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A garimpagem, e sugestão do vídeo é do jornalista Gilson Nogueira, incansável programador desta Radio BP. Confira. (VHS)

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Posted on 21-11-2009
Filed Under (Aparecida, Artigos) by vitor on 21-11-2009

Reffugiados
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ARTIGO/COMPORTAMENTO

Os refugiados do amor…

Aparecida Torneros

Um bando de refugiados formou-se nos últimos tempos, buscando emigrar dos seus próprios sentimentos. É bem verdade que tiveram ajuda humanitária do modo de vida consumista, um anestesiante de ação efetiva, que os afasta da realidade, dando-lhes uma plena sensação de satisfação extemporânea, um estado de “nem quero mais pensar nisso que me aflige” ou aquela pitada de desfaçatez própria do cinismo aparente.

Os refugiados do amor, em constantes arroubos justificativos para o seu comportamento, apregoam aos quatro ventos que não estão nem aí para suas histórias afetivas profundas e seguem vivendo pequenos enredos sem laços mais fortes. Preferem provar dos amores descartáveis, os tais encontros de “ficantes”, sem vínculos comprobatórios, do tipo “não haverá amanhã”, que, segundo eles, os deixam à vontade, descompromissados, livres para voar, no seu dia-a-dia, ou melhor nas suas noites após noites.

Nada sabem esses fugitivos do amadurecimento que paira sob os olhares antigos de gente que cultiva um grande e sólido amor. Sequer conseguem redimensionar a felicidade de um beijo repetido cujo gosto varia de sabor, por décadas, entre pessoas que aprendem a incorporar seus parceiros como se fossem ares para sua respiração e que não se vêem no mundo sem as presenças de figuras que os complementam.

Casais assim, poderiam ser chamados de “os encontrantes”, cada vez mais rareados, mais escassos no sistema produtivo capitalista, pois não os junta nem a conta bancária, tampouco a ambição pelos bens de um ou de outro. O que os une é a alegria do aconchego, a paz do lado-a-lado, o sono acompanhado, as mãozinhas dadas, os olhares para a mesma direção do arco-íris que ilumina seu caminho comum.

Quanto aos refugiados do amor, sua legião cresce com as novas gerações, especializaram-se em sobreviver de encontros superficiais, casamentos-relâmpagos, viagens rápidas pelas paixões esquecíveis, e, o que é pior, desconstruíram em si mesmos o dom de iludir, sim, o melhor dos dons, o da ilusão a dois.

Sem o sonho do dia seguinte, sem a magia do futuro feliz, sem o nirvana do amor eterno, lá se vão os peregrinos do mundo moderno, de aeroportos em aeroportos, trocando de aeronaves, voando sobre suas próprias cabeças, certos do incerto, convencidos do exercício do supérfluo, anotando em suas agendas eletrônicas os nomes que logo serão deletados, num troca-troca alucinante, confusão de bocas, olhos, cheiros, quiçá de gostos misturados.

Em algum lugar do universo, encontrarão, quem saberá, o refúgio para um exílio seguro depois de tanta fuga. E aí, será que o amor volta? Será que seus corações reaquecidos poderão renascer em paixões que os arrefeçam? Melhor imaginar que suas almas serão sábias para conduzi-los ao lugar onde a fuga cesse, o abrigo do maior amor os acolha e a eternidade os faça acordar um dentro do outro, juntos, fiéis, e para sempre. Sem mais fugirem de si mesmos!

Aparecida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulhar Necessária (http://blogdamulhernecessaria.blogspot.com).

nov
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Posted on 21-11-2009
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 21-11-2009

Deu na Tribuna da Bahia

O presidente do Irã, Mahmoud Ahrmadinejad, desembarca no Brasil nesta segunda-feira, 23, na primeira visita de um presidente iraniano ao País, a ser retribuída por Lula no ano que vem. O assunto, que deve ocupar espaços expressivos na mídia na próxima semana, é antecipado por Ivan em seu artigo de hoje na TB, que mexe numa questão das mais explosivas, quando se fala de Ahrmadinejad.

“Se ele sair do Brasil sem uma quente e duas fervendo fervendo pelo que disse do Holocausto (tem direito de dizer, mas convém que alguém o faça também ouvir), nunca mais me ufanarei do meu país”, assinala Ivan de Carvalho, no texto que Bahia em Pauta reproduz a seguir. Confira (VHS)
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Armadinejad no Brasil: polêmica à vista
armadinejad
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ARTIGO/MUNDO

VISITANTE INDESEJADO

Ivan de Carvalho

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, chega ao Brasil na segunda-feira para uma visita de um dia. É a primeira visita de um presidente iraniano ao Brasil e Lula a retribuirá no primeiro trimestre de 2010.

O ponto principal da agenda é o pedido de apoio político do governo Lula para o programa nuclear iraniano. Trata-se, praticamente, de chover no molhado, pois o presidente Lula, por iniciativa própria ou mal aconselhado pelo ministro das Relações Exteriores e pelo seu assessor especial para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia – aquele do Top-Top-Top do caseiro Francenildo – já anunciou antecipadamente esse apoio, afirmando que o Irã tem direito a um programa nuclear para fins pacíficos.

Com isso, Lula chancela a falsa argumentação do governo iraniano, rejeitada pelos principais protagonistas do cenário internacional, de que o programa nuclear do Irã tem fins pacíficos. Não tem. Vários países importantes tentam uma negociação com o governo de Ahmadinejad a respeito de seu programa nuclear, mas ela não avança.

A primeira atitude iraniana foi a de embaraçar e finalmente cancelar toda fiscalização da Agência Internacional de Energia Atômica sobre o programa nuclear iraniano e, portanto, a produção de combustível nuclear pelo Irã, especialmente no que diz respeito ao enriquecimento de urânio (um caminho para a produção de armas nucleares) e a um subproduto do funcionamento das usinas, o plutônio, com o qual bombas nucleares também são produzidas.

Estados Unidos, Reino Unido, França, China, Rússia, Alemanha e a própria União Européia fizeram uma proposta no sentido de que o urânio enriquecido seria fornecido pelo grupo e especialmente pela Rússia, que tem laços políticos muito fortes com o governo do Irã. Até o momento o Irã vem evitando dar uma resposta, enquanto busca apoios de governos como o de Lula ou do venezuelano Hugo Chávez (com quem nos misturamos, meu Deus!) para resistir à pressão da comunidade internacional.

Descobriu-se no Irã, além das instalações nucleares conhecidas, uma planta nuclear secreta, subterrânea, pequena demais para produzir energia elétrica, mas suficiente para a produção de armas nucleares, certamente com “fins pacíficos”.

Ahmadinejad uma vez negou a existência do Holocausto (a matança de seis milhões de judeus pelo nazismo durante a Segunda Guerra Mundial) e pouco tempo depois afirmou que o Holocausto foi apenas uma propaganda mentirosa “para justificar a criação do Estado de Israel”, que ele quer “varrer do mapa”. Cumprirá em Brasília uma agenda que, além de encontro com Lula, inclui uma visita ao Congresso, uma entrevista coletiva à imprensa e discurso seguido de debate com estudantes em uma universidade, segundo a embaixada do Irã. Se ele sair do Brasil sem uma quente e duas fervendo pelo que disse do Holocausto (tem direito de dizer, mas convém que alguém o faça também ouvir), nunca mais me ufanarei do meu país.

Ivan de Carvalho, jornalista político, escreve diariamente na Tribuna da Bahia

nov
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Posted on 21-11-2009
Filed Under (Multimídia) by vitor on 21-11-2009


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Este vídeo com a música e a interpretação primorosa de Zeca é uma sugestão que vem de longe, lá da costa oeste dos Estados Unidos, em Belmont, na áres da baia de San Francico (California), onde mora há décadas Regina Soares, atenta colaboradora da Radio BP (como diz Gilson Nogueira). A letra toca de perto a muita gente , de lá e de cá,
e cada um deve tirar dela a lição que desejar. Confira.

(Vitor Hugo Soares)

(Vitor Hugo Soares)

nov
21
Posted on 21-11-2009
Filed Under (Newsletter) by vitor on 21-11-2009

Pita
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No final da noite de ontem, 20, morreu no Hospital Sírio Libanês, aos 63 anos, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. O ex-prefeito lutava desde janeiro deste ano contra um câncer. O velório de Pita, figora cercada de acusações e escãndalos administrativos, econômicos, políticos e conjugais, está sendo realizado no prédio da Assembleia Legislativa de São Paulo.O sepultamento está marcado para asd 17h.

Segundo os médicos que cuidavam dele, o estado de saúde de Pitta se agravou muito nos últimos dias e o quadro se tornou irreversível. No dia 24 de janeiro, o ex-prefeito passou por uma cirurgia no mesmo hospital para retirada de um tumor no intestino. A atual esposa de Pitta, Rony Golabeck, passou a madrugada no hospital ao lado do marido.

Celso Pitta foi prefeito de São Paulo de janeiro de 1997 e dezembro de 2000. O mandato foi marcado por suspeitas de corrupção, com denúncias surgindo em março de 2000, principalmente por parte de sua ex-esposa Nicéia Camargo. As denúncias envolviam vereadores, subsecretários e secretários – entre as denúncias, está o escândalo dos precatórios.Na Operação Satiagraha, da Polícia Federal, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas, Pita também foi detido e algemado em casa ainda de pijamas.

(Postado por Vitor Hugo Soares)

nov
21
Posted on 21-11-2009
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 21-11-2009

Mario conversa com…
Mario
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…Lygia (e seu gato): que domingo!
Lygia

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ARTIGO DA SEMANA

FUTUCANDO A MEMÓRIA

Vitor Hugo Soares

Ligo o rádio na manhã de domingo, dia que sempre pediu cachimbo. Ultimamente esta idéia tornou-se subversiva e perigosa para além dos riscos à saúde. São dias de implacável perseguição administrativa, econômica e policial aos fumantes. Não há trégua nem territórios inteiramente livres para uma tragada sem protestos e discursos “politicamente corretos”, embora os cariocas sigam resistindo aos radicalismos das proibições – por bravura para uns, ou pura insanidade para outros.

Em São Paulo do governador e ex-ministro da Saúde José Serra, anti-tabagista inflexível da primeira hora, ou em Salvador do evangélico prefeito João Henrique Carneiro, dá no mesmo, ou quase – porque na capital baiana a cultura do larga-isso-pra-lá segue imbatível e sempre é possível um jeitinho. “Até em Paris!”, reclama uma querida amiga baiana, fumante e combatente, assustada com os rigores das proibições em um dos templos mundiais do respeito às liberdades individuais e do livre arbítrio.

“Para mim a França perdeu o encanto, não volto mais lá”, reclama a amiga enquanto levanta irritada da mesa do bar da Pituba, para pitar na rua, sob um sol de mais de 30 graus. Se estivesse no apartamento, com o chato do filho do vizinho de cima reclamando da fumaça, colocaria para tocar a pleno volume o manifesto musical anarquista de Caetano Veloso, “É Proibido Proibir”.

Mesmo sem nunca ter fumado um cigarro na vida – nem no colégio, nem na universidade, nem nas redações de jornais e revista por onde passei – esta nova querela do Brasil mexe comigo. Até a atenção voar para a conversa surpreendente que vem do rádio ligado, de onde não esperava muita coisa no domingo de solitárias meditações caseiras.

Ficaria contente com uma música de Aznavour, ou com uma notícia amena que me afastasse um pouco do surrealismo das falas e debates sobre o apagão; dos longos e previsíveis arrazoados jurídicos e (principalmente) políticos do ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, sobre o refugiado italiano; da cara manhosa e suspeita de Sarney no Senado; dos labirintos afetivos de FHC; da lengalenga em torno do filme “Lula, o filho do Brasil”.

Bom mesmo seria ouvir algo que lembrasse Londres, Lisboa, Madri, Praga, Olinda. Ou mesmo Maceió da farinha boa de Djavan e das deliciosas crônicas do escritor Carlito Lima, o velho Capita, Duque de Jaraguá . Ele acaba de lançar seu mais novo livro, “As Mariposas Também Amam”, e recebeu esta semana na Assembleia Legislativa de Alagoas a comenda Ledo Ivo, com a presença do próprio poeta e escritor, imortal da Academia Brasileira de Letras, que empresta seu nome à honraria destinada aos homens e mulheres de letras, cultura e valor das Alagoas.

Surpresa! Do aparelho sintonizado na Radio Metrópole FM-Salvador, chegam as vozes do diálogo entre o apresentador Mario Kertész , que conversa por telefone da Bahia com a escritora Lygia Fagundes Teles, em São Paulo, ela também, como Ledo Ivo, imortal da ABL. É uma reprise do programa “Na Linha”, que Mario apresenta. Dá gosto ver o jogo do hábil entrevistador no diálogo inteligente com sua tímida, mas sábia entrevistada.

O radialista sabe que encontrou um veio de diamante, mas tem a plena noção de que precisa garimpar com cuidado e delicadeza para não haver rupturas, desabamentos que podem pôr toda mineração a perder..

“Escrever é futucar a memória”, diz a autora de “As Meninas” para explicar suas reticências ao falar. Principalmente quando a conversa se aproxima de revelações mais dolorosas sobre a vida e os despenhadeiros da alma, que ela como poucos retrata em seus livros. Mário dá um empurrãozinho discreto e respeitoso. O suficiente para Lygia seguir “futucando as lembranças”.

Ela fala da morte prematura do primeiro marido e destacado jurista Gofredo Telles, e mais prematura e dolorosa ainda morte do filho, Gofredo da Silva Telles Neto, o brilhante e promissor documentarista paulista. O jovem com profundas ligações com a Bahia, que amava Salvador com a devoção dos iniciados no axé, nos terreiros de candomblé, da gente que vive no casario do bairro de Santo Antonio, do Além do Carmo e do Pelourinho. Espaços que o filho resgatou “em um dos mais bonitos e comoventes filmes que realizou antes de partir”, recorda a mãe comovida.

A escritora lembra também do segundo marido, o saudoso Paulo Emílio Salles Gomes, professor da USP, estudioso e mestre insuperável das coisas ligadas à história e à cultura do cinema brasileiro. Pioneiro das Jornadas de Cinema da Bahia nos anos 60/70, evento hoje internacional, criado e mantido sempre por Guido Araújo.

Perdas e danos que fizeram a autora de “Ciranda de Pedras” e “Antes do Baile” ficar “sozinha, reclusa, solitária”. Lygia conta que foi salva das profundezas da depressão pelos livros e personagens de sua obra com os quais segue convivendo, “inclusive o gato”, um de seus personagens recorrentes. Salva também, confessa, pela entrada na ABL, onde se sente à vontade na hora do chá e das conversas com os seus iguais.

Ligia confessa no ar, ao final da conversa com Mário, que só fica preocupada quando eventualmente dá um espirro na Academia e sempre aparece alguém cheio de expectativas com a pergunta:

“É pneumonia?”

Se fumasse teria enfrentado a turma politicamente correta e pedido um legítimo charuto cubano para completar o prazer do domingo em casa. O que se pode pedir mais depois de saborear uma entrevista tão densa e tão rica, mesmo em reprise, com Lygia Fagundes Teles?

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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