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“Caramuru Beach”: apócrifo e megalômano
caramuru

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“Bomba! Bomba!”, diria o colunista Ibrahim Sued, o que costumava lembrar o ditado que lembra a desavisados: “cavalo não sobe escada”.

Vamos ao fato, um dos mais relevantes da semana, levantado pela revista digital Terra Magazine: “A prefeitura de Salvador enfrentará barreiras judiciais para construir shoppngs, espigões empresariais e marinas na orla da Baia de Todos os Santos.

“Moradores da península de Itapagipe, área histórica da cidade, entraram com uma ação popular para suspender os efeitos do decreto de utilidade pública de 324 mil metros quadrados, para fins de desapropriação. O pedido de liminar foi negado pela Justiça Federal, que avaliará o mérito”, adianta reportagem assina em TM pelo repórter baiano Claudio Leal.

Bahia em Pauta reconhece que chega com algum atraso à essas informações divulgadas no começo da semana por TM, mas elas seguem merecendo toda a atenção, em razão do desconhecimento quase total dos soteropolitanos em geral, e dos itapagipanos em particular, sobre o que efetivamente pretende a administração do prefeito João Henrique Carneiro (PMDB) e seus aliados, com projeto tão polêmico quanto megalômano.

A destacar também o fato da mínima repercussão dada pela imprensa local a informação jornalística tão relevante e de interesse crucial para a cidade e sua população. Leia, a seguir, trechos da reportagem de Claudio Leal sobre o “Caramuru Beach”, projeto de João Henrique para a orla itapagipana, sem nenhuma discussão com seus moradores, e o artigo opinativo do professor da UFBA, Roberto Albergaria, sobre o assunto.

Confira.
(Vitor Hugo Soares, editor)

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Claudio Leal

A Prefeitura de Salvador enfrentará barreiras judiciais para construir shoppings, espigões empresariais e marinas na orla da Baía de Todos os Santos. Moradores da península de Itapagipe, área histórica da cidade, entraram com uma ação popular para suspender os efeitos do decreto de utilidade pública de 324 mil metros quadrados, para fins de desapropriação. O pedido de liminar foi negado pela Justiça Federal, que avaliará o mérito.

Antes de apresentar oficialmente o megaprojeto, vinculado à iniciativa privada, o prefeito João Henrique (PMDB) terá de descascar, na próxima semana, mais uma ação civil pública. Desta feita da recém-criada Associação de Moradores e Empresários da Boa Viagem e Adjacências (AMEBVA).

Em assembleia, cerca de 300 moradores fundaram a organização que pretende conter a agressividade do setor imobiliário na primeira capital do Brasil. A vereadora Vânia Galvão (PT) colaborou com a peça judicial. “Vamos pedir a nulidade do decreto e exigir que a prefeitura instale o Conselho Municipal, previsto pelo Estatuto da Cidade”, diz Orlando Valle, presidente da AMEBVA.

Pingado no YouTube, em nome da Sedham (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano), um vídeo do projeto urbanístico prevê a destruição de casarões seculares, residências, ex-fábricas e lojas comerciais, para levantar prédios luxuosos, shoppings, marinas e avenidas higienizadas. Não houve confirmação oficial, nem desmentido, sobre a autoria.

O secretário Antonio Abreu não atendeu aos telefonemas de Terra Magazine para comentar a origem do projeto, que seria apresentado em outubro. Na sexta-feira, 4 de setembro, Abreu declarou que estava “em férias” e só atenderia ao pedido de entrevista na semana seguinte.Apesar do clima de revolta e da extensão do decreto, a imprensa baiana segue em comedido silêncio.
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Terra Magazine ouviu o arquiteto Paulo Ormindo de Azevedo, membro do Conselho Consultivo do Iphan, a respeito das últimas iniciativas urbanísticas da prefeitura de Salvador. Doutor pela Università di Roma “La Sapienza”, Azevedo é professor titular da Faculdade de Arquitetura da UFBA e tem se manifestado sobre os desvios urbanos da capital baiana. Para o especialista, o projeto para a orla da Baía de Todos os Santos guarda elementos da disputa política estadual. Alguns dos pontos da entrevista feita por telefone:

1. “A cidade está passando por um processo de propostas feitas prefeitura sem nenhum debate. Não apenas Itapagipe, mas outras áreas, como a chamada Vila Brandão (na Barra)”.

2. “A questão fundamental é que a cidade não dispõe de um plano diretor, embora disponha de um PDDU aprovado um processo tumultuado, numa sessão contínua de 48, 72 horas na Câmara Municipal, com 200 e tantas emendas, sem passar pelas comissões técnicas”.

3. “Essas mesmas imagens (apócrifas do projeto) não vêm acompanhadas de nenhum memorial técnico. Aquela declaração de utilidade pública criou, naturalmente, uma insegurança muito grande entre os moradores, em termos de mercado. Ela cria uma instabilidade. Fica difícil avaliar de que maneira isso interage com as ações que são anunciadas. Não se sabe bem o que se pretende com isso. Há quem diga que é uma tentativa de estabelecer na Bahia esse processo de concessão urbana, a entrega uma determinada área da cidade para o setor privado. Mas os juristas começam a colocar se isso pode ser feito sem alteração da Constituição.”

4. “A gente não pode isolar essa questão de uma disputa política muito forte, entre a prefeitura e o governo do Estado, e também entre o próprio prefeito e Geddel Vieira Lima. Ele formalmente tem uma aliança com o prefeito, mas é um rival do prefeito na própria sucessão. A coisa não é afinada”…
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LEIA ÍNTEGRA EM TERRA MAGAZINE ( http://terramagazine.terra.com.br )

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