que chegara a hora de não mais permanecer em silêncio. O somatório das críticas terá atingido o seu limite de paciência.
Quanto a estar eu “e alguns jornalistas” mais, insistindo na crítica (que fiz também, com a mesma insistência, a coisas vindas do governo FHC, por exemplo), enquanto 80 por cento dos eleitores avaliam positivamente o presidente Lula, lembrei-lhe que nem sempre a maioria está certa. A maioria, respondi a ele, votou e sentenciou Sócrates a beber cicuta e não creio que essa maioria estivesse certa. A maioria reunida ante a Torre Antonia, em Jerusalém, pediu a libertação de Barrabás e a crucificação de Jesus e nem mesmo Pilatos concordou com a opção – apenas, por falta de coragem, submeteu-se.


A música do dia nesta sexta-feira, 27 de novembro, é “Menestrel das Alagoas”, do mineiro Milton Nascimento, na interpretáção magistral ao vivo de Fafá de Belém. É a escolha do Bahia em Pauta para homenagear a memória do ex-senador Teotônio Vilela, um heroi da resistência no Brasil, na data de aniversário da sua morte em doação ao seu país.

Em tempos de “Expressos da Propina” que circulam à solta, de personagens macunaímicos que atuam na base do “cada um por si e Deus contra”, eis uma memória digna a não ser esquecida jamais. O mais está dito na apresentação de Fafá, nas palavras do próprio teotônio e na letra de milton nascimento. Confira.

(Vitor Hugo Soares)

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