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Postado em 29-09-2009
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 29-09-2009 11:39

Polanski: defesa na Europa
rpolanski
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Deu no jornal:

Enquanto na América Latina recrudesce o debate político em torno da volta do fantasma do golpismo no continente, a partir da deposição violenta do presidente eleito democraticamente Manuel Zelaya do governo da Honduras, e o agravamento da situação com o seu retorno surpreendente para abrigar-se na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, na Europa é um crime comum, envolvendo o cineasta Roman Polanski, que mobiliza opiniões e sentimentos antagônicos.

Em reportagem opinativa publicada em sua edição desta terça-feira, o Público, influente jornal de Portugal, assinala: Um crime com 32 anos e muitas histórias judiciais e pessoais mal contadas cruzam-se numa quase luta diplomática entre o Velho e o Novo Mundo.

“O realizador de “O Pianista” e “A Semente do Mal” foi preso no sábado e arrisca-se à extradição para os EUA, de onde fugiu em 1978 depois de ter mantido relações sexuais com uma menina de 13 anos. Ela perdoou-o. E nós?”, pergunta o diário de Lisboa. Veja a seguir, no Bahia em Pauta, trechos da reportagem sobre o assunto que domina a mídia europeia:

(Vitor Hugo Soares)
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Joana Amaral Cardoso

“A história tem os contornos de qualquer detenção de uma celebridade particularmente amada e detestada, sobretudo quando envolve um crime sexual com menores. Tal como aconteceu com Winona Ryder ou Michael Jackson, do embate de Polanski com a justiça já resultou um ícone do consumismo na cultura pop. É verdade, elas aí estão – as t-shirts (camisetas) “Free Roman Polanski”( Leberdade para Polanski) já emergiram na Internet e estão à venda por preços entre os 10 e os 22 dólares. É o preço a pagar por uma história com 30 anos de sexo, mentiras e vídeo.

Há já muitos dispostos a vestir a camisola da causa “Libertem Polanski”. Amigos, admiradores, artistas, nomes de todo o mundo estão mobilizando-se. Barbet Schroeder, Costa-Gavras, Wong Kar-wai, Fanny Ardant, Ettore Scola, Giuseppe Tornatore e Monica Bellucci são alguns dos cerca de 70 signatários célebres da petição que exige a libertação imediata de Polanski e que contestam a “armadilha policial” que o apanhou.

Roman Polanski foi detido no sábado à noite em Zurique, vai ser homenageado com um prémio de carreira no festival de cinema da cidade. Já passou três noites na prisão por um crime cometido e admitido há 32 anos. E cuja vítima abdicou da queixa. Polanski teve relações sexuais com uma menina de 13 anos em 1977. O crime é público, pelo que a acusação e o mandado de captura se mantêm. A Suíça tem acordo de extradição com os EUA e desta vez sabia onde encontrar Polanski.

O realizador de “Chinatown” e “O Pianista” (que lhe valeu um Óscar, recebido em 2003 por Harrison Ford pela impossibilidade de Polanski viajar até aos EUA devido ao mandado de captura) agradece a todos os que têm manifestado o seu apoio após a sua detenção. E, segundo o seu agente Jeff Berg, mantém o ânimo. “A voz dele é forte… está muito ansioso para resolver isto e ir para casa”, disse Berg à BBC Radio 4.

Ontem, os advogados do realizador de 76 anos rejeitaram o pedido de extradição para os EUA. “Tendo em conta as circunstâncias extravagantes da sua detenção, o seu advogado suíço solicitará que ele seja posto em liberdade sem demora”, disse ontem o advogado Hervé Temime em comunicado, citado pela AFP. “A sua defesa sustentará a ilegalidade do pedido de extradição de que ele é alvo.” Em causa estará a possível prescrição do caso, defendem os advogados do realizador.

Europa vs EUA

Vários países europeus saíram já em defesa de Polanski e ao ataque não só dos EUA, mas também da Suíça. A organização do Festival de Zurique está estupefacta com a detenção do realizador, presença habitual na Suíça – onde, aliás, tem uma casa, em Gstaad, na qual passou o Verão. A Associação Suíça de Realizadores critica “o escândalo jurídico que danificará a reputação” do país da neutralidade, do sigilo bancário, das estâncias de esqui e dos chocolates.

A imprensa suíça refletia ontem o que dizia ser o mal-estar causado no país pela emboscada ao realizador de O Quê? “Vergonha”, “desgaste na imagem”, afronta à Polónia e à França (países que partilham a filiação de Polanski), “choque aos cinéfilos e aos amigos das artes”, “ridículo”, lê-se nos editoriais.

E as críticas continuam, ao mais alto nível: “Abominável”, categorizou o ministro francês da Cultura, Frédéric Mitterrand; “chocante”, lamentou a directora-geral da UNESCO, a búlgara Irina Bokova. Entretanto, o chefe da diplomacia francesa, Bernard Kouchner, e o seu homólogo polaco, Radoslaw Sikorski, escreveram à secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, pedindo a libertação do cineasta. A justiça americana dispõe de 40 dias para pedir oficialmente a extradição, com um prazo extra de 20 dias. E Polanski pode recorrer em qualquer fase do processo.

Regresso a 77

Mas voltemos a 1977. No dia 10 de Março, uma jovem de 13 anos, Samantha Gailey (hoje de apelido Geimer, mãe de três filhos), participava numa sessão fotográfica para a Vogue. Por trás da câmara estava Roman Polanski e o cenário era a casa de Jack Nicholson. A sessão foi autorizada pela mãe de Samantha, que queria ver a filha ser uma estrela. A dada altura, o champanhe e os analgésicos entraram em cena. Polanski argumentaria que o sexo entre os dois teria sido consensual, Samantha nega.

“Eu disse: ‘Não, não! Não quero ir para ali! Não, não quero fazer isto! Não!’, e depois não sabia o que fazer. Estávamos sozinhos e eu não sabia o que aconteceria se eu fizesse uma cena. Estava com medo e, depois de resistir um pouco, pensei, bom, a seguir posso ir para casa”, disse Geimer numa entrevista, recuperada ontem pelo Times. Dia 15 de Abril começava o processo judicial por violação de menor, apresentado pelos pais de Samantha. Polanski declara-se inocente.

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Leia a íntegra da reportagem sobre o caso na edição on-lina do jornal Público , de Lisboa:
( http://ipsilon.publico.pt)

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