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Postado em 04-11-2009
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 04-11-2009 09:16

Juliana Paes, a Maya da novela: “ilusão”
juliana

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Deu no jornal

No artigo que assina nesta quarta-feira, 4, na Tribuna da Bahia, o jornalista político Ivan de Carvalho fala da recente novela das oito da TV Globo, Caminho das Índias, “bonitinha mas ordinária”, mas que ainda assim deixa lições. Por exemplo: “Maya, a ilusão, que pode ser linda como a atriz Juliana Paes, ou asquerosa como o engano, a mentira, o disfarce, o encobrimento”. Confira a seguir no Bahia em Pauta a reprodução do texto de Ivan.
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OPINIÃO

Maya, bombas, holocausto e mensalão

Ivan de Carvalho

O bramanismo, assim como a Teosofia, nos falam de algo muito importante, Mahamaya, que significa A Grande Ilusão.

Mahamaya, a Grande Ilusão, seria nada mais, nada menos do que o Universo. Para nós, real, pois individualmente somos parte dessa ilusão e não conseguimos perceber o que há por trás da máscara da formidável realidade. O Universo, portanto, é real para si mesmo, mas em verdade é uma ilusão quando confrontado com a verdadeira realidade – Brahman, com o seu pensamento, que o bramanismo denomina Parabrahman, e a matéria perene, incrivelmente sutil e indiferenciada (o caos aparente) destinada a tornar-se provisoriamente o Universo em um número interminável, infinito de ciclos, numa evolução sem fim.

Mas este é um espaço preferencialmente dedicado à política. E embora tentado a prosseguir no grande tema abordado até aqui – o que talvez fizesse se hoje fosse sábado – obrigo-me a conduzir este artigo para o rumo apontado pela finalidade do espaço em que é publicado. Não será possível, assim, prosseguir tratando de Mahamaya, a Grande Ilusão, mas creio que possa, até porque na política isto cada vez mais parece natural e adequado, falar de maya, não aquela representada pela bela Juliana Paes na bonitinha, mas ordinária novela Caminho das Índias, e sim de maya, a ilusão. Maya, a ilusão sem maha (grande), que pode ser linda como a atriz, ou asquerosa como o engano, a mentira, o disfarce, o encobrimento.

Recentemente, tratei aqui, e não apenas uma só vez, do tresloucado presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, tentando impor ao mundo duas ilusões desse último tipo.

Uma, ao buscar encobrir, com uma peneira que não tapa o sol, mas com o inacreditável apoio da diplomacia e do governo brasileiro, o caráter bélico do programa nuclear iraniano, apoio dado imediatamente após descobrir-se ou revelar-se que – além das suas instalações nucleares conhecidas, cuja fiscalização pela Agência Internacional de Energia Atômica o Irã tem inviabilizado sistematicamente – o governo iraniano construiu uma planta nuclear subterrânea e secreta demasiado pequena para produção de energia elétrica, mas suficiente para produzir armas nucleares.

A outra ilusão que já pela segunda vez o reeleito presidente Ahmadinejad (a primeira vez foi às vésperas da reeleição) tenta impingir é a ilusão de que o Holocausto (a matança de seis milhões de judeus pelo nazismo) foi apenas “propaganda para justificar a criação do Estado de Israel”, nas palavras de Ahmadinejad, disposto a “varrer Israel do mapa”. O mesmo Ahmadinejad que o governo brasileiro vai receber no dia 23 com festa e os tradicionais rapapés do Itamaraty.

Mas nem só de Ahmadinejad vive maya. Também de mensalão. Como o citado presidente nega o Holocausto, o vice-líder do governo na Câmara, deputado Beto Albuquerque, do PSB, como testemunha de defesa do ex-ministro José Dirceu e do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, afirmou ontem na 12ª Vara Federal do Distrito Federal, que o chamado esquema do mensalão nunca existiu.

Lula dizia que não sabia do mensalão. Agora, dizem que nem existiu. Foi maya

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