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Postado em 23-09-2009
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 23-09-2009 23:47

O texto a seguir, sobre a Casa Côr da Bahia 2009, de Bernardo Almeida, foi garimpado no site do autor por Glauvânia Jansen, que há anos comanda a Caminhada da Lua, em Itapoã. Leitora e colaboradora deste Bahia em Pauta, ela nos mandou uma cópia do artigo por e-mail acompanhado de um recado: “gostei do texto e repasso para você”. Resposta: nós também gostamos, Glau, e o repassamos agora aos nossos leitores, com agradecimentos a você e a Bernardo.
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Casa Côr Bahia: “excesso dos excessos”
cavalo

Deu no site
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OPINIÃO / TENDÊNCIAS

Casa Cor de 15ª categoria

Bernardo Almeida

Com quase todos os ambientes decorados em torno de um aparelho de televisão de plasma ou de cristal líquido (LCD), mirrada criatividade e muita cafonice, a Casa Cor Bahia 2009 está deveras distante de ser uma representante fiel do slogan que ostenta “A Marca do Bom Gosto”.

Sem sombra de dúvidas, a pior edição que já freqüentei aqui na Bahia. Sob o tema Sustentabilidade, 52 profissionais – provavelmente indicados pelos “Antigos e Novos Donos da Bahia” – assinam 37 ambientes que são de uma raridade cômica.

Nem de maneira sofrível conseguem atingir o objetivo de apresentar ao público local as tendências nas áreas de arquitetura, design de interiores e paisagismo no Brasil e demais países do globo.

Em meio a tanta breguice, coroada pelo excesso do excesso do excesso, chamou-me à atenção um descomunal cavalo preto situado em um dos ambientes, cuja função, além de chocar, era de servir como abajur. Curiosamente, a lâmpada ficava sobre a cabeça do equino, conferindo luz ao animal, dando-o a iluminação que o arquiteto não teve no momento de compor aquele desastre.

Na tentativa de prestar uma homenagem, também acabaram por desprestigiar o profícuo e magistral artista plástico e paisagista paulistano Roberto Burle Marx. “Tirem meu nome daí, vocês não entenderam nada”, vocifera seu esqueleto na tumba.

Mas, o pior mesmo ficou a cargo do novo empreendimento da JCG, o Solaire, cujas obras começarão logo após o término do evento. O Solaire será erigido sobre as ruínas da residência que abriga a Casa Cor, na Ladeira da Barra. Demolirão um lindo e antigo casarão, instalado numa área de mais de dois mil metros quadrados, para dar lugar a uma torre com estética de prédio de COHAB – claro, com as devidas adequações à classe econômica a qual o empreendimento se dirige. A fealdade e a cretinice oriundas da mão e do intelecto dos mentores desse projeto serão minimizadas, ao menos parcialmente, por conta da existência da Baía de Todos os Santos.

Realmente, é uma grande hipocrisia falar em sustentabilidade na décima quinta edição da Casa Cor Bahia. Trata-se de mais uma estratégia para escamotear as investidas agressivas desses gigantes acéfalos movidos à grana que odeiam a nossa cidade, e que por isso mesmo querem transformá-la em outra, completamente distorcida da idéia que Salvador representa para seus admiradores mundo afora. Sustentabilidade? Eu bem entendi. É a velha tática: esconder o lobo sob a pele de um cordeiro.

Um brinde à brega chique elite nossa – composta por caboclos com nomes ingleses e franceses – que substitui violentamente a cultura local por qualquer lixo que surja como “a grande tendência já consagrada internacionalmente”. Haja subjugação, degenerescência e sentimento de inferioridade cultural.

Bernardo Almeida
www.bernardoalmeida.jor.br

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Comentários

Candido Schwartz on 5 outubro, 2009 at 11:15 #

Concordo plenamento com o autor do texto. Estou surpreso com a decadência do evento e com a falta de cuidado dos organizadores ao eleger tanta incompetência para gerir o visual dos espaços. Uma cafonice vergonhosa.


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