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Postado em 03-11-2009
Arquivado em (Aparecida, Artigos) por vitor em 03-11-2009 10:15

Cochannel

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CRÔNICA / CINEMA E COMPORTAMENTO

COCO CHANEL:GARRA DE VIVER E VENCER

Aparecida Torneros

Ela nasceu no final do século XIX.
Atravessou o século |XX, com galhardia.
Foi pioneira, da vida, em seu estilo próprio, e da moda, com sua arrojada disposição de inovar. Ficou famosa, faleceu em 1971, mas seu trabalho permanece, sua lendária griffe se perpetua, e seus conceitos de liberdade de vestir para as mulheres, vieram para reinar. No filme, “Coco antes de Chanel”, o que vi, pareceu-me ainda muito pouco, em face da sua longa e produtiva vida. Entretanto, o que se vê relatado é o eixo básico que formatou sua garra para viver e vencer, num mundo competitivo e masculino, que ela tão bem enfrentou para ousar ser quem foi e continua sendo, como personagem ímpar da história feminina dos últimos tempos.

Coco Chanel, a Gabrielle aguerrida, afoita, talentosa e perspicaz, tão bem interpretada por Audrey Tautou, nos é trazida com a performance das criaturas que não se acomodam e que se entregam aos desafios do cotidiano, inclusive do amor, com sua paixão ou seu final trágico.

As imagens mostram a vida bucólica de uma França emergente para a indústria, os primeiros automóveis, a sociedade que se diverte em torno dos cavalos, o teatro com suas mulheres enchapeladas, os costumes dos espartilhos, dos excessos de flores, jóias, coisas que Chanel soube neutralizar e impor com seu estilo mais sóbrio, elegante, devastadoramente capaz de despertar a curiosidade masculina.

Através de roupas pudicas, fechadas, ela provou, muitas vezes, que o desejo se esconde onde se escondem as curvas, e também soube revelar as facetas da sensualidade feminina no jogo de luz e sombra, no pretinho básico, nas pérolas misteriosas, nos complementos charmosos, em bolsas, sapatos, chapéus e até perfumes.

O filme deixa no ar o longo tempo da sua caminhada enquanto estilista que se tornou referência mundial. O maior enfoque dessa obra da telinha, se dá à sua descoberta como pessoa, mulher, profissional e sua sede de vencer em Paris.
Há uma aura de paixão pelo desconhecido e pelo sucesso, coisas que Chanel não só perseguiu, como se apropriou com apetite voraz, sem voltar atrás, seguindo um caminho de trabalho, dedicação, sensibilidade e senso de oportunidade.
Uma mulher à frente do seu tempo, não resta dúvida, Coco Chanel, ainda pode ser contada, de mil maneiras e em todas, será sempre uma figura lendária, nos suscitando admiração e respeito. Senão, vejamos.

Chanel, quem não sonhou com ela, nos últimos 80 anos, em sã consciência, sendo mulher e habitando o Ocidente? Devo ter sido uma menina suburbana que a teve como referência distante e inatingível, enquanto a admirei de longe, acompanhei sua moda pelas revistas, notícias, ufanei com seus delirantes desfilhes e só fui usar uma gota de Chanel número 5, lá pelos meus 30 anos, quando ousei comprá-lo e submeter-me ao seu teor mágico.

Chanel, a lenda da moda, a dama do tailler, dos colares, dos sapatos semi abertos e bicolores, aquela das bolsas de matelassê, com alças em correntes, a mesma da feitiçaria francesa de mulheres magras, leves e deslizantes, ditando normas para atrizes, rainhas, primeiras damas, famosas que tinham acesso livre ao seu criativo dom de encantar.

Chanel, a menina pobre que se tornou estilista famosa. A doce mulher de negócios, uma experta cidadã antenada com a indústria da beleza e a sede capitalista do consumo de sonhos, ela mesma aparece agora em cinema, em mais de uma produção, assim como já apareceu em teatro, livros, seriados e ainda vai se superar em novas histórias que dela não cansarão nunca de falar.

Chanel, a mulher que revolucionou a mulher no século XX, trazendo-a para um lugar onde sua feminilidade flui diante de olhos amantes de pérolas, de paixões baseadas em imagens românticas e clássicas, apesar dos tempos modernos, um adocicado século antigo permanece no semblante de uma mulher que eterniza o amor em seu coração sedento de verdadeira paixão. Aí, nesse lugarzinho especial, se instala o estilo Chanel, entre um suspiro de prazer e um profundo respirar capaz de renovar a auto-estima feminina ou sua esperança diante da vida.

Cida Torneros, escritora e jornalista, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária. (http://blogdamulhernecessaria.blogspot.com)

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Comentários

Cida Torneros on 17 dezembro, 2013 at 5:35 #

Ela nunca sai de moda!


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