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Postado em 27-10-2009
Arquivado em (Entrevistas) por vitor em 27-10-2009 22:16

Nery: “espremi minha vida”
SNery
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“O que fiz, palavra que nenhum bicho, só o homem, era capaz de fazer”. Para o repórter Claudio Leal, da revista digital Terra Magazine, essa frase do aviador Guillaumet, personagem de “Terra dos Homens”, de Saint-Exupery, pronunciada em um bar depois de retornar andando (e na neve) de um desastre nos Andes, talvez pudesse servir de epígrafe do livro de memórias que o jornalista baiano Sebastião Nery se prepara para lançar.

No dia 9 de novembro, em Recife, no aniversário do jornal Diário de Pernambuco, Nery lançará “A Nuvem – O que ficou do que passou” (Geração Editorial), o livro que condensa 50 anos de vida profissional e política. Uma aventura existencial que começa em um internato de seminaristas, na Bahia, e se estende até os anos 90.

“Nesse rastro de evocações, surgem os presidentes Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, os ditadores do regime militar, Tancredo Neves, Brizola, José Sarney e Fernando Collor”, resume Leal na apresentação da entrevista exclusiva de Nery a TM, para falar do livro e da vida.

A palavra ainda com o jornalista de Terra Magazine: “Nery é memória. Num papo informal, o jornalista político é capaz de escalar ministérios, contar a história do enterro da cadela de Jânio Quadros (sim, chamava-se Muriçoca e foi presenteada pela Rainha Elizabeth II), relatar o encontro com Frei Pio de Pietrelcina, em San Giovanni Rotondo (Itália), e lançar uma farpa específica a cada víbora da política nacional”.

– Você de repente vai vivendo mais e a vida se torna uma alameda de amores mortos. Fui revirar, mesmo assim é um negócio difícil… Esse livro sou eu. É minha alma, minha vida, meus sofrimentos, minhas angústias e, inclusive, as brigas em que entrei. Não falseei nada.

A briga com o amigo Leonel Brizola, nos anos 80, está contada num capítulo “denso e forte”. Deputado federal pelo Rio de Janeiro (eleito com 111 mil votos) e secretário nacional do PDT, Nery travou uma conversa amarga com o governador carioca. Modos gaúchos, Brizola passou manteiga no pão antes de lhe pedir uma escolha: o jornalismo ou a direção do partido. Depois do encontro, a sentença.

– Desci, e estava o ótimo repórter Henrique José. Tinha me visto entrar, e ficou no botequim do Hotel Othon. “O que houve com você e Brizola? Eu tinha a notícia de que Brizola ia lhe enquadrar. É verdade?”. Falei pra ele: “Tenho que ir pra Brasília…” “Me dê apenas uma frase”, pediu. E eu dei: “Acho que nos enganamos. Fomos a Lisboa buscar Brizola e trouxemos Juan Domingo Perón.”

Na entrevista a Terra Magazine , Nery fala com Claudio Leal – um jovem jornalista e conterrâneo – “das experiências escrevinhadas em “A Nuvem”, mas também opina sobre a política brasileira contemporânea, sem esquecer a polêmica confissão do presidente Lula, de que precisa se aliar a “Judas” para poder governar.

– Lula já se aliou a Judas. Mas o Fernando Henrique se aliou a Satanás. Fernando Henrique se antecipou, se aliou a Satanás, fez uma aliança com o sistema financeiro, internacionalizou a economia – ataca o jornalista.

Também polêmico ex-parlamentar, para Sebastião Nery o Congresso Nacional se empobreceu ao servir de esteio para os interesses de grupos financeiros.

– A política passou a ser um braço político do sistema financeiro e dos interesses econômicos. Atrás de cada grande negócio, existe um grande branco. A política brasileira passou a ser monetária e financeira. O Congresso não é mais cultural, político; é capitalista, financeiro.

A ENTREVISTA

Terra Magazine – O subtítulo de “A nuvem” é inspirado numa definição de Alceu Amoroso Lima sobre o passado?
Sebastião Nery – “O passado não é o que passou. É o que ficou do que passou.” O livro, na verdade, é uma espremida. Você não faz um livro desse se não espremer a alma durante 50 anos. Porque eu tinha que contar uma série de histórias. Umas são fáceis, outras não são fáceis. Mas tinha que contar. Você não pode fazer um livro desse com mentira. Pode fazer deixando de contar alguma coisa. Evidente que deixei de contar uma série de coisas. Ou eram pessoalmente desagradáveis ou politicamente incorretas. Por exemplo, discutir o problema do Brizola com o dinheiro. Eu sei quais eram, mas aí era o problema de como ele via o financiamento da vida pública.

Episódios da campanha eleitoral?

O que é um problema complicado com todo político brasileiro. Quando você tem um processo político financiado não publicamente, mas privadamente… Isso aconteceu com o Jânio, com Brizola, com os outros todos. Isso eu achei que não devia tratar, até porque, embora fosse testemunha de alguns fatos, era um processo de financiamento de políticos.

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LEIA ÍNTEGRA DA ENTREVISTA DE SEBASTIÃO NERY EM TERRA MAGAZINE ( http://terramagazine.terra.com.br)

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Comentários

Gilberto Carvalho Guerra on 10 junho, 2010 at 9:55 #

Quero comprar seu livro “a Nuvem-O que ficou do que passou-50 anos de Historia do Brasil” diga-me como adquirir, minha cidade Floriano, não tem livrarias.


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