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Postado em 23-11-2009
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 23-11-2009 19:22

Ahmadinejad a Lula: “bom amigo”
Encontro
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Deu no jornal PÚBLICO ( Portugal)

Luiz Inácio Lula da Silva recebeu hoje o presidente iiraniano, numa arriscada jogada para reforçar o peso do Brasil na diplomacia mundial. Dentro e fora do país, vários analistas alegaram que o convite do Presidente brasileiro reforça a legitimidade de Mahmoud Ahmadinejad é contraproducente com os esforços para convencer Teerã a abdicar do seu programa de enriquecimento de urânio.

Após a reunião, Ahmadinejad saudou a mediação do “bom amigo” Lula da Silva, que reafirmou o direito iraniano à energia nuclear. Mas o Presidente brasileiro disse que Teerã deve continuar a dialogar “para conseguir uma solução justa e equilibrada”.

Palavras que dificilmente calarão a polémica. “Esta visita de Estado é um erro grosseiro”, disse ao New York Times o congressista democrata Eliot Engel, recordando que, depois das eleições de Junho, Ahmadinejad é um Presidente “ilegítimo para o seu próprio povo e o Brasil está agora a dar-lhe um ar de legitimidade”.

Também José Serra, o provável candidato da direita às presidenciais de 2010, escreveu no Folha de São Paulo que Lula se coloca numa posição desconfortável ao receber “um símbolo da negação de tudo o que explica a projecção do Brasil no mundo”.

Mas o Presidente insistiu que a visita – a primeira de um chefe de Estado iraniano ao país em 50 anos – é compatível com o novo protagonismo do Brasil: “Poucos países têm a primazia de, em 15 dias, receber o Presidente [israelita] Shimon Peres, o presidente da Autoridade Palestiniana e o Presidente Ahmadinejad”.

O El País sublinhou que, depois de se ter afirmado no G20 e nas discussões sobre as alterações climáticas, Brasília procura reforçar o seu peso internacional oferecendo-se como mediador no processo de paz entre israelenses e palestinos e no impasse nuclear iraniano. Ontem mesmo, Lula da Silva anunciou que vai à região em Março do próximo ano para “pôr a capacidade de conversa” do país ao serviço da paz.

“O santo Graal das iniciativas de Lula da Silva para o Médio Oriente é a melhoria das relações entre palestinos e israelitas e o Irã é um jogador- chave neste conflito”, explicou ao NYT David Fleischer, professor de Política da Universidade de Brasília.

Mas os críticos dizem que Ahmadinejad – conhecido por negar o Holocausto – não será um parceiro construtivo nas iniciativas de paz. E em Brasília teme-se que uma aproximação ao regime iraniano (pelo comércio ou pela diplomacia) arrefeça as relações com os Estados Unidos, até aqui pouco preocupados com as investidas iranianas na Venezuela e nos países do eixo “chavista”.

Contudo, o chefe da diplomacia brasileira, Celso Amorim, garantiu que Brasília foi encorajada a procurar um “diálogo aberto e directo” com Teerã. E em declarações à Folha o israelita Ely Karmon, investigador do Centro de Herzliya, especializado em questões de segurança, lembrou que Lula convidou Ahmadinejad em Março, depois de o próprio Barack Obama se ter mostrado disponível para dialogar com o Irã.

O Departamento de Estado não criticou abertamente a visita, mas disse esperar que os aliados “compreendam que este é um momento crítico para o Irã”, que na semana passada rejeitou uma proposta da ONU para que o seu urânio seja enriquecido no estrangeiro. Celso Amorim respondeu que, apesar de interessado em contribuir para a paz, o objetivo do Brasil não é servir de porta-voz às propostas ocidentais.

Júlia E. Sweig, do Council on Foreign Relations desvaloriza a polémica: “O Brasil deve estar preparado para as críticas, mas se conseguir ser um mediador na questão nuclear, pode certamente lidar com elas”.

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