nov
22
Postado em 22-11-2009
Arquivado em (Artigos, Multimídia, Olivia) por vitor em 22-11-2009 14:01


=====================================================

Maria Olivia

Há muito tempo nas águas da Guanabara, o dragão do mar reapareceu, na figura de um bravo marinheiro, a quem a história não esqueceu, conhecido como almirante negro, tinha a dignidade de um mestre – sala…Na belíssima canção-homenagem de João Bosco e Aldir Blanc – O Mestre-Salas dos Mares- a João Cândido, vamos lembrar e celebrar nosso herói da ralé neste domingo de sol muito forte em Salvador.
É preciso recuperar a história encoberta. É o caso da Revolta da Chibata. Em 22 de novembro de 1910, 2.400 marinheiros rebelaram a Armada de Guerra, comandados por João Cândido, O Navegante Negro. Naquele dia ele decretou: Não queremos mais ser açoitados, chibatas nunca mais.

Quando ele assumiu o comando do encouraçado “Minas Gerais”, a escravidão já tinha sido “abolida” há exatos 22 anos e a República tinha sido proclamada há 21. Tudo balela. Ainda havia quem precisasse lutar pela conquista de um direito, o mais fundamental, o de ser considerado como Ser Humano e não como uma coisa qualquer.

A revolta da Chibata foi um grito dos cidadãos considerados de “segunda classe”, grito que eclode até hoje. Já avançamos, mas ainda estamos muito distantes de uma república democrática e justa. A Revolta da Chibata não é só uma data na história, ela representa os excluídos da nossa história oficial. Salve, o Almirante Negro, que tem por monumento, as pedras pisadas do cais.

Vale informar que, devido a censura, não se podia dizer Almirante Negro…Cantava-se, para enganar os censores, Salve, o Navegante Negro…

Maria Olivia é jornalista

Be Sociable, Share!

Comentários

Regina on 22 novembro, 2009 at 19:29 #

Elis Regina ainda pode ser considerada a maior e melhor expressao musical desse pais. Ainda nao apareceu ningem que cante e interprete uma musica como ela fazia.
Muito forte! Obrigada Olivia!


Olivia on 22 novembro, 2009 at 20:12 #

Gente, esse homem sofreu muito. Teve uma vida duríssima, enfrentou tragédias familiares, mas resistiu. Terminou sua vida vendendo peixe na Praça XV, no Rio de Janeiro. É preciso lembrar/ensinar nas escolas brasileiras a história de João Cândido, esquecida durante toda sua vida. Quando ele morreu, em 1969, de câncer no intestino, o médico se recusou a fornecer o atestado de óbito, obrigando a que o corpo fosse levado ao IML, embora a morte não tenha sido violenta. Liberado no dia seguinte, o pequeno cortejo rumou para o Cemitério do Caju, onde seu corpo foi enterrado. Perto da cova, quatro policiais acompanharam tudo de perto, com máquinas fotográficas. Um carro da Radiopatrulha ficou estacionado na porta do cemitério…


Regina on 22 novembro, 2009 at 20:45 #

Desculpa, eu nao tive a intencao de subestimar o foco do artigo de Olivia ressaltando a interpretacao de Elis. O Almirante Negro, O Mestre-Salas dos Mares, O João Cândido, historia esquecida por muitos, mas parte indelevel do que somos, como povo, sera sempre homenageado e reconhecido, ainda que por poucos.


Olivia on 23 novembro, 2009 at 7:14 #

Elis, com sua interpretação magistral, também prestou uma homenagem a ele, Regina. Somos poucos – como diria o saudosíssimo Zé Wilson, outra figura inesquecível- mas vamos continuar resistindo, quando nada, neste espaço. Vida que segue, para lembrar outra figuraça, João Saldanha.


Carlos Volney on 23 novembro, 2009 at 18:18 #

Valeu, Olivinha, como valeu!! Numa terra onde se glorifica o axé, sua lembrança nos resgata um pouco. Muitos, muitos parabéns.


lilian on 23 novembro, 2009 at 19:09 #

Valeu Olivinha! Você refrescou nossa memória. E essa canção… meu Deus… é maravilhosa


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos

  • novembro 2009
    S T Q Q S S D
    « out   dez »
     1
    2345678
    9101112131415
    16171819202122
    23242526272829
    30