nov
03
Postado em 03-11-2009
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 03-11-2009 21:35

Levi-Straus: glória do século XX
Levi-Straus
================================================
O filósofo e antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, que influenciou gerações de investigadores e estabeleceu as bases da antropologia moderna, faleceu aos 100 anos, segundo informou nesta terça-feira sua editora. Lévi-Strauss, que viveu no Brasil, onde realizou alguns de seus estudos mais importantes, morreu na madrugada de sábado para domingo aos 100 anos, anunciou hoje a Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales, de Paris.

Lévi-Strauss, considerado um dos intelectuais mais relevantes do século XX, destacado antropólogo e “pai” da corrente estruturalista das ciências sociais, influenciou de forma decisiva a filosofia, a sociologia, a história e a teoria da literatura.

Lévi-Strauss foi um dos maiores intelectuais franceses do século XX e lançou as bases da Antropologia moderna. Foi o primeiro membro centenário da Academia Francesa, para onde entrou em 1973. E foi também um crítico do etnocentrismo e de algum modo um precursor intelectual do movimento ecológico.

Filho de judeus franceses, nasceu na Bélgica, em 1908, mas mudou-se para França ainda em idade de estudar no liceu. Depois, na Sorbonne, em Paris, estudou Direito e Filosofia, tendo sido professor desta última disciplina no ensino secundário.

Em 1935 mudou=sei para o Brasil. Aceitou um lugar como professor de Sociologia na Universidade de São Paulo, onde começou a sua carreira de etnólogo. Naquela época, havia milhares de índios nos subúrbios da cidade, o que lhe permitiu dedicar os fins-de-semana à sua nova disciplina.

Partiu mais tarde para o Mato Grosso e a Amazónia, onde contactou muitas tribos. Depois também estudaria índios norte-americanos.

Em “As Estruturas Elementares do Parentesco”, sua primeira obra de grande projeção, publicada em 1949, forneceu um novo método de análise que se tornou comum a muitos antropólogos. A tese do livro é que o “parentesco” está no centro da Antropologia que estuda o homem na sua dimensão social. E aqui o parentesco é entendido como as regras de aliança, de filiação, de residência ou de perpetuação das populações.

A sua obra mais marcante, “Tristes Trópicos”, chegou em 1950. Trata-se de uma autobiografia intelectual que recebeu o Prémio Goncourt e teve êxito também junto de um público muito para além da comunidade científica. E, em 1958, Antropologia Estrutural abre o caminho ao estruturalismo, a nova corrente do pensamento de que foi o principal teorizador, aplicando ao conjunto dos factos humanos de natureza simbólica um método que procura as formas invariáveis existentes em conteúdos diferentes. No ano seguinte era titular da Antropologia Social no Collège de France, de onde se reformou em 1982.

Lévi-Strauss criticou também o aparecimento de uma corrente de pensamento humanista que secundarizou a natureza, tornando-se assim num precursor do movimento ecologista.

Numa entrevista em 2005, Lévi-Strauss disse: “Dirigimo-nos para uma espécie de civilização à escala mundial (…) Estamos num mundo ao que já não pertenço. Aquele que conheci, aquele de que gostei, tinha 1 bilhão e 500 milhões de habitantes. O mundo atual tem seis bilhões de humanos. Já não é o meu.”

(Postado por Vitor Hugo Soares, com informações de agencias de notícias européias, portal TSE, jornal Público e Diário de Notícias, de Portugal)

Be Sociable, Share!
Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos

  • novembro 2009
    S T Q Q S S D
    « out   dez »
     1
    2345678
    9101112131415
    16171819202122
    23242526272829
    30