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Postado em 14-11-2009
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 14-11-2009 17:29

Deu no jornal El Mundo (Espanha)

Veneza hoje:funeral de uma maravilha
Vene
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Barcas e gôndolas de Veneza se vestiram de luto no Grande Canal para participar neste sábado, 14, do Funeral da Cidade, uma iniciativa organizada por seus cidadãos para sensibilizar todo o mundo do grave problema de despovoamento de uma das mais belas e atraentes cidades do planeta.

O turistas surpreendidos puderam assistir a um cortejo fúnebre do qual participaram umas 300 pessoas navegando em seus barcos a remos seguindo a gôndola na qual se colocou o ataúde que simbolizava a morte de Veneza.

O caixão foi colocado, depois, diante da sede da Prefeitura , o Palácio Cà Farsetti, onde se pronunciou uma oração fúnebre pela “Serenissima” em dialeto veneziano.

Foi uma iniciativa organizada pelo movimento cívico “venessia.com” para chamar a atenção, ante a responsabilidade da cidade, para o despovoamento de Veneza, que abrigava 120.000 habitantes na década dos anos 60 e agora se encontra com menos de 60.mil. “Veneza está em perigo”, afirmou à agência de notícias européias EFE Matteo Secchi, um dos organizadores desta iniciativa.

Para Matteo, em 21 de outubro passado, quando a população veneziana baixou dos 60 mil habitantes, se passou a considerar esta uma das datas trágicas da história da cidade.

“Se o 4 de novembro de 1966 os venezianos recordam como a data da grande tragédia da inundação, o passado 21 de outubro passará à história como tragédia dos despovoamento”, acrecentou Sechi.

O funeral terminou quando do ataúde saiu a bandeira da Fenix (Ave Fénix), um dos símbolos de Veneza e do renascer da “Serenissima”. Por isso, o movimento está realizando uma coleta de assinaturas dirigidas a todas as pessoas que queiram “converter-se em veneziano”

A fuga dos venezanos

O primeiro “novo veneziano” adotado por este movimento de cidadãos é o filósofo espanhol Victor Gómez Pin, que recebeu ano passado o prêmio jornalístico internacional “Istituto Veneto per Venezia” por seu artigo “Não ao modelo Veneza” , em que comparava o despovoamento do centro de Barcelona com a cidade dos canais.

Para Secchi, “Veneza está ficando sem alma”, já que os autênticos venezianos deixam a cidade devido às grandes dificuldades de viver entre os canais, assim como os preços altos das casas e do resto dos serviços e alimentos. Para evitar que siga o êxodo, os poucos que ficam pedem aos políticos algumas medidas que freiariam a fuga dos residentes.

Entre elas, que se pare imediatamente de abrir hoteis em Veneza, incentivos fiscais aos proprietários que aluguem suas casas a venezianos e favorecer a compra de casas populares a àqueles que partiram da cidade para que possam regressar.

A celebração do Funeral foi aproveitada pelo Instituto Worcester Polytechnic de Massachusetts (EEUU), que realiza uma investigação patrocinada pela National Geographic Society, para recolher amostras da saliva dos vezezianos de ao menos tres gerações e conservar assim o seu DNA.

Os especialistas americanos esperam recolher as amostras de DNA de 5.000 venezianos, que depois serão enviadas para o centro de evolução da Universidad Pompeu Fabra de Barcelona (España) para análise.

Este estudo forma parte de um projeto que tem como objetivo esclarecer as origens da população do centro da Europa.

(Texto do jornal espanhol El Mundo, traduzido por Vitor Hugo Soares)

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