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Postado em 06-09-2009
Arquivado em (Artigos, Rosane) por vitor em 06-09-2009 10:02

Desafio: petróleo e meio ambiente
petromar

OPINIÃO

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Meio ambiente muda agenda política

Rosane Santana

Um dos maiores desafios dos países em desenvolvimento – neste grupo inclusos Brasil, China e India -, atualmente, é conciliar a expansão econômica com a preservação do meio ambiente – fundamental para a perpetuação da vida no Planeta. O assunto – ressalte-se – foi tema de discussão e prova na Universidade de Harvard (EUA), neste verão, quando comemorou-se o bicentenário do naturalista inglês, Charles Darwin, autor do livro “A Origem das Espécies”, que revolucionou a biologia moderna opondo-se à concepção religiosa da origem divina do universo narrada no livro dos Gênesis.

O darwinismo ganha relevância, neste momento, especialmente sua tese de sobrevivência dos mais fortes no processo de adaptacão das espécies ao meio ambiente, em funcão das mudanças climáticas aceleradas pelo excesso de gás carbônico na atmosfera – o vilão do efeito estufa -,que está provocando o aquecimento global.. Ressalte-se, entretanto, serem os maiores emissores de CO2 os países mais industrializados, que integram o chamado G-7 (Estados Unidos, Canadá, Japão, Itália, Alemanha, França e Inglaterra).

Tais alteracões têm atingido indistintamente populações de todos os países, com excesso de calor e chuvas e inundacões que provocam destruicão, afetando as localidades mais pobres, o Terceiro Mundo em especial, onde os prejuízos na agricultura, por exemplo, são enormes, pela precaridade tecnológica.

O assunto vem ganhando a cada dia maior relevância nas discussões acadêmicas e políticas nos Estados Unidos. Tanto que o presidente Barack Obama, desde que tomou posse em janeiro, anunciou sua disposição de colocar “a energia alternativa, o meio ambiente e a mudança climática no centro da definição americana de segurança nacional, recuperação econômica e prosperidade”. A indicação do Prêmio Nobel de Física de 1997, Steven Chu, promotor da pesquisa de fontes energéticas renováveis, para secretário de Energia, é uma demonstração do esforço nessa direção.

Disse anteriormente, inclusive, que a decisão de Obama representa uma tentativa de colocar os Estados Unidos na liderança da luta contra o aquecimento global, depois da resistência a iniciativas como o Protocolo de Quioto, na Era Bush, no momento em que a União Européia discute um novo tratado climático e o presidente da ONU, Ban Ki-Moon, propõe um “New Deal Verde”, para combater as alterações no clima e no meio ambiente

É nessa conjuntura, em que a questão ambiental está na pauta do dia, que a candidatura da senadora Marina Silva, a presidência da República, esperam seus idealizadores, pode ganhar corpo e, supostamente, atrapalhar o caminho da ministra Dilma Roussef, candidata declarada do presidente Lula. Esse ponto de vista (a força de Marina) é compartilhado por políticos e marqueteiros, além de fervorosos admiradores da ministra.

Mais do que um problema ambiental, em minha opinião, essa é uma questão política e de gestão que deve estar aberta ao debate não apenas àqueles que historicamente estão vinculados a causa ambientalista, pois está a afetar a todos indistintamente. Trata-se de um problema de sobrevivência humana, de reeducacão de todos, inclusive com um nítido direcionamento na área do ensino formal, e não do partido ou do candidato A ou B. Essa partidarização, pode ser um bom mote publicitário, mas não ajuda o debate e nem contribui para sua democratização, o que é o mais importante.

O desafio para o Brasil, por exemplo, um dos candidatos a potência, neste século, sem dúvida, será conciliar a exploracão de seu potencial energético, fundamental para o seu desenvolvimento, sobretudo as novas descobertas na área de petróleo – considerado uma fonte de energia poluente -, com a preservação do meio ambiente.

Se isso é possível, quem pode responder e propor caminhos é a ciência e a tecnologia, sugerindo políticas públicas adequadas. Espera-se que na campanha à presidência da República, no próximo ano, os candidatos e candidatas saibam discutir a questão, sem satanizar essa ou aquela alternativa, com discursos panfletários, mas buscando equacioná-la com bom senso, como o fez Obama, por exemplo, indicando um renomado cientista para uma pasta considerada estratégica.

A depender da abordagem, o debate da questão no horário político eleitoral será um dos pontos altos da campanha presidencial do próximo ano e pode ser um passo importante para uma mudança na agenda política dos atuais e futuros governantes.

Rosane Santana, jornalista e mestre em História pela UFBA, mora atualmente em Boston e estuda da universidade de Harvard.

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Comentários

Laura on 7 setembro, 2009 at 1:37 #

Excelente Rosane, sem dúvidas a questão ambiental é uma pauta importantíssima. O Brasil é uma das maiores reservas naturais do mundo, contudo esta utilizando as suas reservas de forma agressiva, haja vista o que ocorre na Amazônia. Infelizmente não temos uma mentalidade de preservação, somos imediatistas… ecologistas e ambientalistas ainda são vistos como eco-chatos, temos muito que avançar nesta discurssão. Parabéns pelo artigo.


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