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Postado em 13-10-2009
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 13-10-2009 10:32

VEJA e Penn: “fotos icônicas”
Penn
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VEJA e Mercedes: “a cantora do bumbo argentina”
mercecantora
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Em suas escolhas eletivas a revista VEJA embaralha de vez os critérios jornalísticos na sua edição desta semana. Com data de capa de 14 de outubro , na seção Panorama, coluna Datas, a revista de maior circulação nacional ultrapassa mais uma vez seus próprios limites.

No registro do falecimento do norte-americano Irving Penn, renomado fotógrafo do mundo da moda e das celebridades, a que dedica 35 linhas de texto carregado de exaltação em coloridas tintas laudatórias. Não mede palavras de elogios para o fotógrafo que estampou 150 capas da revista Vogue, bíblia americana do mundo fashion.

“Algumas de sua fotos de celebridades se tornaram icônicas. Posaram para suas lentes Pablo Picasso, Truman Capote, Janis Joplin, Woody Allen, Katy Moss e centenas de outros artistas.Um de seus retratos ( que a revista publica ao lado da foto do falecido) com a modelo brasileira Gisele Bundchen nua, feito em 1999, foi leiloado por 193 000 dolares. “Ter sido amiga de Irving, um dos maiores artistas do século XX, foi um privilégio”, disse Anna Wintour, editora de Vogue”, exalta Veja no obituário do fotógrafo americano.

Até aí “tudo justo, muito justo, justissimo”, como dizia aquele personagem da novela das oito.

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A injustiça começa no espaço destinado pela Veja ao registro da morte da cantora argentina Mercedes Sosa. Sete míseras linhas para falar da artista citada em obituários e em textos de reportagens e editoriais da imprensa do mundo inteiro -incluindo o Brasil e os Estados Unidos – como um dos maiores e mais universalmente representativos nomes da música popular do século XX ou outro tempo qualquer.

Pior ainda são as palavras depreciativas utilizadas pela revista para descrever Mercedes Sosa. Vale repetir, para que não caiam no esquecimento tão cedo.

“Mercedes Sosa, a cantora do bumbo argentina. Dia 4, aos 74 anos, de doenças associadas ao subdesenvolvimento latino-americano, como o mal de chagas, em Buenos Aires”.

É tudo o que disse a publicação brasileira sobre a vida e a morte de Mercedes Sosa.

Mais perverso e injusto só o tratamento dispensado pela Veja na matéria de capa sobre a morte da cantora Ellis Regina, publicada em 27 de janeiro de 1982, com o título: “O amargo brilho do pó”. No texto, a memória de uma das maiores artistas do Brasil foi reduzida ao perfil de uma mera toxicômana que vivia cheirando cocaina. Atitude então severamente repudiada não só por colegas de Ellis Regina, como Caetano Veloso, mas por expressiva parte dos próprios leitores de VEJA. É só conferir nos arquivos da Internet.

Lastimável, para dizer o mínimo!

(Vitor Hugo Soares)

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Comentários

Olivia on 13 outubro, 2009 at 11:42 #

A Revista Veja há tempos não faz jornalismo, não tem nenhum compromisso com a verdade factual e nem com a história. Uma pena que ainda existam leitores incautos desta publicação. Recentemente, estudantes universitários queimaram seus exemplares em praça pública. Vamos seguir a moçada…


Marcos Vinícius on 13 outubro, 2009 at 11:49 #

Como diria o jornalista baiano Jadson Oliveira – que já “jogou a toalha” há muito tempo- quieta moço, quieta com esta porcaria de revista veja (com letra minúscula mesmo).


Flora on 13 outubro, 2009 at 12:58 #

Por que será q a Veja tornou-se a revista de maior circulação nacional? alguns meritos certamente ela tem. E quais teriam sido os estudantes que queimaram os seus exemplares? Os mesmos que vem se calando diante dos escandalos politicos q ocorrem no pais???


Marcos Vinícius on 13 outubro, 2009 at 14:06 #

Para sua informação, Flora : Foram estudantes de vários cursos da USP, blogs políticos repercutiram o ato.
A Globo também é líder de audiência no país, e pratica um jornalismo abaixo da média. Número de leitores e grande audiência não é sinonimo de bom jornalismo, em lugar algum do planeta.


Laura on 13 outubro, 2009 at 16:05 #

Não existem veículos de comunicação imparciais. Simplesmente porque são feitos por gente e gente NÃO é imparcial. Somos cultura, emoção, criação, meio, contexto histórico político, econômico e social. A Veja é parcial como a Istoé, a Carta Capital, o New York Times, a Globo, a Folha de São Paulo, o Jornal A Tarde e até este Bahia em Pauta. O problema não é a parcialidade, o problema é a censura.
Esse massacre com a Veja (por parte de muitos intelectuais, formadores de opinião, estudantes etc) talvez esteja diretamente relacionado com a atual situação política e a emergência de uma classe pseudo-esquerda lulista. Pois bem ainda bem que existe a Veja para limitar a euforia e mostrar os desmandos desse governo. Ainda bem que a Veja é a revista mais lida do país, mesmo não estando a serviço do governo federal. A Veja é feita por grandes jornalistas, o ilustre editor deste blog ja fez parte desta equipe e continua a ler a revista. Não podemos escolher uma única fonte; a unanimidade é burra… escolher um único veículo para se informar é insuficiente. A formação do cidadão exige espiríto crítico, o espiríto crítico é formado pelo acesso a diversos veículos de comunicação livres. Leio todas as revistas políticas de circulação semanal deste pais, bem como alguns sites-blogs e jornais online… não me guio por nenhum e as vezes me divirto com a forma diferente utilizada para retratar a mesma notícia … às vezes fico entediada qdo as notícias, em todos as fontes, estão idênticas… isto é sinal de que houve cópia. Quando investigamos e produzimos alguma coisa novas nuances sempre aparecem, afinal somos seres essencialmentes diferentes apesar de muito parecidos. Sem mais delongas… vida longa a Veja.


carlos volney de souza sampaio on 13 outubro, 2009 at 18:52 #

A VEJA não é apenas tendenciosa, é parcial mesmo. Chega a defender ardorosamente Daniel Dantas. Acho ótimo que critique, denuncie e até escandalize as mazelas do petismo. Agora, é mais do que indulgente quando se trata de coisas do “tucanato”. Para ela FHC é o maior estadista do Planeta. Não me surpreende, pois, sua agressão – para mim é agressão, sim – com a imortal Mercedes Sosa. De resto, Vitor Hugo, você é mestre. Você me faz lembrar do poeta (“se todos fossem iguais a você, que maravilha viver”!!).


Graça Azevedo on 14 outubro, 2009 at 18:02 #

A veja é uma revista sem compromisso com a seriedade. Até a parte dos assinantes é uma molequeira. Digo e provo. Empurraram a um leitor de 90 anos duas assinaturas da veja por dois anos! E não houve argumentação que fizesse a revistinha voltar atrás.


Wellington Andrade on 16 outubro, 2009 at 10:23 #

Sobvre o assunto0 postei alentado artigo no blog http://www.cidadaodomundo.org

A revista Veja parece ter perdido a mão, se é que podemos dizer assim, quando o assunto é tratar de mortos. Em certa medida isso ilustra bem a tese defendida por alguns sociólogos de que a cultura brasileira não lida bem com a morte, que nossa tradição judaico-cristã a morte se transmuta em silêncio e dor. E aqui uma contradição paralisante: mesmo sofrendo com a partida de uma pessoa não devemos nos sentir impedidos de celebrar, de colocar em alto relevo fatos importantes relacionados à vida de uma pessoa. Preguiça mental é o mesmo que falta de pesquisa, empenho sobre o assunto a ser publicado. Parece que Veja descuidou por completo a assertiva dando conta que não se faz um bom obituário sem os fatos da vida da pessoa. Redigir um obituário que se ponha de pé exige ir atrás, fazer entrevistas, conversar com parentes, entrevistar amigos. Há o precedente da excelência na arte de escrever obituários. Chamo de precedente por ser prática pioneira do New York Times, entrevistar o próprio obituariado, quando há tempo, quando se pega em vida. E essa prática do NYT remonta ao início dos anos 1960 e o objetivo desde então continua o mesmo: esclarecer ou conferir a exatidão de fatos obscuros sobre a vida do personagem. Obituário e, portanto, coisa séria e jamais deveria ocorrer de forma leviana ou inconseqüente como alguém que envia mensagem por twitter avisando a morte de alguém. Nesse ponto Veja e a linguagem twitter convergem quando se trata de Mercedes Sosa – 140 caracteres no máximo, nem mais, nem menos.
Nos países anglo-saxões os obituários de jornais e revistas são, em geral, reconhecidos como os textos mais bem escritos do jornalismo. Estudiosos de jornalismo já ouviram falar de jornalistas como Robert McG e Alden Whitman, conhecido como Mr. Bad News e imortalizado por Gay Talese no livro “Aos Olhos da multidão”. McG e Whitman ficaram conhecidos por terem um texto saboroso, que os aproxima muito do jornalismo literário, embora trate sempre da morte e, de alguma forma, renda tributo à tristeza ou ao início de uma saudade sem fim. Qual o critério adotado para selecionar as pessoas que estarão no obituário? Embora trate da passagem desse para o outro mundo a seleção de pessoas para este espaço é bem simples: tenha morrido recentemente, a pessoa ter uma história interessante de vida e se não houver algo interessante a uma primeira vista tenta-se descobrir algo ainda não conhecido.
Veja em sua última edição (2134, 14/10/ 2009) publicou em sua seção Datas dois obituários, se é que assim podemos chamar, ao menos, um deles. O primeiro foi sobre o fotógrafo Irving Penn, famoso por seu trabalho na revista Vogue. Já o segundo por ser tão curto e oco mereceria uma pausada reflexão. Não vale o esforço em buscar palavras para falar do obituário de Mercedes Sosa no filtro de Veja. Prefiro transcrevê-lo in totum. Lá vai: “Mercedes Sosa, a cantora do bumbo argentina. Dia 4, aos 74 anos, de doenças associadas ao subdesenvolvimento latino-americano, como o mal de Chagas, em Buenos Aires.” Mais burocrático? Impossível. Faltou apenas aquele contumaz acerto de palavras utilizado à larga em termo de declarações junto à autoridade policial: “E mais não disse; nem lhe foi perguntado”.


walker on 21 outubro, 2009 at 9:03 #

A Veja comprovou a sua falta de seriedade ao não dar o merecido destaque para uma figura conhecida como Mercedes Soza.Independentemente da posição ideológica da cantora,Veja deveria dar a notícia de um modo,no mínimo,profissional.Porém Veja tornou-se um fanzine e mesmo o mais parvo dos leitores sabe disso.Veja não noticia,Veja forma opinião,e muitas vezes de forma errada.Não estou defendendo esta ou aquela ideologia,mas sim a seriedade na divulgação de informações.Outrossim,quando os colunistas de Veja resolvem lançar um livro,a crítica dos mesmos é absurdamente favorável,Lia Luft parece ser maior que Virginia Woolf ou Simone de Beauvoir e Mainardi melhor que Joyce.Não têm a decência de criticar realmente seus próprios colaboradores,por ser uma revista feita por péssimos jornalistas,péssimos editores e,infelizmente,péssimos assinantes,que se dignam a uma informação viciada,preconceituosa e covarde.O pior capítulo de Veja:a moça negra que saiu na capa como o símbolo do eleitor do PT.Será que os negros gostaram.Será que todas as moças negras votaram no PT??? Horrível!


Thiago on 10 setembro, 2012 at 2:57 #

Como diz na própria canção de Mercedes (Solo le pido a dios):
“Eu só peço a Deus
Que a mentira não me seja indiferente
Se um só traidor tem mais poder que um povo
Que este povo não esqueça facilmente.”


Adão on 7 dezembro, 2013 at 13:50 #

Não tinha conhecimento sobre “quem foi Mercedes Sosa” e quando ouvi há pouco tempo por acaso algo na internet sobre sua morte, pesquisei a ver de quem se tratava e pena que já faleceu. Foi realmente uma grande guerreira. Lamentável a atitude da revista Veja!


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