Maitê perde pensão de R$ 13 mil…
Maite
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…Portugueses se vingam da ofensa

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Os portugueses devem ter soltado foguetes na noite desta quinta-feira, 5, em Lisboa. A atriz Maitê Proença, que ganhava cerca de R$ 13 mil mensais de pensão, teve o benefício cortado pelo governo de São Paulo. A atriz esteve recentemente envolvida em forte polêmica e teve que pedir desculpas publicamente depois da divulgação de um vídeo no programa de TV, Saia Justa, em que ela ofende os portugueses e cospe na fonte do Mosteiro dos Jerônimos, em Lisboa, um Patrimônio da Humanidade.

Segundo informa a jornalista Mônica Bérgamo em sua coluna da “‘Folha de S. Paulo’, a pensão de Maitê era herdada de seus pais, o procurador de Justiça Carlos Eduardo Gallo e a professora Margot Proença, ambos falecidos.

A suspensão do superbenefício ocorreu por conta do casamento de Maitê com o empresário Paulo Marinho. Segundo o jornal, o governo teria se baseado na biografia da atriz, que afirma ter formado ‘uma família linda’ nos 12 anos de união com Marinho. Isso caracterizaria uma união estável.

Maitê disse à Folha que não se pode cancelar algo que já foi pago. ‘São pensões que meus pais pagaram a vida inteira, deduzida do salário deles, para que eu recebesse. Não existe justificativa para suspender. Não sei por que eles resolveram entrar com isso agora’. O advogado da atriz informou que vai recorrer da decisão do governo paulista.

(Postado por Vitor Hugo Soares, com informações da Folha de S. Paulo e Correio da Bahia)

nov
05
Posted on 05-11-2009
Filed Under (Newsletter) by vitor on 05-11-2009

Desespero em Fort Hood( e Malick no detalhe)/ El País
Massacre
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Um militar abriu fogo sobre um quartel no Texas, no Sul dos EUA, matou 12 pessoas e deixou 31 feridos. A origem deste tiroteio ainda é desconhecida, mas em declarações à comunicação social norte-americana, Barack Obama mostrou-se horrorizado com o sucedido em Fort Hood, considerada a maior base militar do mundo,

Segundo as primeiras informações, o militar que fez os disparosna base de Fort Hood preparava-se para partir para o Iraque.O portal TSE Radio Notícias, de Portugal, informa que uma senadora norte-americana adiantou que o militar Hassan Malik abriu fogo na base militar , vitimando 12 pessoas, tendo sido depois abatido.

Em declarações através da comunicação social da Casa Branca, Barack Obama, presidente e comandante supremo das Forças Armadas norte-americanas, mostrou-se horrorizado com o sucedido.

«Vários soldados norte-americanos foram mortos e outros ficaram feridos num horrível ato de violência. É já muito difícil quando perdemos estes bravos americanos além fronteiras e é terrível que eles desatem a atirar numa base em solo americano», afirmou o presidente dos EUA.

nov
05

Jorge Hage: aperto na fraude com lupas informatizadas
johage
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O poço aparentemente sem fundo da corrupção e das fraudes segue fazendo sérios estragos no país, embora alguns dados demonstrem que o cerco contra os corruptos e seus métodos fraudulentos se fecha cada vez mais, mesmo sem a colaboração essencial de julgamento e punição mais ágeis e severos dos infratores.

Segundo revela o ministro-chefe da Cotroladoria Geral da República, Jorge Hage Sobrinho, em entrevista exclusiva editada nesta quinta-feira,5, duas dezenas de modalidades de fraudes foram detectadas em compras licitadas pela União nos últimos quatro anos. Suas ocorrências estão mapeadas em setores econômicos, regiões, órgãos, ramos. Envolvem contratos que somam R$ 5,75 bilhões de verbas públicas.

Mas, como afirma TM na apresentação da entrevista realizada pelo repórter Eliano Jorge, isto é só uma amostra de um promissor trabalho de investigação da CGU.É com lupas informatizadas, e não telescópios, que se vasculham estas contas astronômicas de milhões de contratos. O ministro da CGU, Jorge Hage, minimiza o flagra de quase R$ 6 bilhões em operações suspeitas: “Representa apenas 6,9% do universo (examinado). Além disso, não significa que em todas elas tenha ocorrido fraude. A procuradoria vai aprofundar para verificar onde realmente houve”.

O ministro assinala na conversa, que tal universo se espalha por R$ 164,8 bilhões em licitações realizadas. Um banco de dados de difícil averiguação humana. Graças a uma malha fina tecnológica, foram identificados tipos de irregularidades que vão balizar as auditorias. Novas formas de desvios ainda são estudadas.

– Identificados padrões de comportamento, isso passa a permitir para nós uma atuação preventiva, pra impedir que (essas fraudes) voltem a ocorrer – frisa Hage.

Na entrevista, o ministro defende o polêmico sistema de pregão pela internet, que passou a dominar as licitações da União e pode ampliar-se por meio de um projeto de lei.

Desvio de verbas públicas é tema que Hage habituou-se a comentar desde a estreia de Terra Magazine, em 17 de abril de 2006. Culpa de um país em que, averiguou a CGU e declarou o ministro àquela época, “a corrupção é cultural, sistêmica; rouba-se em até 80% dos municípios”.

Bahia em Pauta reproduz trechos da entrevista:

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Terra Magazine – Em relação à reportagem da Folha de S. Paulo (de 2 de novembro de 2009) sobre investigações da CGU, como funcionam as fraudes no pregão eletrônico?

Jorge Hage – O que é preciso corrigir em relação à matéria da Folha, não é que tenha informação errada, é que ela induz ao entendimento de que existiram R$ 6 bilhões de compras com fraude. Não é exatamente disso que se trata. O que existe é uma malha fina que estamos criando neste Observatório da Despesa Pública, que é um trabalho de investigação em cima do banco de dados de compras acumuladas dos últimos anos, utilizando esta tecnologia de informática mais moderna que nós temos, procuramos identificar tipologias de fraude que se repetem. Identificamos estes tipos de fraudes, isolamos cada um, de modo a orientar nossa auditoria, nossa área de controle interno, para já trabalhar de forma mais focada, em cima daquilo, com um trabalho inclusive preventivo. Então, identificamos já 15 a 20 tipos de fraude que transformamos em trilhas de auditoria.

Que tipos, por exemplo?

Por exemplo, vínculo societário entre licitantes. Quer dizer, duas ou três empresas que frequentemente comparecem a uma licitação, a um pregão, como se estivessem concorrendo entre si, quando, na verdade, são do mesmo dono, da mesma família. Outro exemplo: empresas criadas muito recentemente – há um mês, 15 dias ou dois meses – vêm participar de uma licitação.

Havia casos de ligação entre quem fazia a licitação e quem vencia?

Não. O pregão é a única forma de licitação que consegue evitar isso. Porque o pregoeiro não tem contato com os licitantes. Ele não sabe quem está apresentando as propostas. Para ele, aquilo é incógnito. E só se vai saber depois que ele define o vencedor. Esta é uma das várias vantagens do pregão. Mas, como eu estava lhe dizendo, estas tipologias de fraude nós aplicamos ao banco de dados onde tem R$ 165 bilhões de compras licitadas entre 2005 e abril de 2009. Dentro deste universo de R$ 165 bilhões, identificamos estas tipologias mapeadas em R$ 5,75 bilhões, que é o número que está na matéria da Folha, o número está correto. Agora, isto representa apenas 6,9% do universo. Além disso, não significa que em todas elas tenha ocorrido fraude. O que significa é que estes 6% é o tanto que caiu nessa malha fina. A partir daí, a procuradoria vai aprofundar para verificar onde realmente houve fraude.

Há chance de, neste universo de R$ 165 bilhões, ter escapado alguma coisa?

Aí não tem chance de ter escapado nada. Porque os softwares são aplicados em cima desta montanha de dados e identificam sempre que ocorrem aqueles tipos de fraude. É lógico que podem ocorrer outros tipos de fraude, outras tipologias. Mas entre essas 15 a 20 que já desenvolvemos, não escapa nada. O que houver de fraude recente e cujo volume, cujo montante, justifique uma auditoria, a gente faz. Agora, a gente não vai atrás de todo este banco de dados que, na verdade, tem dados desde 1998, coisas de 11 anos atrás. É claro que não vamos procurar agora, digamos, se houve uma compra de papel de expediente de R$ 10 mil em 1998.

Quais são as vantagens do sistema do pregão eletrônico? A transparência, a redução da corrupção…?

São várias. A primeira, que lhe falei, que o pregoeiro não tem contato com os licitantes. Esta, pra nós, é talvez a mais importante de todas porque o risco de corrupção é diretamente ligado ao contato entre o agente público e o representante privado que tem interesse na história. É nesta interface que se coloca o risco. Então, se você elimina o contato entre o pregoeiro e os licitantes – o pregoeiro não sabe quem está apresentando as propostas, que ele recebe pela internet -, isso aí já é uma enorme vantagem. A outra vantagem é a transparência. Aquilo ali está visível para todo mundo.
A terceira vantagem é que, como não há o contato prévio, é impossível a orientação, o direcionamento. Outra coisa é que você primeiro recebe as ofertas de preço. E preço é o fator mais objetivo, embora não possa ser o fator único de escolha em alguns os casos. Por isso mesmo, nem todo tipo de contratação pode se resolver pelo pregão. Mas tudo que é serviço comum, produtos comuns, que podem ser comprados por pregão, nós estamos sempre enfatizando que deve se preferir o pregão porque, primeiro, você escolhe por preço, que é um dado objetivo. Se você oferecer seu produto por R$ 5 mil e eu oferecer o meu por R$ 7 mil, o pregoeiro não tem desculpa para comprar o meu em vez do seu. Quando entram os fatores capacidade técnica, qualidade técnica, criativdade, aí é que a coisa complica. Ou então inabilitação da empresa por falta de documento. Tudo isto, no pregão, fica em plano secundário. Fica para uma segunda fase. Só depois é que se vai ver documentação da empresa etc. Na primeira fase, se escolhe por preço…

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Leia a íntegra da entrevista em Terra Magazine ( http://terramagazine.terra.com.br )

nov
05

Mata do Corcovado: sem medo de bala perdida
matcorcovado
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CRÕNICA / LUGARES

UM SONHO VERDE

Gilson Nogueira

A mata do Morro do Corcovado parece querer invadir meus sonhos na noite morna do Rio. O Cristo Redentor entra pela janela. E um silêncio sem medo de balas perdidas me faz beber a paz que esta cidade precisa. Sinto-me pronto ao repouso do dia que termina com ressaca de saudade do Porto da Barra. Por ter sido mais uma vez abençoado pelo Verde Deus das florestas cariocas, acho-me o índio que um dia devo ter sido. Antes do sono, cubro-me das certezas que reforçam-me a fé em Deus. Suspiro estrelas.

Pela manhã, no Jardim Botânico, com minha mulher e minha primeira netinha, ouvi a natureza cantando através dos pássaros com quem Tom Jobim conversava. Exatamente, ali, no JB, passeando por seus canteiros e caminhos exalando beleza e história, recolhi outros silêncios no meu cesto de esperanças. Rezei, enquanto andava, para o planeta encontrar saídas, a fim de não se transformar em uma bola de fogo. E guardei na escuridão das minhas novas utopias a possibilidade de ver minha netinha poder respirar um mundo melhor, de mais amor, sem violência. Entre desejos, êxtases e preocupações, a agonia silenciosa de não poder responder a pergunta: Como fazer para colar as duas partes antagônicas da Cidade Maravilhosa? Sorri, sem ironias de canto de boca, acreditando que a grande solução está no resgate da fé no Todo Poderoso.

Ao meio dia, voltando para casa, fotografei pés de Andiroba, que significa “ gosto amargo”, em tupi-guarani. Antes, apanhei, no chão, algumas de suas amêndoas, para deixar secar, ao sol do sertão de Serrinha, na Bahia de Todos Nós. Continuarei rezando, esperando vê-las brotar amazônias entre mandacarus.

Gilson Nogueira , jornalista baiano, está no Rio de Janeiro

nov
05
Posted on 05-11-2009
Filed Under (Multimídia) by vitor on 05-11-2009


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E por falar em Lisboa: a música para começar o dia no Bahia em Pauta vem de Portugal, com todo cheiro do cravo , toda poesia do mar, e todo sentimento do mundo como nos versos de Fernando Pessoa. “Fado Português”, com a dulcissima Dulce Ponte é a canção escolhida . É como diz a francesa Violet na área de mensagens do You Tube: “Magnifique montage qui réchauffe le coeur”. Traduza e confira.

(Vitor Hugo Soares, um nome francês de sangue ibérico. Que mistura!)

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Fado Português
Dulce Pontes
Composição: José Régio / Alain Oulman

O fado nasceu um dia
Quando o vento mal bulia
E o céu o mar prolongava
Na amurada de um veleiro
No peito de um marinheiro
Que estando triste cantava

Ai que lindeza tamanha
Meu chão, meu monte, meu vale
De folhas, flores, frutas de oiro
Vê se vês terras de Espanha
Areias de Portugal
Olhar ceguinho de choro

Na boca de um marinheiro
No frágil barco veleiro
Cantando a canção magoada
Diz o pungir dos desejos
Do lábio a queimar de beijos
Que beija o ar e mais nada

Mãe adeus, adeus Maria
Guarda bem o teu sentido
Que aqui te faço uma jura
Que eu te leve à sacristia
Ou foi Deus que foi servido
Dai-me no mar sepultura

Ora eis que embora outro dia
Quando o vento nem bulia
E o céu o mar prolongava
A proa de outro veleiro
Velava outro marinheiro
Que estando triste cantava

nov
05

Na hora da escolha entre Salvador…
Salvador
…E Lisboa, a diferença pode estar no preço.
Lisboa
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DEU NA TRIBUNA DA BAHIA

A nota de abertura da coluna “Em Tempo”, na edição desta quinta-feira, 5, assinada pelo jornalista Aléx Ferraz na Tribuna da Bahia, é sobre turismo. Merece, porem, leitura atenta e reflexiva não só quiem se prepara para uma viagem, mas de todos que gostam de fato desta cidade da Bahia e ainda mantém olhos e ouvidos atentos, apesar da massacrante propaganda que cega e ensurdece muita gente.

Confira a nota a seguir neste Bahia em Pauta e leia a coluna completa de Alex na TB. (VHS)

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Dilema de paulista: Salvador ou Lisboa?

Parodiando Gerônimo: “E lá vem o brancão…” Solteirão, bem de vida, chega à agência de turismo na Avenida Paulista e fica num dilema: “Réveillon na Bahia ou em Portugal?”
Se vier para Salvador e fizer um bate-volta de 30 de dezembro a primeiro de janeiro, vai pagar R$ 1 mil pelo show de virada do ano de Ivete Sangalo, gastará entre R$ 800 e R$ 1.250 de passagem aérea ida-e-volta e pelo menos R$ 800 por duas diárias em hotel de categoria decente nesta época do ano. Total mínimo em Salvador para dois dias: R$2.600. Máximo: R$3.050,00. Se decidir ir para um resort em Itacaré, vai pagar R$5.130 pelo pacote de oito dias, com direito a café da manhã e jantar e passagem aérea de ida-e-volta. Mas, se decidir passar a sua virada do ano em Lisboa, uma das mais belas cidades da Europa, ficando oito dias na capital de Portugal, hospedado com direito a café da manhã e passagem aérea ida-e-volta (Brasil-Portugal-Brasil), irá pagar R$ 3.050. Aí, eu pergunto: o que leva o setor turístico baiano e as companhias aéreas a achar que podem cobrar de um cidadão brasileiro por um pacote na Bahia mais caro que um pacote para a Europa?
Acho que o paulista vai adaptar a letra de Gerônimo e cantar: “Eu sou brancão/ e vou levar/ meu coração/ para bem longe/ da Liberdade…”

nov
05
Posted on 05-11-2009
Filed Under (Artigos, Rosane) by vitor on 05-11-2009

Eli Parisier: “mensagem direta”
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OPINIÃO / INTERNET E POLÍTICA

OBAMA, WEB E BRASIL II

Rosane Santana

A discussão sobre o uso da Internet na política, no Brasil, envolta em uma onda de mal entendidos e muita desinformação, ao que parece, passa ao largo do fenômeno globalização, ainda reduzido a questões de ordem econômica por muitos observadores que não se detêm em suas implicações tecnológicas, políticas e culturais, como ressalta o sociólogo inglês Anthony Giddens. Prova disso, é a mistificação em torno dos resultados eleitorais obtidos nas últimas eleições presidenciais americanas, através da Web, e os benefícios que o uso da Internet poderia trazer ao processo eleitoral brasileiro, já no próximo ano. À propósito, volto ao tema a pedido de leitores.

Em primeiro lugar, é preciso deixar claro: antes mesmo de Barack Obama ingressar no Partido Democrata, eleger-se presidente dos Estados Unidos e Ben Self fundar a Blue State Digital, milhões de ativistas americanos e europeus insatisfeitos com a política externa dos EUA, especialmente após o 11 de Setembro, navegavam, tramavam e arrecadavam cifras milionárias no espaço cibernético, a partir de pequenas contribuições individuais, para apoiar candidatos contrários às guerras no Oriente Médio, especialmente a “Guerra contra o Terror”, de George W. Bush.

Entre os militantes, muitos herdeiros ou ex-ativistas do Vietnã, cérebros em informática e tecnologia da informação, tribos de todas as idades e credos, formando um verdadeiro tsunami, da Europa a América do Norte, que mostrou sua força nas eleições presidenciais norte-americanas de 2008 -uma disputa globalizada-, através da Internet. O tsunami responde pelo nome de Moveon.Org Politic Action e possui hoje, segundo seus líderes, cinco milhões de membros, supostamente com alto grau de politização e familiaridade com as novas tecnologias, é preciso ressaltar, para dar uma dimensão do fenômeno.

Por acaso, o candidato que, naquela conjuntura, mais se identificava com as aspirações dos ativistas internautas, simpatizantes do Partido Democrata, era um afro-americano chamado Barack Obama, que prometeu – e está sendo cobrado -, mas não cumpriu até agora, por um fim aos conflitos da Era Bush. Não por acaso, Hillary Clinton, que apoiou a invasão do Iraque e continua favorável ao endurecimento contra o Irã e a Coréia do Norte, foi descartada como representante do Moveon, que prossegue dando o que falar na política americana e é objeto de estudo em prestigiosos centros acadêmicos como a Universidade de Harvard.

Ressalte-se que mais de 50% dos quase 800 milhões de dólares arrecadados pela campanha do candidato democrata Barack Obama originaram-se de pequenas contribuições de pessoas físicas, de até 200 dólares. Por trás dessa tática de arrecadação, a estratégia adotada há quase 10 anos pela onda gigante e revelada pelo seu diretor executivo, Eli Pariser, em entrevista ao jornal The New York Times (Março, 2003) e à Revista Rolling Stones, fonte já citada (Nov.de 2007): combater a crescente influência de grandes companhias sobre governos, em nível internacional, o que ele considera a maior ameaça à democracia.

O segredo para unir tanta gente em torno de uma causa é simples. Eli Pariser, que descende de judeus sionistas por parte de pai e de socialistas poloneses, por parte da mãe, ambos ex-ativistas do Vietnã, ensina que as mensagens políticas encaminhadas pela Internet devem ser sempre diretas, sem tecer análises ou comentários que possam suscitar divisões ideológicas. O Moveon abriga pessoas de diferentes nacionalidades e diversas organizações, envolvendo norte-americanos e europeus. E sua atuação não pára depois da eleição.

Os ativistas tiveram influência decisiva junto ao Congresso americano, nas recentes discussões sobre a reforma no sistema de saúde pública dos EUA, e articulam campanhas contra os senadores, inclusive democratas, que estão dificultando a aprovação da matéria, através de e-mails enviados aos seus membros, aos quais estão solicitando doações entre 25 e 200 dólares. A briga entre Obama e a FoxNews (pró-republicana), tem tido o apoio do movimento, que sugere boicote dos telespectadores à rede.

“A democracia através da Internet resolve o problema de como focar a atividade política em um extenso país onde a grande maioria dos cidadãos está extremamente ocupada e distraída, porque o que mantém tantos americanos ocupados e distraídos estes dias é a Internet”, diz Eli Pariser (The New York Times, Março de 2003).

É possível que, no futuro , o Brasil possa encabeçar um movimento dessa natureza, através do espaço cibernético, com bandeiras próprias, parece óbvio, em direção, por exemplo, à América Latina. A Web abre um leque inimaginável de possibilidades também na política. Não soa, portanto, tão estranho, o recente apelo de Hugo Chavez às venezuelanas, para apoiarem Dilma Roussef, a candidata de Lula. Mas para que a Internet favoreça essa unidade, dentro e fora do território, o Brasil e os outros países do continente terão que vencer o desafio de se modernizarem, combatendo a corrupção, distribuindo renda, democratizando a educação e a tecnologia.

Rosane Santana, jornalista, mestre em História pela Universidade Federal da Bahia, mora em Boston e estuda atualmente na Universidade de Harvard (EUA).

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