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Postado em 07-11-2009
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 07-11-2009 14:46

Virgílio Gomes;”companheiro Jonas”
virjonas

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LUIZ NOVA

CACHOEIRA (BA) – Está em curso, o registro histórico dos 40 anos do assassinato de Carlos Marighella. “Inimigo número um” do regime militar, líder da ALN, destemido combatente das lutas transformadoras. Em Cachoeira – CAHL/UFRB -, dias 12 e 13 de novembro, na mesma perspectiva, acontece o Seminário “Marighella: sem perder a ternura jamais”. O evento tem uma exposição sobre Marighella, gentilmente cedida pelo Carlinhos Marighella. Ele, inclusive, fará um depoimento sobre a sua relação com o pai. Acontecerão ainda duas mesas redondas e a exibição de filmes sobre Marighella.

Há um acréscimo em relação aos demais eventos que merece registro. Em Cachoeira, será destacado, também, Virgílio Gomes da Silva. Companheiro de Marighella, na ALN, Virgílio era nordestino de Sítio Novo, em Santa Cruz, no Rio Grande do Norte. Menos conhecido do grande público, é o Jonas, do filme O que é isso companheiro?

Preso e morto há 40 anos. Sobre ele, será lançado o livro “Virgílio Gomes da Silva: de retirante a guerrilheiro”, com a presença de Edson Teixeira, um dos autores. O seminário, em Cachoeira, é coordenado pela professora Lucileide Cardoso, da UFRB, e professor Muniz Ferreira, da UFBA.

A importância destes atos é a possibilidade de conhecer a pessoa para além da sua ação principal, a luta política. Digo isso, ressaltando a dimensão política de qualquer personagem histórico. Em particular de Marighella e Virgílio, mesmo reconhecendo, no entanto, que, às vezes, existem aspectos dispensáveis de releituras.

Mas o importante é reacender o ser humano, retirando-o dos estereótipos que os embates políticos impõem aos seus lutadores. É que a política prática e a luta pelo poder, sem as quais não se constrói nenhuma sociedade, são reducionistas e pragmáticas. Apesar de inevitáveis, embotam o brilho inerente à busca do futuro.

Assim, rememorar os lutadores em todas as dimensões é revelar o quanto estas empreitadas foram desenvolvidas na dimensão humana irrecusável, contextualizada historicamente. O revolucionário Marighella era o mesmo poeta Marighella. O revolucionário Virgílio era o mesmo “bóia fria” Virgílio. Representantes humanos, da luta pela dignidade humana.

Já que estamos em fase de rememorar… Vitor, o primeiro contato que tive com a dimensão transcendente de Marighella, foi provocado por você. Na Sucursal do Jornal do Brasil, 1980/81, pautado para uma matéria sobre a derrubada do “Muro da Vergonha”, do Colégio Central da Bahia. O muro cercou o Colégio Central e a Praça Carneiro Ribeiro, que era púbica e foi incorporada à escola, só para esconder as mobilizações estudantis. É onde ficam as quadras esportivas.

Nesta matéria investiguei também os aspectos culturais da irreverência do movimento estudantil do Central. Só “deu” primeira página do Caderno B por causa de sua orientação. Foi aí que conheci a prova de física feita por Marighella, em versos.

Marighella merece as homenagens que recebe. É síntese de todo um tempo e um povo. Ao mesmo tempo, foi poeta e guerrilheiro destemido (“Não tive tempo para ter medo”). Brilhante intelectual e destacado construtor da luta cotidiana, em suas formas mais complexas. Faz bem conhecer a história e toda a sua dimensão humana.

Luiz Nova, jornalista formado pela Escola de Comunicação da UFBA, foi repórter da Radio Jornal do Brasil FM-Salvador e da sucursal do Jornal do Brasil na Bahia. Professor universitário, ensina e faz pesquisas atualmente na Unversidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB)

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