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Postado em 10-10-2009
Arquivado em (Artigos, Eventuais) por vitor em 10-10-2009 19:52

Patrick Brock: no Haiti
Patrick
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Bahia em Pauta estende neste sábado, 10, reluzente tapete vermelho para receber direto de Nova Iorque o jornalista Patrick Brock como seu mais novo colaborador.Ex-intergrante da editoria Internacional, do jornal A TARDE, Partrick sempre se destacou como um dos mais brilhantes repórteres de sua geração na Bahia, além de contista de texto criativo, fora do trivial e sempre intrigante.

Inquieto, olhar atento e cabeça antenada, Patrick detesta acomodamento e gosta do risco no trabalho jornalístico, como o que o levou um dia a se ver metido nas ruas e favelas do Haiti em conflito. Há mais de três anos mora em Nova Iorque, onde começou trabalhando no Wall Street Journal, biblia da economia americana. Agora é copidesque e tradutor e faz mestrado na CUNY. Em seu primeiro texto para BP ele encara um tema candente, polêmico e atual: O Nobel de Obama e a o dilema americano no Afeganistão.

Uma honra tê-lo agora neste site-blog baiano de sonhos cosmopolitas.

Chega mais Patrick!

(Vitor Hugo Soares )

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Afeganistão: tragédia se alastra
Afegão

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OPINIÃO / MUNDO

A hora de Obama

Patrick Brock

A batalha no Campo Keating começou na sexta-feira, uma semana antes de o presidente americano Barack Obama ser agraciado com o Prêmio Nobel da Paz. Até 350 rebeldes atacaram a pequena base, que fica aos pés de duas montanhas na Província do Nuristão, na fronteira com o Paquistão. Os rebeldes usaram as montanhas para atacá-la com lança-foguetes e artilharia, provocando um incêndio. Encurraladas, as tropas tiveram de pedir reforço aéreo. Chad Bardwell, natural de Liman, no Estado de Wyoming, pilotou um dos helicópteros Apache envolvidos na batalha e disse a uma repórter da rede ABC News que ficou chocado quando chegou ao local e viu a maior parte da base em chamas, com insurgentes ultrapassando o perímetro de proteção. Os americanos finalmente abandonaram a base no domingo passado, após contabilizar 8 mortos e 24 feridos. Entre os insurgentes, de 100 a 150 mortos, disse um porta-voz do Exército americano. Siga este link
(http://abcnews.go.com/video/playerIndex?id=8758970) para ver imagens da batalha feitas pela ABC News.

Não foi divulgado o número exato de soldados americanos em Keating, mas já estava acertado que a base seria abandonada, de acordo com a estratégia do general Stanley A. McChrystal, escolhido por Obama para comandar a guerra no Afeganistão. Diante da escalada de ataques rebeldes e a instabilidade nas cidades, McChrystal optou por abandonar as áreas mais remotas do país e se concentrar em garantir a segurança das cidades. Difícil de ignorar o paralelo com a guerra do Vietnã nos anos 70. O relatório confidencial de McChrystal para o presidente sobre a guerra no Afeganistão vazou no “New York Times”, no melhor estilo “Pentagon Papers”, e não é nada animador. O general disse que a coalizão pode perder o controle do país se não enviar pelo menos mais 40.000 soldados.

Enquanto isso, no Reino Unido, na Itália e nos EUA, continuam a chegar os caixões embalados em bandeiras. O presidente americano tentou mostrar humildade ao aceitar o prêmio, mas a situação da guerra no Afeganistão pode forçá-lo a sacrificar mais vidas no conflito. Diante do número crescente de mortos e a perda de territórios para os guerreiros do Talibã, e do fracasso das eleições, claramente fraudadas pelo governo do atual presidente, Hamid Karzai, ultimamente o único sucesso americano em sua incursão militar na região tem sido os ataques com aviões teleguiados contra líderes rebeldes.

Obama foi indicado para o Nobel 12 dias depois de eleito. O arcebispo da África do Sul, Desmond Tutu, ele próprio agraciado com o prêmio em 1984, disse que a decisão do comitê em Oslo mostra que se espera grandes feitos de Obama, e reconhece seus esforços de tentar dialogar com o mundo árabe depois de anos de hostilidade durante o governo de George W. Bush. Já o líder sindical e ex-presidente da Polônia Lech Walesa disse que foi cedo demais. “Ele não fez nenhuma contribuição até agora. Só agora começou a agir”. Walesa ganhou o prêmio em 1983. Talvez o comentário mais significativo do dilema enfrentado por Obama, que chegou ao poder com uma mensagem restauradora de esperança e diálogo, seja o comentário do porta-voz do Talibã, Qari Yousef Ahmadi: “Obama só fez aumentar a guerra. Suas mãos estão sujas com o sangue do povo afegão”. Chegou a hora de Obama mostrar que não é só carisma e fazer merecer a honra de ser escolhido como um símbolo da paz, encontrando a solução para acabar com mais essa herança sangrenta da era Bush.

Patrick Brock
, 30 anos, trabalha há três anos como copidesque e tradutor em Nova York e faz mestrado em Literatura Inglesa na CUNY.

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Comentários

Jamie Holts on 10 outubro, 2009 at 20:00 #

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Jamie Holts on 10 outubro, 2009 at 20:10 #

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Jamie Holts on 10 outubro, 2009 at 20:43 #

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Jamie Holts on 10 outubro, 2009 at 20:46 #

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rosane on 11 outubro, 2009 at 0:33 #

Aqui na regiao de Boston, entre os americanos mais intelectualizados ha um sentimento de descrédito e vergonha com a premiacao de Obama. Parecem endossar a afirmação do Times, de Londres, que bradou:”ABSURDO”. Tudo isso e muito ridiculo, inclusive, a informacão de um dos membros da academia sueca que disse nao ter avisado a Obama na madrugada, para nao acordá-lo. Ora, nao precisava, porque sua excelência ja sabia de há muito … Aliás, Mr. Obama e muito parecido com o tipo de politico que condena em “The Audacity of Hope”, com uma diferença que e uma celebridade, porque vivemos num tempo de celebridades, fenomeno proprio da globalizacao, como diz o sociólogo ingles Anthony Giddens. Nao cumpriu nada ate o presente momento e a economia americana esta cada vez mais em parafuso, gasolina em baixa, universidades privadas em crise, comércio às moscas, desemprego em massa enquanto Mr. Obama pensa na proxima pirotecnia na tentativa de criar uma especie de meta realidade. O tempo esta ficando curto. O marxismo ja falou sobre o papel da economia na história, dispensável, portanto, maiores comentarios.


Aparecida Torneros on 11 outubro, 2009 at 7:01 #

Ótimo artigo, parabéns ao BP, ao Patrick e ao Vitor. Um Nobel traz sempre o estigma da reverência, e embutida nela, o reconhecimento de trabalho “feito”. Talvez o mérito maior do Obama tenha sido o “tsunami” de esperança que provocou na humanidade ocidental, e a representatividade “marketeira” e oportuna em que os gestores do Prêmio Nobel parecem ter embarcado. É como se fosse a concessão de crédito a um líder em cujas costas pesa o desafio de reverter um quadro perverso tão bem descrito neste texto. Vamos torcer pelo melhor, afinal, a era Obama está apenas começando e ele ficou tão surpreso quanto todos nós, com a premiação, o que lhe impõe maior responsabilidade nas negociações e atitudes tomadas em busca da conquista real, efetiva, necessária, possível e até “mágica”, da tão sonhada PAZ mundial!
Cida Torneros


Olivia on 11 outubro, 2009 at 11:41 #

Muito bom contar com os textos de Patrick neste Bahia em Pauta, bela aquisição. A Bahia, como sempre, perdendo valorosos jornalistas que por aqui passaram, uma pena.


Gilson Jorge on 11 outubro, 2009 at 18:30 #

Olá, Vitor. Parabenizo-o pelo site, que visito com frequencia, e por essa bela colaboração de Patrick. Vida longa ao Bahia em Pauta!


Vitor Hugo on 11 outubro, 2009 at 23:08 #

Olá, Gilson

Bahia em Pauta agradece e fica muito feliz por sua presença por estas bandas do BP. Mais um milagre de Patrick, além do belo texto. Agora falta o seu.
Aviso do editor: temos um tapete vermelho novinho para quando você decidir chegar mais. Grande abraço


Gélio on 13 outubro, 2009 at 0:45 #

Ótimo artigo. Muito bem escrito e objetivo. Parabéns ao Bahia em Pauta por passar a contar com um colaborador competente como o Patrick.


Gélio Luiz Barreto Barbosa on 15 outubro, 2009 at 21:02 #

Patrick, excelente artigo!
Fico feliz em ver seu progresso e a excelente qualidade da matéria.
Forte abraço e muito sucesso!


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