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Postado em 25-09-2009
Arquivado em (Aparecida, Artigos) por vitor em 25-09-2009 13:39


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CRÔNICA / SONHOS

A NOVELA E PARIS

Aparecida Torneros

As cenas se passam na escadaria da Catedral de Montmatre, o casal protagonista da novela das oito, em lua de mel, observa Paris do alto da colina.

Enquanto trocam carinhos, fazem promessas de amor, já que a vida nos é passada em sua eterna novela, e vivê-la é sonhar, é rodar um filme, é projetar desejos, é aspirar felizes momentos e imortais realizações.

Paris tem essa propriedade: exacerba a capacidade humana de sonharmos acordados, impõe felicidade aos olhares, indica êxtases, convida a experimentarmos o que antes nos pareceria improvável. Paris nos permite o proibido, nos incita ao que é misterioso, tem em sua aura de luminosidade, o segredo dos grandes amores, Paris é a festa dos corações, é o berço das paixões arrebatadoras, Paris é sempre Paris.

Ali, quem não ousa esperar o gênio da lâmpada que, a qualquer momento nos brindará com a imagem de uma obra de arte, ou com a canção das ruas, com a boemia dos insones ou com o cântico dos enluarados. Paris tem sabor de vida vivida, realmente, naquela cidade, um conjunto de fatores concorre para que o mundo se ajoelhe e agradeça.

E quem não se intimida pela paisagem dos barcos que singram as águas do rio Sena, enquanto o mundo gira ao seu redor? E o centro do universo se resume a um toque de mãos nalguma cintura, ou ao abraço manso de um casal que planta a semente do amanhã, antevendo filhos e netos, criando situações de futuro, ao mesmo tempo em que o presente os invade com sofreguidão.

Assim é Paris, intensa e repleta, infestada de turistas, circulante com sua população nativa e seus imigrantes sazonais, irreverente nas suas calçadas de cafés e gente sentada a ler e conversar. Paris parece não ter pressa, e, no entanto ela corre através do tempo perpetuando sentimentos, explodindo em shows noturnos, acariciando lembranças, organizando memórias, superando-se.

Paris alucina? Alguém já disse. Paris é uma festa? É público e notório o seu contentamento onde se festeja a vida e a luxúria, o prazer e o luxo, o amor e a alegria. Paris está em chamas? Constantemente, historicamente, socialmente, e até, ideologicamente.

Paris não sai de moda. Paris não se cansa de provocar sonhos nas pessoas de todos os cantos do mundo que a ela vão pedir a bênção dos deuses da fantasia. Em Paris, toma-se o elixir da inquietação para se curar a ressaca de qualquer embriaguez, principalmente daquela que corresponde à viagem entorpecente que a cidade oferece.

Nada mais justo que uma novela, como já se viu em tantos livros e filmes, mostrar um casal em lua de mel no coração de Paris. É que o amor vivido em Paris é símbolo de encontro eterno, como eternos são os sonhos humanos que atravessam gerações aquecendo as almas, ou melhor, iluminando-as, tendo como fundo a Torre Eifel e como moldura, o céu parisiense.

Só me cabe lembrar que em Paris deixei um inesquecível olhar preso no horizonte, e lá, voltarei para desvendar o alcance da minha mirada, a cada manhã de primavera, ao lado de quem é capaz de me fazer ampliar minha visão do mundo.

Cida Torneros, escritora e jornalista, mora no Rio de Janeiro, onde edita o site A Mulher Necessária (http://blogdamulhernecessaria.blogspot.com)

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Comentários

Gilson Nogueira on 25 setembro, 2009 at 15:07 #

Cida cidadã sideralmente linda no seu jeito de sentir e de dizer coisas tão belas, seus textos, invariavelmente impregnados de poesia, são daqueles que fazem quem os lê tê-los carinhosamente guardados na memória, independentemente de mantê-los, arquivados, nas pastas cibernéticas, prevendo a eles retornar e, desse modo, voltar a sorrir. Por conta de mais uma “viagem” sua a Paris, em suas crônicas, como esta, sinto-me, de corpo e alma na Cidade Luz desfrutando suas belezas, seus mistérios, sua atmosfera impregnada de história e paixão. Quem dera, nobre escritora, competente jornalista, colaboradora, como eu, deste site-blogosférico do ilustre Vitor Hugo Soares, que o mundo inteiro pensasse Paris 24 horas, direto,sem fechar, e que a França, no que ela tem de melhor, como o seu perfume, mais que aviões de caça, buscasse fornecer, de graça, pacotes para quem precisa clarear a mente e entender que a liberdade, a igualdade e a fraternidade são esssenciais para encantar as pessoas. Vamos sonhar. Parabéns, Cida Torneros!


Cida Torneros on 25 setembro, 2009 at 17:12 #

Vamos sonhar, sim, sonhemos, pois!

Caríssimo Gilson, de quem recebo tão expressivo carinho, e a quem devo tantas reflexões que me chegam através dos seus esmerados textos publicados no site Bahia em Pauta, onde me cabe constantemente, encontrá-lo, em dias de júbilo, momentos de boa crítica e bom jornalismo.
O que aproxima as pessoas, meu amigo, muitas vezes, além das cidades, bem aquém dos países e talvez na dimensão do além-túmulo, é justamente o enredo dos seus sonhos… todos sonham em maior ou menor escala, em todos os lugares do mundo.
Pois foi sonhando que a humanidade construiu civilizações e é a partir de pesadelos que se ousa destruir os sonhos dos povos, com as guerras, com o terrorismo, com a opressão e o totalitarismo.
Benditos somos nós que sonhamos, sempre, com melhores dias para as pessoas que habitam o planeta, para os casais que se apaixonam, para os meninos que nascem, para as meninas que descobrem sua feminilidade e para os comandados que observam com isenção as ordens dos seus comandantes. Se meus textos contém poesia, é porque a vida os inspira, apesar dos pesares, há um arco-íris teimoso surgindo após cada tempestade, e crianças ainda sorriem mesmo imersas na pobreza ou abandonadas nas ruas.
Obrigada, Gilson, mas o espaço do amor é o mesmo da vida, não há como separar os dois lados da mesma moeda. Se , entretanto, carrego nas tintas e exacerbo com teor poético minha prosa, saiba que sintonizo leitores como você, capto seus sentidos amenos, repercuto a alma que é macia, dos que seguem crendo que acima dos negócios e das políticas rasteiras, há um inquestionável patrimônio afetivo capaz de universalizar a linguagem humana, e este se chama emoção.
beijo
Cida Torneros


Mariana Soares on 25 setembro, 2009 at 17:14 #

Queridos Cida e Gilson, permitam-me chamá-los assim, pois é assim que estou me sentindo em relação a vocês – próxima – neste momento pós leitura desta magnífica crônica e comentário idem. Vocês consiguiram descrever, com inigualável precisão, os sentimentos que nos correm nas veias, na alma, no corpo e no coração, quando andamos por Paris, especialmente quando acompanhados de um grande amor, e tudo o mais sobre os cheiros que aquela cidade exala e produz de forma ímpar, sobre liberdade, fraternidade e igualdade que sua história nos ensinou…Enfim, vocês iluminaram a Paris que mora dentro de mim nesta linda tarde de sexta-feira em pleno Planalto Central do País!!! Muito obrigada por esta viagem! Parabéns! Vocês são show de bola!


regina on 25 setembro, 2009 at 23:48 #

Beleza, amor, luz e Paris andam de maos dadas.
Uno-me ao trio tao querido da ja nossa Bahia em Pauta, pois em se tratando de reconhecer o que eh belo e doce nao posso ficar de fora ainda mais quando se fala de Paris, amor enrustido que vai se materializar “soon”, so estou esperando o momento e a pessoa certa para marcar esse encontro.
Falando da novela, no entanto, so indo a Paris para ver se acende o fogo desse casal que esta pra la de congelado….


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