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Postado em 09-10-2009
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 09-10-2009 23:18

Deu no New York Times e na UOL:

A crise é grave na mais conceituada universidade dos Estados Unidos, que aperta o cinto e corta gastos para sobreviver com dignidade e sem perder o prestígio que a tornou famosa no mundo inteiro. Confira o texto a seguir, publicado no NYT e traduzido pelo portal da UOL. Confira. (VHS)

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Fachada da biblioteca de Harvard
uHARVARD
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Não há mais café da manhã quente na maioria dos dormitórios e nem os doces na Biblioteca Widener. Os atletas universitários não mais recebem agasalhos gratuitos, e nesta semana foi dada a notícia chocante de que os professores terão que se virar sem os cookies nas reuniões do corpo docente.

Segundo os padrões de Harvard, estes são tempos difíceis. Não tempos difíceis dickensianos, talvez, mas com uma queda de quase 30% no valor de seu fundo, a universidade mais rica do mundo está aprendendo a viver com menos.

A Faculdade de Artes e Ciências, a maior divisão de Harvard, cortou cerca de US$ 75 milhões de seu orçamento nos últimos meses e está planejando mais. Com os cortes se estendendo além de congelamentos salariais e de contratação até medidas que afetam o que os estudantes comem, onde estudam e outras partes de sua rotina diária, a euforia do outono em Harvard está atenuada. A Faculdade de Artes e Ciências antecipa um déficit de US$ 130 milhões ao longo dos próximos dois anos e está aguardando recomendações de grupos do corpo docente e estudantis que estão discretamente pesando as opções.

“Todos estão preocupados”, disse George Hayward, um calouro que mora em uma parte do campus, o Quad, cujos cortes fizeram com que perdesse sua biblioteca. “Qualquer coisa pode acontecer a seguir; ninguém realmente sabe o que vai acontecer.”

Harvard não é a única escola de elite onde a vida dos estudantes está mais austera neste semestre: Princeton fechou alguns de seus laboratórios de informática e dois de seus refeitórios nos fins de semana. Na Universidade de Stanford, o Festa do Mausoléu anual, um encontro de Halloween no local onde se encontra enterrada a família Stanford, perdeu US$ 14 mil em fundos devido aos cortes orçamentários e deve ser cancelada.
OVOS MEXIDOS
Mas muitos aqui presumiam que a vida estudantil em Harvard, mais do que qualquer outra instituição, estava imune às dificuldades. A perda dos ovos mexidos, bacon e outros alimentos preparados no café da manhã nos dormitórios da elite nos dias úteis parece ter provocado a maior ira.

“Os estudantes geralmente sentem que se eles vêm para Harvard, pelo que estão pagando, provavelmente teriam o direito a um café da manhã quente”, disse Andrea Flores, uma bacharelanda que é presidente do Conselho Estudantil. “Eles querem preservar as coisas que existem em Harvard e que não existem em nenhum outro lugar.”

Alguns estudantes sentem os cortes mais que outros. Hayward disse que aqueles que vivem no Quad, a 15 minutos de caminhada do Harvard Yard, foram afetados desproporcionalmente porque a biblioteca de lá foi fechada e o serviço de ônibus para o campus central foi reduzido. (Os moradores do Quad já são sensíveis; ser designado para aquela parte do campus é o pesadelo de muitos estudantes.)

Os atletas universitários também sofreram mais do que a maioria, disse Johnny Bowman, um calouro que está monitorando os cortes para o Conselho Estudantil, porque eram os maiores consumidores do café da manhã quente.
UM GRANDE CHOQUE
“Foi um grande choque”, disse Bowman. “Os atletas estavam acostumados a voltar do treino matinal e receber seus nutrientes – uma refeição sólida.”

Além dessa perda, algumas equipes se veem dividindo o espaço no Centro Atlético Malkin porque ele fecha mais cedo nas noites dos dias úteis. Khoa Tran, presidente do tae kwon do de Harvard, disse ao “The Harvard Crimson” que sua equipe teria que dividir o espaço de treino com a equipe de dança – e que não estava certo a respeito do que esperar.

“Será uma mistura interessante, porque eles estarão tocando dance music enquanto fazemos nossas rotinas”, ele disse ao jornal. “Nós gritamos toda vez que chutamos… e nós chutamos muito.”

O fundo de Harvard tinha US$ 26 bilhões em junho de 2009, em comparação a US$ 36,9 bilhões em junho de 2008, que representa uma redução de 27%. A perda é especialmente dura para a Faculdade de Artes e Ciências, que inclui Faculdade de Harvard, a Escola de Doutorado de Artes e Ciências e a Escola de Engenharia, porque o fundo fornece metade de seu orçamento.

Apesar dos empregos do corpo docente estarem protegidos até o momento, a universidade demitiu 250 funcionários neste ano, disse Jeff Neal, um porta-voz de Harvard. Ele disse que era cedo demais para saber se futuros cortes afetariam os estudantes.

“Nós estamos trabalhando arduamente para minimizar o impacto da crise financeira global em qualquer aspecto substantivo da vida estudantil”, ele disse em um e-mail.

Flores disse que após excluir os alunos das conversações a respeito do que cortar no primeiro semestre, a administração agora está buscando a opinião deles. A administração descartou um plano para desativar o serviço de transporte à 1h30 da manhã em vez das 3h45 após um protesto dos estudantes, ela disse, apesar de ter cortado o serviço nas manhãs dos fins de semana.

A Faculdade de Artes e Ciências também iniciou um “banco de ideias” online, onde os estudantes podem submeter propostas para corte de despesas. As 170 propostas até o momento incluem a cobrança para que grupos turísticos entrem em Harvard e que os estudantes limpem seus próprios banheiros em vez de pagarem outros estudantes para fazê-lo, como parte de um programa de trabalho.

“Nós entendemos que temos que abrir mão de algo”, disse Flores. “Mas os estudantes querem ter o direito de opinar a respeito do que estão dispostos a ceder e o que desejam proteger. Enquanto isso fizer parte da discussão, eu acho que o processo poderá transcorrer pacificamente.”

(Tradução: George El Khouri Andolfato )

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Comentários

rosane on 11 outubro, 2009 at 19:39 #

Qual o papel de uma universidade? Esta deveria ser a primeira pergunta a ser respondida, pela reportagem do The New YorK Times, antes de falar em crise na Harvard. Sim, porque medir a crise de uma universidade pelo corte do cafe da manha ou pela redução deste ou daquele espaço, numa instituição que ocupa quase toda a cidade de Cambridge, com luxuosas instalações, salões, cinemas, bibliotecas (quase uma centena), livrarias, teatro etc. que, mesmo perdendo muito, ainda possui um fundo de 26 bilhões de dólares é querer forçar a barra demais. Harvard, como toda grande universidade possui um patrimônio imaterial (intelectual) que nao tem preco e que, em momento de crise, é fundamental para apontar caminhos e soluções, através da ciência e da tecnologia. É la que empresas, governos etc vão buscar, pagando caro, é claro, estudos, saídas para a economia, saude etc. etc. Para falarmos em crise em Harvard, teríamos que discutir, por exemplo, se os cortes afetam áreas fundamentais da pesquisa. Mas, falar em corte de cafezinho que incomodou um grupo de estudantes, é assunto que nao pode ser levado a serio (nem esses estudantes). Harvard é um espaço efervescente de inteligência, de cultura, de ciência. O ensino, nos quase três anos que la estou, apredendo o inglês academico, tem sido mais e mais aprimorado, seja na metodologia, seja nos recursos ténicos disponíveis em sala de sala, inimagináveis. Imaginem salas e salas com computadores (microsoft e Machintosh), projetores, impressoras etc. e impressoras, de ultima geração, para uso livre por estudantes…Imagine o cinema que passa os lançamentos do mercado, imagine palestras com especialistas, autores de livros, cientistas, imaginem material didático em sala de aula, totalmente gratuito e individualizado, do mais alto nível (conteúdo). Nao sou da turma do cafezinho, porque la não estou hospedada. Mas, sinceramente, nao vejo nenhum sinal de que a altissima qualidade de ensino (e põe superlativo nisso) esteja sendo afetada.


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