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Posted on 12-09-2009
Filed Under (Newsletter) by vitor on 12-09-2009

Good bye, Gertrudes!
gertrudes
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Gertrude Baines, considerada pelo livro dos recordes do Guiness a pessoa mais velha do mundo, morreu aos 115 anos, em Los Angeles. Segundo declarações do médico de longa data de Gertrude à Associated Press, a paciente que apresentava excelente estado de saúde, provavelmente teve morte natural por parada cardíaca, mas apenas a autópsia poderá tirar as dúvidas.

“Estive com ela há dois dias atrás e ela estava bem. Ela estava em excelente forma”, referiu Charles Witt, médico de Gertrude.Nascida em 1894, Gertrude tornou-se em Janeiro deste ano a pessoa mais velha do mundo, após a morte da portuguesa Maria de Jesus. Gertrude Baines morreu mais tarde do que toda a sua família, incluindo a sua filha única.

Durante a sua vida ativa, Baines trabalhou como empregada nos dormitórios da Universidade do estado de Ohio. Baines vivia há mais de dez anos num hospital para convalescentes em Los Angeles, onde morreu na sexta-feira, 11, segundo as agências de notícias americanas.

Em declarações proferidas quando do seu 115º aniversário, em Abril, Gertrude afirmou que “viver assim tanto tempo é como ganhar a loteria genética” e recebeu uma mensagem de Barack Obama, em quem fez questão de votar, apesar da idade. Ela foi uma das figuras mais entrevistadas na vitória e na posse de Obama.

O título de pessoa mais idosa do planeta pertence agora a Kama Chinen, uma japonesa com 114 anos, sendo que a idade mais avançada alguma vez registada num ser humano foi de 122 anos.

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Posted on 12-09-2009
Filed Under (Artigos, Claudio, Entrevistas) by vitor on 12-09-2009

Mãe Stella, admirada e seguida por Olyntho
stella
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O texto a seguir sobre a morte do escritor da Academia Brasileira de Letras, Antonio Olyntho, foi publicada neste sábado, 12, na revista digital Terra Magazine.

Assinado por Claudio Leal, remete a uma entrevista realizada por telefone pelo repórter baiano com o imortal da ABL, publicada em outubro do ano passado, na qual Olyntho fala de sua estreita e antiga relação com os terreiros baianos de Candomblé, em especial com o Axé Opô Afonja, de Mão Senhora, conduzido atualmente por Mãe Estela.

Bahia em Pauta reproduz o texto de hoje e recomenda a entrevista de outubro em TM (http://terramagazine.terra.com.br).
(VHS)

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Claudio Leal

Morto neste sábado, no Rio de Janeiro, aos 90 anos, o escritor Antonio Olinto manteve vinculações profundas com o Candomblé baiano – talvez seja o último remanescente do grupo de artistas e intelectuais que incluía Jorge Amado, Dorival Caymmi, Carybé, astutamente incorporados ao Ilê Axé Opô Afonjá, em Salvador, por mãe Senhora (a ialorixá saudada por Vinicius de Moraes no “Samba da Bênção”).

Membro da Academia Brasileira de Letras, Antonio Olinto era também o mais velho Obá de Xangô do terreiro hoje liderado por mãe Stella de Oxóssi. No posto civil mais alto do Candomblé, ele tinha como confrades o compositor Gilberto Gil, o antropólogo Vivaldo Costa Lima e o professor Muniz Sodré. “Esses ministros eram antigos reis, príncipes ou governantes dos territórios conquistados por Xangô no país de Yôrubá”, explica o historiador Edison Carneiro em Candomblés da Bahia.

Em 2008, após a morte de Dorival Caymmi, Olinto concedeu uma entrevista a Terra Magazine sobre suas vivências nos terreiros baianos. Lembrou-se de sua amizade com pai Agenor Miranda Rocha (1907-2004), sacerdote e professor no Rio de Janeiro.

– … a Mãe Senhora era uma sábia. Muito inteligente, naquela inteligência natural do povo. E também foi aprendendo. Ela fazia uns discursos bem bons. Sabia falar. E preparou a menina, né? A Stella, que foi filha dela em tudo. Ela morreu e não foi ainda Stella, foi Ondina. Depois dela, todos nós nos reunimos e o Agenor foi jogar os búzios. Ela foi preparada por Senhora para isso.

Nesta entrevista, Olinto contou seu projeto de preservar as obras de arte reunidas em viagens à África, vasto acervo compartilhado com a esposa Zora Seljan.

– Temos aqui 200 esculturas africanas de madeira no meu apartamento. Nós fizemos uma exposição no Sesc do Flamengo e no Sesc de Madureira. Com a morte da Zora, eu fiz um instituto cultural Antonio Olinto, que foi aprovado pelo governo, e eu pretendo doar tudo isso para o instituto. Tenho 16 mil livros, mais essas 200 esculturas, pintura… não tem mais lugar pra pintura. Caixas e caixas com pinturas guardadas. Seria o Instituto Antonio Olinto com o museu Zora Seljan de Arte Africana.

Zora Seljan foi a primeira esposa do cronista Rubem Braga. E Olinto jamais se livraria de uma frase viperina do velho Braga: “Ela melhorou de marido, mas piorou muito de estilo”

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Cena de “Lebanon”, vencedor em Veneza
libano
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O Leão de Ouro, prêmio máximo do do Festival de Cinema de Veneza (Itália) foi entregue neste sábado, 12, ao filme “Lebanon”, o primeiro do realizador israelita Samuel Maoz. A notícia, divulgada em amplos espaços por todas as principais agências internacionais, está sendo intensamente festejada nos círculos artísticos e cinematográficos de Israel.

O longa-metragem de Samuel Maoz, um estreante vencedor de 47 anos, é autobiográfico e retrata o inferno da guerra do Líbano em 1982 a partir da perspectiva dos soldados no interior de um tanque.

O realizador israelita agradeceu “a honra” e, segundo assinala a agência européia AFP, dedicou o prémio às “milhares de pessoas que, em todo o mundo”, como ele, sobreviveram à guerra “sãos e salvos”, realçando que, embora elas possam aparentar estar bem, casadas e com filhos, “no interior tiveram de aprender a viver com a sua dor”.

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Posted on 12-09-2009
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Plim Plim !
globo
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Deu no Comunique-se (VHS)
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Da Redação

Um dos principais e mais acreditados portais da WEB de notícias de bastidores sobre comunicação e jornalismo do país , o Comunique-se divulgou para seus leitores a seguinte notícia sobre a TV Globo, que Bahia em Pauta reproduz a seguir:

A TV Globo divulgou um comunicado interno na noite desta quinta-feira (10/09), em que restringe o uso de blogs e redes sociais pelos seus contratados. A medida atinge tanto artistas, como jornalistas e outros profissionais da emissora.

“A divulgação e ou comentários sobre temas/informações direta ou indiretamente relacionados às atividades ligadas à Rede Globo; ao mercado de mídia e ao nosso ambiente regulatório, ou qualquer outra informação/conteúdo obtidos em razão do relacionamento com a Rede Globo são vedados, independentemente da plataforma adotada, salvo expressamente autorizada pela empresa”, informa o comunicado.

A Globo também exige autorização prévia para que os contratados possam ter blogs, Twitter e outras redes sociais vinculados a outros veículos de comunicação. “A hospedagem em Portais ou outros sites, bem como a associação do nome, imagem ou voz dos contratados da Rede Globo a quaisquer veículos de comunicação que explorem as mídias sociais, ainda que o conteúdo disponibilizado seja pessoal, só poderá acontecer com prévia autorização formal da empresa”.

A decisão gerou repercussão, mas até o momento somente artistas da emissora se manifestaram. A atriz Fernanda Paes Leme reclamou.“Não existe Arte sem liberdade de expressão!!”. “Blog, twitter ajudam o público a conhecer o artista por trás do personagem… eu vou continuar por AQUI!”. Jornalistas procurados pelo Comunique-se informaram que ainda não haviam recebido o comunicado.

Apesar das restrições citadas, a Central Globo de Comunicação informou que não veda qualquer plataforma para o uso pessoal, mas que as ferramentas devem se limitar a isso. “A presença individual e particular dos nossos contratados deve se restringir, se desejada, exatamente a este universo, estando totalmente desvinculada da atuação na Rede Globo, nem tampouco associados a outros veículos de comunicação. Se essa separação clara não puder ser estabelecida, o uso dessas mídias fica inviabilizado”.

A emissora carioca alega que a medida tem o objetivo proteger seus “conteúdos da exploração indevida por terceiros, assim como preservar seus princípios e valores”.

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Posted on 12-09-2009
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Lizzie Miller: que tal a barriguinha?
barriguinha
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Deu no BBC Brasil

Na seção Tendências do portal da BBC Brasil, a repórter e blogueira Ilana Rehavia , escreve a seguinte nota, feita sob medida como leitura leve em dia de sábado, mas que dá o que pensar a respeito de preceitos e preconceitos estabelecidos, em Salvador como em New York , Rio ou Londres. Confira (VHS).

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Ilania Rehavia (BBC Brasil)

“O que você acha da foto ao lado? Qual a primeira coisa que repara? O belo sorriso, a pele luminosa ou a barriguinha?

A imagem da modelo Lizzie Miller causou uma enorme reação do público quando apareceu na edição americana da revista Glamour.

A reação foi imediata e em sua grande maioria positiva, com leitoras parabenizando a revista por finalmente mostrar mulheres de verdade em suas páginas.

A foto de Lizzie – que tem 20 anos de idade, veste o tamanho médio da mulher americana, mas é considerada uma modelo “plus-size” (tamanho grande, em tradução-livre) – estava ilustrando uma reportagem sobre auto-imagem.

O sucesso da imagem foi tanto que a Glamour decidiu fazer um ensaio de fotos de modelos de tamanhos mais normais nuas em sua edição de novembro.

Eu gostei! E você?

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Posted on 12-09-2009
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Projeto municipal: “uma carnificina”
Alberga

OPINIÃO / SALVADOR

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Roberto Albergaria
De Salvador (BA)

No youtube, o leitor vai se surpreender com esta aberração arquitetônica perpetrada pela Secretaria do Desenvolvimento Urbano de Salvador para liquidar de vez a nossa bela península de Itapagipe.

Uma carnificina, pois prometem, de acordo com o vídeo postado misteriosamente na internet, arrasar com todas as nossas singelas casinhas, talvez para construir uma “Nova Sauípe” para os turistas endinheirados na empobrecida orla de cá – expulsando-se os velhos nativos. Ou seria uma obragem ainda mais ridícula: pois o secretário teria admitido “transformar parte da Cidade Baixa em algo parecido com Ipanema ou o Leme do Rio de Janeiro” (segundo um blog local).

Projeto mal-obrado, sem nenhuma preocupação histórica e cultural, sem o mínimo respeito ao nosso espírito de lugar e às “coisas da Bahia” em geral. Uma iniciativa pseudo-vanguardista cheia de obscuridades e subterfúgios – pois a cada hora os “mandachuvas” da Prefeitura dizem e mostram uma coisa diferente. Basta que olhemos o que eles vêm dizendo e desdizendo aqui mesmo no Terra Magazine há meses.

Seguem algumas idéias iniciais sobre esta invencionice travestida de “melhoramento” e “requalificação” que está sendo cometida pelos gestores “desenvolvimentistas” da Prefeitura desta cada vez mais triste Cidade da Bahia. Na verdade, trata-se do mais desavergonhado empreendimento de desurbanização de uma área histórica que apareceu no Brasil nos últimos tempos.

Ainda não sabemos o que significa o fato de a Secretaria do Desenvolvimento Urbano ter colocado logo esta “animação” no Youtube (tinham baixado, quase que secretamente, um edital de desapropriação da área em março – e prometido um projeto bem definido para outubro).

No vídeo, não sobra pedra sobre pedra. Nem as nobres construções do Patrimônio Histórico baiano mais antigas, tampouco os prédios de utilidade pública da área costeira (escolas, hospitais, albergues, pensionatos) são poupados. Deletaram o majestoso Abrigo D. Pedro II, suprimiram totalmente a antiga Fábrica de Luiz Tarquínio, a Fratelli Vita, o Hospital São Jorge, a tradicionalíssima Escola Abílio César Borges…

Tudo vira um frio vazio – cortado de asfalto e canteirinhos centrais, num paisagismo “hollywoodiano” artificialíssimo…

Os infelizes autores desta monstruosidade digital ignoraram, igualmente, o entorno do Grande Patrimônio representado pelas edificações mais antigas e “nobres” da área — que formam o “colar de preciosidades históricas da orla da península”.

Conjunto de fortes, igrejas, casarões senhoriais que ficarão isolados, descontextualizados culturalmente, desanimados humanamente. Sobras perdidas neste deserto de grandes espaços abertos, pontuados por medíocres e repetitivas “modernosidades” de concreto e vidro…

O casario tradicional da região é tratado como um puro monturo de trambolhos (“essas coisas” – que só estariam atrapalhando a visão do mar, nas palavras simplórias e interesseiras do Sr. Secretário, ainda quando recém-enfiado no “balaio de gatos” partidário do prefeito João Henrique).

Na verdade, os burocratas da desurbanização da nossa orla descartam não só os bens culturais de grande porte, mas também os pequenos: especialmente o que temos em nossa arquitetura ordinária de artesanato espontâneo e de arte sensível produzidos pelas pessoas comuns. Um respeitável Pequeno Patrimônio civil acumulado ao fio das sucessivas gerações da nossa Itapagipe “remediada” – dos arredores da da praia do Cantagalo à da Boa Viagem. Local ameno em que subsistem as mais belas miúdas relíquias dos nossos vários passados – uma espécie de paraíso urbano perdido, sob vários aspectos…

Em sua míope visão do alto, os desenhistas digitais paus-mandados da SEDHAM desprezaram todas nossas pitorescas casinhas e sobrados tão lindamente coloridos (tal como aparecem, p.ex. no livro As Cores do Bonfim, da atenta profa. Rosa Alice França).

Na verdade, os novos Donos da Cidade (os barões nacionais da construção & a elite neopatrimonialista local que comanda a máquina municipal) só pensam em dinheiro e poder. Desconhecem por completo não só as especificidades sócio-culturais do nosso feitio nativo de edificações residenciais, mas também do nosso intrincado urbanismo viário, “passando o trator” sobre toda a densa história dos nossos caminhos (minuciosamente retrilhados pela erudita Profa. Mariely Santana).

Não entendem patavina das particularidades do comércio de material elétrico e hidráulico da rua Barão de Cotegipe – o mais sortido de toda a cidade. Além de que esses iluminados “modernizadores” – sem nenhuma sensibilidade patrimonial, sem arte, nem alma – desconsideram totalmente o cenário das tantas devoções cristãs que já transformaram nossa praieira wetland numa espécie de Jerusalém tropical (além do Bonfim, temos os santuários das duas quase-santas baianas a menos de 300 metros, as ex-irmãs Dulce e Lindalva).

O fato é que esta massacrante “limpeza visual” (ou “faxina étnica”?) que o Mercado e a Prefeitura estão promovendo não é só desumana – mas, também, burra: pois o “arrabalde” de Itapagipe encarna o que sobrou de mais característico da “Cara-de-Bahia-com-H” (de Velha São Salvador) que tínhamos. A península ainda resistindo com vivacidade, depois das tantas mortificantes demolições realizadas pelos “picaretas do progressismo” nos limites da nossa Cidade Antiga desde o séc. XX.

Se bem que tal mega-operação de desurbanização, pulverizando uma extensa área de mais de 5 quilômetros representará a destruição de um conjunto de bens culturais e, mesmo, turísticos, de alto valor para todos os baianos – tanto os da Cidade Alta quanto Baixa, Nova e Velha.

Ora, para esses Exterminadores do Passado o espaço não tem memória, as malhas de interação dos habitantes não têm a mínima importância, nossas casas são meros abrigos impessoais e intercambiáveis segundo a lógica macro-espacial que preside tanto a ganância do Mercado-Rei (os grupos imobiliários que agora querem explorar a orla interna da baía que para eles estaria “completamente degradada”) quanto a suposta racionalidade planejadora do Estado Onipotente.

Mercado & Estado (agora unidos no velho Crony Capitalism brasileiro com o novo nome de Parcerias Público-Privadas) teriam o direito de dispor da cidade ao seu bel prazer.

E a lógica deles é a da indiferença. Negocistas que não têm nenhum amor à cidade, ao patrimônio, à beleza, nada… O que importa é o vale-tudo dos seus interesses imediatos, é o modelo de gestão da cidade que lhes for mais útil, o modelo de arquitetura que lhes for mas rentável.

Somente lhes interessam nossa linda “vista para o mar”, nosso pôr-do-sol (um bem precioso para seus empreendimentos).

Enfim, o pretensioso projeto turístico-recreativo-embromativo deles é um jeito tosco da arquitetura de nouveau riche deslumbrado – um xadrez “racional” de torres de vidro quadradonas agredindo o contexto paisagístico da área, destruindo nossos corredores culturais tradicionais, arrasando todo o caprichoso bordado do casario que dá a Itapagipe esta adorável atmosfera de “cidade do interior”. Como sentimos no beco das Calçolas, na Rua do Céu, no alegre Campo do Torebão, entre os libidinosos “jacarés” da Beira Mar, até…

Transformaram tudo numa paisagem de fachada, numa mascarada futurista “pra inglês ver”– inspirado em cidades estranhas (ou “genéricas”), numa coleção de clichês urbanísticos surrados.

Na verdade, este projeto de interesse particular do Secretário do Desenvolvimento Urbano, não passa de um arranjo cênico enganoso nos mais variados sentidos. Estética do “qualquer lugar” – empedrada nesta selva de torres-armengues cinzentas e imensas (mas o gabarito legal não era 3 andares nos primeiros quarteirões?).

Uma obra de técnicos canhestros, a serviço das manobras dos políticos espertalhões de sempre… Pois quanta ignorância rola neste vídeo no que se refere ao modo de vida e de habitação tradicional do orgulhoso cidadão itapagipano, quanto à organicidade, lentamente consolidada, da configuração urbana da península…

Enfim, nessa maquete virtual transparece o espírito de geometria sem finesse do grupo dos urbanistas, arquitetos e videomakers que costumam servir tão bem tantos graves senhores dinheirosos & poderosos. Como esses mais novos, que vem destruindo as partes mais preciosas desta cidade que levamos séculos para construir.

Mais um negociarrão que funcionaria à maneira daquelas “picaretas do progresso” que arrasaram a Sé no século passado. Melhoramentos para a elite (e pioramento para nós, arraia miúda). Renovação que não passa de um uma “destruição criativa” perversa – pura criação de benefícios para os empreendedores-predadores & para a elite neo-patrimonial de sempre – “novidadeiros” que exploram e controlam a Bahia desde Thomé de Souza.

Roberto Albergaria é professor de Antropologia da UFBA, doutor pela Universidade de Paris III e um potencial sem-teto da área desapropriada pela Prefeitura.

(Texto publicado originalmente na revista digital Terra Magazine)

“Caramuru Beach”: apócrifo e megalômano
caramuru

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“Bomba! Bomba!”, diria o colunista Ibrahim Sued, o que costumava lembrar o ditado que lembra a desavisados: “cavalo não sobe escada”.

Vamos ao fato, um dos mais relevantes da semana, levantado pela revista digital Terra Magazine: “A prefeitura de Salvador enfrentará barreiras judiciais para construir shoppngs, espigões empresariais e marinas na orla da Baia de Todos os Santos.

“Moradores da península de Itapagipe, área histórica da cidade, entraram com uma ação popular para suspender os efeitos do decreto de utilidade pública de 324 mil metros quadrados, para fins de desapropriação. O pedido de liminar foi negado pela Justiça Federal, que avaliará o mérito”, adianta reportagem assina em TM pelo repórter baiano Claudio Leal.

Bahia em Pauta reconhece que chega com algum atraso à essas informações divulgadas no começo da semana por TM, mas elas seguem merecendo toda a atenção, em razão do desconhecimento quase total dos soteropolitanos em geral, e dos itapagipanos em particular, sobre o que efetivamente pretende a administração do prefeito João Henrique Carneiro (PMDB) e seus aliados, com projeto tão polêmico quanto megalômano.

A destacar também o fato da mínima repercussão dada pela imprensa local a informação jornalística tão relevante e de interesse crucial para a cidade e sua população. Leia, a seguir, trechos da reportagem de Claudio Leal sobre o “Caramuru Beach”, projeto de João Henrique para a orla itapagipana, sem nenhuma discussão com seus moradores, e o artigo opinativo do professor da UFBA, Roberto Albergaria, sobre o assunto.

Confira.
(Vitor Hugo Soares, editor)

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Claudio Leal

A Prefeitura de Salvador enfrentará barreiras judiciais para construir shoppings, espigões empresariais e marinas na orla da Baía de Todos os Santos. Moradores da península de Itapagipe, área histórica da cidade, entraram com uma ação popular para suspender os efeitos do decreto de utilidade pública de 324 mil metros quadrados, para fins de desapropriação. O pedido de liminar foi negado pela Justiça Federal, que avaliará o mérito.

Antes de apresentar oficialmente o megaprojeto, vinculado à iniciativa privada, o prefeito João Henrique (PMDB) terá de descascar, na próxima semana, mais uma ação civil pública. Desta feita da recém-criada Associação de Moradores e Empresários da Boa Viagem e Adjacências (AMEBVA).

Em assembleia, cerca de 300 moradores fundaram a organização que pretende conter a agressividade do setor imobiliário na primeira capital do Brasil. A vereadora Vânia Galvão (PT) colaborou com a peça judicial. “Vamos pedir a nulidade do decreto e exigir que a prefeitura instale o Conselho Municipal, previsto pelo Estatuto da Cidade”, diz Orlando Valle, presidente da AMEBVA.

Pingado no YouTube, em nome da Sedham (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano), um vídeo do projeto urbanístico prevê a destruição de casarões seculares, residências, ex-fábricas e lojas comerciais, para levantar prédios luxuosos, shoppings, marinas e avenidas higienizadas. Não houve confirmação oficial, nem desmentido, sobre a autoria.

O secretário Antonio Abreu não atendeu aos telefonemas de Terra Magazine para comentar a origem do projeto, que seria apresentado em outubro. Na sexta-feira, 4 de setembro, Abreu declarou que estava “em férias” e só atenderia ao pedido de entrevista na semana seguinte.Apesar do clima de revolta e da extensão do decreto, a imprensa baiana segue em comedido silêncio.
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Terra Magazine ouviu o arquiteto Paulo Ormindo de Azevedo, membro do Conselho Consultivo do Iphan, a respeito das últimas iniciativas urbanísticas da prefeitura de Salvador. Doutor pela Università di Roma “La Sapienza”, Azevedo é professor titular da Faculdade de Arquitetura da UFBA e tem se manifestado sobre os desvios urbanos da capital baiana. Para o especialista, o projeto para a orla da Baía de Todos os Santos guarda elementos da disputa política estadual. Alguns dos pontos da entrevista feita por telefone:

1. “A cidade está passando por um processo de propostas feitas prefeitura sem nenhum debate. Não apenas Itapagipe, mas outras áreas, como a chamada Vila Brandão (na Barra)”.

2. “A questão fundamental é que a cidade não dispõe de um plano diretor, embora disponha de um PDDU aprovado um processo tumultuado, numa sessão contínua de 48, 72 horas na Câmara Municipal, com 200 e tantas emendas, sem passar pelas comissões técnicas”.

3. “Essas mesmas imagens (apócrifas do projeto) não vêm acompanhadas de nenhum memorial técnico. Aquela declaração de utilidade pública criou, naturalmente, uma insegurança muito grande entre os moradores, em termos de mercado. Ela cria uma instabilidade. Fica difícil avaliar de que maneira isso interage com as ações que são anunciadas. Não se sabe bem o que se pretende com isso. Há quem diga que é uma tentativa de estabelecer na Bahia esse processo de concessão urbana, a entrega uma determinada área da cidade para o setor privado. Mas os juristas começam a colocar se isso pode ser feito sem alteração da Constituição.”

4. “A gente não pode isolar essa questão de uma disputa política muito forte, entre a prefeitura e o governo do Estado, e também entre o próprio prefeito e Geddel Vieira Lima. Ele formalmente tem uma aliança com o prefeito, mas é um rival do prefeito na própria sucessão. A coisa não é afinada”…
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LEIA ÍNTEGRA EM TERRA MAGAZINE ( http://terramagazine.terra.com.br )

set
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Posted on 12-09-2009
Filed Under (Newsletter) by vitor on 12-09-2009

Antonio Olyntho: “ilustre e atuante”
olinto
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Aos 90 anos de idade o escritor e Acadêmico Antonio Olyntho morreu na madrugada deste sábado (12), em sua residência no bairro de Copacabana, Rio de Janeiro, por volta de 4h30, de falência múltipla de órgãos. O corpo será velado no Petit Trianon e sepultado no Mausoléu da Academia, no Cemitério de São João Batista, Botafogo. O imortal Olyntho ocupava a cadeira nº 8 da Academia Brasileira de Letras.

“Perde o Brasil um de seus mais ilustres intelectuais, e a Academia um de seus mais atuantes confrades”, disse ao portal Terra, o residente da ABL, jornalista e escritor Cícero Sandroni, além de ter declarado luto oficial por três dias.

A extensa obra de Olinto abrange poesia, romance, ensaio, crítica literária e análise política.

Antonio Olyntho Marques da Rocha nasceu em Ubá, Minas Gerais, em 10 de maio da 1919, filho de José Marques da Rocha e de Áurea Lourdes Rocha. Foi casado com a escritora Zora Seljan, morta no Rio em 2006, e não teve filhos.

Assinala o portal Terra:”Eleito membro da Academia em 31 de julho de 1997, sucedendo ao escritor Antonio Callado, ocupou também o cargo de diretor-tesoureiro nas gestões de 1998 a 2000. Nesse período foi diretor da Comissão de Publicações da qual saíram 24 volumes da Coleção Afrânio Peixoto, além de coordenar o seminário Monteiro Lobato.

Nomeado Adido Cultural em Lagos, Nigéria, pelo governo parlamentarista de 1962, em quase três anos de atividade, fez cerca de 120 conferências na África Ocidental, promoveu uma exposição de pintura sobre afro-brasileiros, colaborou em revistas nigerianas e escreveu uma trilogia de romances, A Casa da Água, O Rei de Keto e Trono de Vidro, traduzidos em dezenove idiomas (inglês, italiano, francês, polonês, romeno, macedônio, croata, búlgaro, sueco, espanhol, alemão, holandês, ucraniano, japonês, coreano, galego, catalão, húngaro e árabe) e com mais de trinta edições fora do Brasil”.

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12
Posted on 12-09-2009
Filed Under (Newsletter) by vitor on 12-09-2009

Almeida, um comandante
Almeida

Morreu vitimado por uma parada cardíaca, aos 82 anos, o vice-presidente de Cuba, Juan Almeida, anunciou a imprensa cubana através de nota oficial do governo neste sábado,12. Almeida esteve ao lado de Fidel Castro e Che Guevara na revolução que levou à queda do ditador Fulgencio Baptista a 1 de Janeiro de 1959. Era tido como o “número três”, na hierarquia cubana do poder.

Ao lado dos irmãos Castro, Fidel e Raul, desde os primeiros dias da revolução, Almeida assumiu lugares de destaque e, ao morrer, era um dos vários vice-presidentes do Conselho de Estado presidido por Raul Castro e membro do bureau político do Parido Comunista Cubano.

Juan Almeida participou também no ataque às instalações militares de Moncada, em 1953, que acabou por não ter sucesso e que levou não só ele mas também os irmãos Castro à prisão da qual acabariam por sair após um perdão de Fulgencio Baptista para o México.

Este líder histórico da revolução cubana esteve também no navio Granma que transportou uma pequena força militar do México para Cuba no final de 1956 que lutou na Sierra Maestra, que se tornou a base dos rebeldes cubanos.

Juan Almeida era um dos três dirigentes cubanos com o título honorífico de «Comandante da Revolução», que também foi atribuído a Fidel e Raul Castro, bem como a Ramiro Valdés e a Guillermo Garcia, este dois últimos já falecidos. «O nome do Comandante da Revolução Juan Almeida Bosque ficará para sempre nos corações e mentes dos nossos compatriotas», afirmou uma nota do bureau político publicada no jornal Granma, do Partido Comunista Cubano.

( Postado por Vitor Hugo Soares, com informações de agências de notícias européias e rádios e jornais cubanos na web)

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12


A música para começar este sábado de setembro no Bahia em Pauta é “Autunm Leaves”, nada menos que uma das maiores preciosidades melódicas de todos os tempos. Na área de comentários do You Tube alguém escreve em espanhol:”No tiene palavras,verdad? Precioso!”Não precisa tradução. Cannonball Adderley junta-se com Miles Davis para produzir um momento músical único. Confira e feliz sábado. A sugestão mais uma vez é do jornalista Gilson Nogueira, incansável colaborador deste site-blog e o editor subscreve com prazer.

(Vitor Hugo Soares)

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