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Postado em 30-08-2009
Arquivado em (Artigos, Eventuais, Newsletter) por vitor em 30-08-2009 00:09

jornal
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O texto que Bahia em Pauta reproduz a seguir, assinado por Julio Daio Borges, foi publicado originalmente em 11/04/2008, no site Digestivo Cultural, quando a respeitada revista New Yorker proclamou que os jornais impressos estavam técnicamente mortos. Permanece com extraordinária atualidade neste domingo de fim de agosto que antecipa dias de profundas mudanças – não necessariamente para melhor – na imprensa escrita e no jornalismo profissional da Bahia.

Em tempo: qualquer semelhança pode não ser mera coincidência. Confira. (Vitor Hugo Soares)
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JULIO DAIO BORGES

“Primeiro, foi a melhor revista do mundo, The Economist, proclamando, em setembro de 2006, que os jornais estavam tecnicamente mortos. Agora, no último 31 de março, foi a vez da New Yorker, a “segunda” melhor revista do mundo, proclamar: os jornais estão morrendo. Segundo Eric Alterman, que assina o texto “Out of Print”: na era da internet, ninguém descobriu ainda como salvar o formato jornal — nos Estados Unidos e no resto do mundo.

De acordo com Alan Mutter, empreendedor do setor de mídia (entrevistado para a matéria), nos últimos três anos, os jornais norte-americanos, ou melhor, as empresas que os produzem, perderam 42% de seu valor de mercado na bolsa. The New York Times, por exemplo, viu suas ações caírem 54%, em Wall Street, desde 2004. E não é apenas especulação financeira: desde 1990, um quarto dos empregos em jornais norte-americanos foram simplesmente extinguidos.

Sem contar que apenas 19% dos americanos entre dezoito e 34 anos afirma “ter dado uma olhada” num jornal de papel no último mês (a idade média do leitor de jornal, nos Estados Unidos, está em 55 anos, e subindo). Não à toa, as famílias que foram, por décadas, proprietárias de marcas estabelecidas nos EUA, como The Wall Street Journal e Los Angeles Times, venderam a maior parte de sua participação.

A empresa que dirigia The Washington Post deixou de ser só de “mídia” para acrescentar um braço de “educação”. Mas analistas de mercado, como os do Deutsche Bank, aconselham seus clientes a se desfazerem logo das ações de jornais, mesmo que sejam do “melhor do mundo”, The New York Times. Um pouco atrasados, os jornais vêm migrando para a internet — contudo, como reforça a New Yorker, suas receitas on-line ainda não cobrem as perdas em anúncios e circulação.

Lembrando a previsão de Philip Meyer — de que os jornais vão desaparecer antes de 2050 —, a segunda melhor revista do mundo pede que se abra, logo, o Newsmuseum, o museu do jornal.

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Bahia em Pauta comenta: Depois não digam que ninguém avisou!

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