out
23
Posted on 23-10-2009
Filed Under (Artigos, Vitor) by vitor on 23-10-2009

Glória Pires é dona Lindu no cinema
GPires
======================================
ARTIGO DA SEMANA

Lula, o filme: a campanha está na tela

Vitor Hugo Soares

Está prontinho da silva o que deverá ser uma das pedras de toque da campanha presidencial de 2010. Falo do filme “Lula, o filho do Brasil”, que abrirá o 42º Festival de Cinema de Brasília, mês que vem. Em janeiro de 2010 entrará no circuito das casas exibidora do país, a superprodução dirigida por Fabio “Quatrilho” Barreto.

Um “trailer oficial”, porém, já está disponibilizado pelo You Tube e começa a invadir sites, blogs e portais da Web. Um aperitivo e tanto para a grita e polêmica que seguramente virão ainda antes do longa metragem chegar à telona e às telinhas.

A oposição, aparentemente, ainda não teve tempo de dar uma olhada no trailer. Perde tempo, mais uma vez. Demora a perceber que o estrago que a “odisséia” filmada de Lula irá provocar nos planos do PSDB, DEM e aliados de emplacar o sucessor do atual ocupante do Palácio do Planalto, deverá ser maior que o causado pelo recente périplo presidencial ao longo de três estados (MG, BA, PE), através das barrancas do Velho Chico.

Passei parte da infância em uma cidadezinha baiana na região do chamado Polígono da Seca no Nordeste, de nome Macururé. Por dentro da cidade passava a rodovia Transnordestina, coalhada nos anos 50 (da minha meninice) de caminhões paus-de-arara, que paravam nas pensões da beira da estrada do lugar, antes de seguir a longa travessia até São Paulo.

O lugar era então passagem obrigatória das multidões pobres e famintas que migravam em ondas humanas do Nordeste para Sul. Eram como páginas vivas no Brasil dos tempos amargos da depressão nos Estados Unidos, que John Steinbeck descreve de forma tão pungente no romance “Vinhas da Ira”, transposto para a tela no magistral e premiado filme de John Ford.

É verdade que – sem demérito para o diretor brasileiro – há uma larga distância entre Ford e Barreto. Mas, ainda assim, imagino o impacto que as cenas do enredo e as imagens de “Lula, o filho do Brasil” irão causar em Macururé quando por lá for exibido o filme, em pleno período da campanha eleitoral de 2010. Nenhum comício político, por maior que seja, terá a mesma força e apelo popular.

O problema, dirão alguns, será transformar a emoção da tela em voto em quem Lula indicar na campanha. Mas isso é outra história.”E cada coisa a seu tempo’, dirão os marqueteiros e responsáveis pela campanha.

Até onde estou informado, o desejo dos produtores (e da turma do governo) é que o filme passe não apenas nas cidades nordestinas de onde saíam ou por onde passavam os paus-de-arara levando gente fugida da seca para o Sul. O filme, por iniciativa dos seus realizadores – com uma mãozinha de políticos e candidatos oficiais – deverá ter exibição pública em cada praça de cidades de todas as regiões, mesmo naquelas onde não existe uma sala exibidora sequer.

Há quem diga que até o ministério da Cultura participará do esforço de disseminação do filme país afora. Algo ainda a conferir depois de janeiro, pois tudo pode não passar de “esperneio de gente dos tucanos e do DEM”, como “o povo do governo” diz na Bahia.

O trailer disponibilizado no You Tube é longo e detalhado. “Quase o resumo do filme inteiro”, como registra um expectador na área de comentários do portal de vídeos. As cenas mais fortes e emblemáticas constam praticamente todas neste resumo: o nascimento do menino saído de parto com dor do ventre de dona Lindu (Glória Pires), matriarca da família Silva. Esta, ameaçada de surra no meio da rua pelo pai beberrão e dominador, enquanto se agarra com o filho Luis, que o marido quer à força mandar para trabalhar na roça antes da escola. A reação (também pública) do filho diante da tentativa do pai bater na mãe.

Em seguida, a fuga da família na carroceria do caminhão, enquanto dona Lindu grita para o filho: “Se segura, Luís!”. E vem São Paulo e as primeiras perdas: a cena no hospital público onde o médico lhe comunica a perda ao mesmo tempo do primeiro filho e da primeira mulher. Depois a perda do dedo no torno da siderúrgica, mas também as primeiras conquistas nas lutas sindicais históricas dos metalúrgicos do ABC em plena ditadura. A conquista de Marisa. A prisão. O começo da ascensão política. E mais não conto para não tirar a graça do futuro espectador interessado na obra.

O que posso adiantar é que outro barulhão está à vista desde já, a deduzir por três comentários recolhidos aleatoriamente no You Tube.

“Grande, Lula? Getúlio Vargas, esse sim merecia um filme”. (Felipaum Camargo)

“Será que vai falar do mensalão?” (Isb)

“O filme é sobre o Lula e não sobre os políticos envolvidos no mensalão. Se souber de algum envolvimento do mesmo (Lula) no mensalão favor avisar às autoridades e não postar aqui comentários sem um pingo de conhecimento sobre política, baseado apenas em reportagens da Veja”. (Alceu).

Isso é só o trailer. Imaginem quando “Lula, o filho do Brasil” entrar para valer na campanha de 2010.

A conferir!

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

Morro dos Macacos, Rio. Img. “El País”
Mmacacos

Deu nos jornais europeus

Um jornalista do “El País”, mais importante jornal da Espanha, foi capturado e ameaçado de morte por criminosos do Morro dos Macacos, o mesmo local onde no sábado um helicóptero da Polícia Militar foi derrubado enquanto tentava travar uma guerra entre dois grupos rivais de traficantes, o que controlava a área e outro, o do Morro de São João, que tentavam expandir o seu território. A notícia está na edição on-line do Diario de Notícias, de Lisboa.

Segundo o DN, um dos diários de maior ciculação de Portugal, o reporter Francho Barón ( cujo relato mandado do Rio de Janeiro está na edição deste sábado do El País ) foi ao Morro dos Macacos, mas antes de entrar perguntou aos polícias que patrulhavam a área como estava a situação no bairro. “Aparentemente está tranquilo, mas não posso garantir nada. Se entrar a responsabilidade é sua”, avisou um dos polícias.

Ainda segundo a matéria do DN, quando se encontrava num boteco na favela, o jornalista foi abordado por um homem com cabeça raspada, entre 40 e 50 anos de idade, sem camisa e com um colar com um dente de um animal de grande porte. Repentinamente, o jornalista viu-se cercado por alegados traficantes.

Ajoelhou-se e colocou as mãos na nuca. Identificou-se como jornalista espanhol, ao líder do grupo, mas a situação complicou-se quando estes descobriram no seu equipamento um gravador e ficaram desconfiados de que o repórter trazia uma câmara escondida.

O jornal português assinala ainda que enquanto estava sob ameaça de morte pelos supostos traficantes armados com espingardas, Barón teve de apresentar todo o equipamento que carregava para mostrar que não era uma ameaça. “Jornalista, pare de tremer. Se quiséssemos você já estaria morto”, teria dito um dos traficantes, segundo relato do repórter, que acabou por ser libertado, mas sem parte do seu equipamento.

(Postado por Vitor Hugo Soares, com informações do El País, Espanha, DN, de Portugal e agências europeias de notícias)

out
23
Posted on 23-10-2009
Filed Under (Multimídia, Newsletter) by vitor on 23-10-2009


===================================================

Paris festeja intensamente com todas as luzes e cores que tem direito o aniversário de um dos maiores símbolos da capital francesa, a Torre Eiffel, que completou 120 de sua inauguração.

As comemorações tiveram início da noite de quinta-feira, 22, com uma série de shows de luzes de doze minutos de duração, um minuto para cada década de existência da torre. Os festejos vararam a madrugada de hoje em paris e se prolongam áte o fim de dezembro.

Inaugurada há exatos 120 anos, a Torre Eiffel é uma dos ícones da França e atrai milhares de turistas todos os anos.

Mais de 400 projetores estão sendo utilizados no show.

O espetáculo se repetirá todas as noites, até o dia 31 de dezembro, quando se realizará o grande reveillon de Paris em volta do monumento.

A música para começar a noite e varar a madrugada desta sexta-feira também celebra Paris e a Torre Eiffel.

(Vitor Hugo Soares)

out
23
Posted on 23-10-2009
Filed Under (Newsletter) by vitor on 23-10-2009

Jesus e Madonna: de matar de inveja
madjesus
================================================

Deu na Tribuna da Bahia

Na coluna Em Tempo, que assina diariamente na Tribuna da Bahia, o jornalista Alex Ferraz publica as seguintes notas sobre a passagem recente pela Bahia do modelo e DJ, Jesus Luz. Confira e depois leia a coluna inteira na TB, ainda em justos festejos dos 40 anos. E parabéns a Alex pela bela e completa edição especial de aniversário, que ele coordenou, ao lado de uma equipe que honra a história da TB( Vitor Hugo Soares)

==================================================

Joaci Góes
tem razão

Meu ex-patrão e eterno amigo Joaci Góes é autor do livro “A Inveja nossa de Cada Dia”, uma verdadeira bíblia deste sentimento que apequena o ser humano.
Lembro disso a propósito da passagem por terras baianas do DJ e modelo Jesus Luz, que, aliás, é bonito demais e, parado, sem bulir nos pick-ups, já mereceria o pagamento do ingresso.

Este Jesus
também sofre!

Tal como o outro Jesus, que veio à Terra apenas para receber porrada de judeus e romanos, o atual Jesus, namorado da cantora Madonna, veio mostrar o trabalho dele em Salvador e recebeu porrada de tudo quanto é gente que comanda nossa mídia.
Tudo porque o rapaz, de origem humilde, conseguiu estar junto de uma das mulheres mais cobiçadas do planeta.
Desceram o cacete no jovem, por pura inveja. Que coisa feia para a Bahia; pobres de nós baianos!

out
23

=================================================

OPINIÃO / POLÍTICA

Obama , Web e Brasil

Rosane Santana

Leio em jornais brasileiros que a Blue State Digital, empresa norte-americana que estruturou o suporte tecnológico para viabilizar a bem-sucedida campanha de marketing de Barack Obama na Internet, está de malas prontas para desembarcar nas eleições presidenciais do próximo ano, no Brasil. Pelas mãos do engenheiro elétrico Ben Self, sócio da companhia, o efeito Obama poderá dar resultados na Terra Brasilis.

Não acredito. Recorro ao arquivo pessoal onde guardo, cuidadosamente, artigos e livros adquiridos nesses quase três anos de estudo na Universidade de Harvard, em que há um pouco de tudo, especialmente Política. Releio, então, uma esclarecedora entrevista de Eli Pariser, diretor executivo do Moveon.org Politic Action sobre como a Internet está revolucionando a política, concedida a revista Rolling Stone, em novembro de 2007.

Criada há 10 anos, a Moveon é uma organização que congrega cinco milhões de internautas ativistas, nos Estados Unidos, e foi um dos principais responsáveis pelas milionárias arrecadacões e sucesso de Obama no mundo virtual, embora muitos continuem a pensar que Obama inventou o Blackberry e descobriu a Internet. Simpatizante do Partido Democrata, a Moveon decidiu pelo apoio a Barack Obama, entre outras coisas, porque os Clinton eram considerados muito próximos de George Bush, especialmente em questões de política externa, tendo a senadora Hillary apoiado a invasão do Iraque.

Eli Pariser diz que a maior contribuição que a revolução tecnológica trouxe para a política é a possiblilidade de dialogar com eleitores em tempo real e realizar mudanças rapidamente, diferente dos tempos em que os contatos com senadores e deputados, por exemplo, eram praticamente impossíveis ou levavam muito tempo, quando uma lei ou uma proposta já não podia ser modificada.

No futuro, ele acredita que alguém vai experimentar uma estrutura de decisão democrática que tirará o máximo proveito da tecnologia. Provavelmente, segundo Eli Pariser, o modo como irá funcionar é que eleitores terão representantes sobre várias questões. “Eu poderia decidir que você (o entrevistador) é meu representante em meio ambiente. Cada vez que você votar, eu recebo um e-mail que diz: “Ele votou, sim, em painéis solares”. Se eu não gosto da maneira que você esta votando, eu vou escolher outro representante. Se 100.000 pessoas dão a você uma representação você pode influenciar…”.

Como imaginar, no curto prazo, uma estrutura dessa natureza funcionando no Brasil, país onde a região Norte não conhece banda larga, segundo informações que me chegam por telefone, e boa parte do território não possui sequer energia elétrica? Superados os entraves de infraestrutura, cairemos na questão da democratização da tecnologia. Aqui nos Estados, por exemplo, entre pobres e ricos, negros e brancos, gregos e troianos, o uso de tecnologia de ponta está disseminado em toda a parte.

Computadores, microcomputadores e afins são acessíveis à população de tal forma, que é difícil você encontrar hoje um celular que não seja iPhone ou BlackBarry, por exemplo. Lan houses praticamente não existem (nunca vi), porque se alguém não pode adquirir um bom computador, a biblioteca pública tem centenas deles à disposição. A maioria dos estudantes maneja computadores desde a escola fundamental sem risco de sofrer violência, isto é, ser assaltado na próxima esquina. Em muitas salas de aula, computadores tomam o lugar do quadro negro para o ensino de ciência, matemática, português etc. e tal.

Além da cultura tecnológica, há ainda o que eu chamaria de cultura cidadã, adquirida por anos de valorização da educação. O historiador americano John Lukács diz que, nos Estados Unidos, “desde o início do século XX, a mania nacional de educação havia se tornado parte do credo norte-americano”, abraçado por gente de todas as matizes políticas, republicanos e democratas, capitalistas e socialistas etc.

Isso significa dizer que a maioria das crianças freqüenta escola e que o índice de analfabetismo é quase zero .Isso explica, além do desenvolvimento científico e tecnológico alcançado pelos Estados Unidos, a formação de pensamento crítico, capacidade de autodeterminação nas escolhas pessoais e profissionais, incluindo política, e, ao longo dos anos, o surgimento de organizações como o Moveon, que, aproveitando as possibilidades oferecidas pela Internet, está mudando a história política dos EUA.

Como no Brasil, lembrando Oliveira Viana, tudo acontece por decreto, de cima para baixo, a utilização da tecnologia na política será instrumento do partido do governo e com dinheiro público, tudo indica, haja vista a presença de assessores palacianos em seminários e negociações com a empresa de Ben Self. Coisa muito diferente do que ocorreu nas eleições americanas.

Rosane Santana, jornalista, mestre em História pela UFBA, mora em Boston (EUA) atualmente e estuda em Harvard.

  • Arquivos

  • outubro 2009
    S T Q Q S S D
    « set   nov »
     1234
    567891011
    12131415161718
    19202122232425
    262728293031