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Postado em 11-09-2009
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 11-09-2009 12:45

New York hoje/ PUBLICO
onze

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Deu no jornal PÚBLICO, de Lisboa

Os americanos assinalam hoje o oitavo aniversário dos ataques terroristas às Torres Gémeas de Nova Iorque e ao Pentágono, em Washington. Pela primeira vez a “comemoração” faz-se não sob o signo da “guerra global contra o terrorismo”, mas com uma ênfase especial na solidariedade e na generosidade da América .

O Presidente, Barack Obama, fez do dia um feriado federal chamado “Dia Nacional do Serviço e Memória” e pediu aos americanos que se envolvam em projetos comunitários e ações de voluntariado. O programa envolve, entre outras atividades, cozinhar refeições para os pobres, plantar e arranjar jardins, ajudar em reparações de casas degradadas ou preparar pacotes de material escolar para crianças desfavorecidas.

“Os acontecimentos trágicos daquela manhã de terça-feira, há oito anos, inspiraram os americanos a juntar-se num notável espírito de unidade e compaixão. Nesse mesmo espírito, apelo a todos os americanos que participem no dia de serviço de 11 de Setembro, e honrem os heróis desse dia negro e os homens e mulheres de uniforme que continuam a proteger o país”, escreveu Barack Obama na nota que anuncia a sua iniciativa.

Esta tônica nas comemorações do 11 de Setembro é mais um corte com a era de George W. Bush. A diferença começou, desde logo, com a decisão de Obama de banir a expressão “guerra global ao terrorismo” do léxico oficial da Casa Branca – e o contraste acentuou-se ainda mais com o discurso ao mundo muçulmano, no Egito, intitulado Um novo começo. Aí, Obama lembrou que os atentados de 11 de Setembro foi “um enorme trauma” para os EUA. “O medo e a raiva que provocaram foram compreensíveis, ainda que nalguns casos nos tenham levado a agir contra os nossos ideais.”

Para o novo Presidente, a inflamada retórica anti-Islã da Administração Bush foi responsável pelo recrudescer do sentimento anti-americano no mundo árabe. A sua linguagem não podia ser mais diferente: “A América e o islã não se excluem, nem estão em competição (…). Que não haja dúvidas que o islã faz parte da América”, declarou.

Diferenças e semelhanças

A Administração Obama inaugurou um novo tom conciliatório, que se reflcte não só na opinião que os países estrangeiros têm dos EUA, como no que os americanos pensam dos seus anteriores inimigo. E até no seu sentimento de segurança: a antiga paranóia com a cor do nível de alerta contra atentados no país pertence definitivamente ao passado.

Muitos dos objetivos da política externa de Obama nem são assim tão diferentes dos de Bush: o combate sem tréguas à Al-Qaeda e a negociação de um acordo de paz entre Israel e a Palestina também são prioridades da nova Administração. É a estratégia que é radicalmente diferente: ao contrário do Presidente republicano, Obama fez uma aposta decisiva na diplomacia em detrimento do poderio militar, e na reconciliação em vez do isolamento.

Bush classificou a guerra no Iraque como “a frente central da guerra do terrorismo”; Obama iniciou a retirada das tropas americanas daquele país, que promete concluir até 2011, e apontou o Afeganistão (e as regiões tribais na fronteira do Paquistão) como o território onde é preciso combater a Al-Qaeda. Bush recusou negociar com o Irã ou a Coréia do Norte; Obama admite recomeçar as conversações.

Bush encarcerou centenas de “combatentes inimigos”, sem acusação judicial, em campos militares no Iraque, Afeganistão e Guantanamo; Obama prometeu encerrar essas prisões. E a nova Administração pôs fim às “técnicas agressivas de interrogatório” permitidas por Bush.

Mas Obama já compreendeu que demarcar-se do legado da Administração Bush é mais fácil em discursos de campanha eleitoral do que no exercício do poder: a sua Administração já se viu obrigada, por exemplo, a defender que as fotografias dos prisioneiros do Iraque e Guantanamo permanecessem secretas, para evitar retaliações contra os soldados americanos.

E, apesar de não se opor à nomeação de um procurador especial para investigar (e possivelmente criminalizar ) as ações dos agentes da CIA durante os interrogatórios de alegados suspeitos de terrorismo, Obama fez questão de sublinhar que o ramo judicial é independente e não politicamente comandado pela Casa Branca.

(Texto opinativo publicado na edição desta sexta-feira, 11 dse Setembro, no jornal Público, de Lisboa)

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