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Postado em 26-08-2009
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 26-08-2009 10:34

Edward Kennedy: perda democrata
Ed
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John, Bob e Ted: partiram os tres grandes dos Kennedy
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Deu no jornal Público, de Lisboa, sobre a morte de Edward Kennedy

A notícia da morte do senador Edward Kennedy chega no momento em que uma luta de poder parece debilitar a visão democrata daquilo a que ele chamava “a causa da minha vida”: dar a todos os norte-americanos cobertura num sistema de saúde que eles possam pagar.

Depois de décadas a preparar o terreno um novo sistema de cuidados de saúde, Kennedy, que morreu terça-feira aos 77 anos, foi obrigado a desempenhar um papel limitado no combate, para fazer avançar esta legislação, desde que lhe foi diagnosticado um cancer no cérebro, em maio. Mas, apesar de ter estado afastado do Congresso a maior parte do ano, Kennedy, um dos mais eficazes legisladores da história dos EUA, conseguiu ajudar a escrever uma versão inicial da lei.

Entre tratamentos de quimioterapia, permaneceu em contacto, o melhor que podia, com colegas e com o presidente Barack Obama, a quem pediu que fizesse da reforma da saúde a sua prioridade máxima. Mas a ausência física de Kennedy, de  Capitol Hill, criou um vazio entre os que tentam forjar um acordo.

“Se o país acabar sem reforma da saúde, penso que a culpa será da desgraça divina”, disse Paul Light, do Centro de Estudos do Congresso da Universidade de Nova Iorque. “Kennedy tinha a energia necessária diante de negociações e era sensível à necessidade de bipartidarismo”, diz Light. “O debate agora está bloqueado e entra num círculo vicioso. Kennedy não o teria permitido.”

Mas a morte do senador, com a extensa cobertura midiática e a lembrança do carinho que as pessoas têm por ele, pode também fazer avançar uma legislação que será vista como um tributo ao trabalho da sua vida.

O senador republicano John McCain chamou a Kennedy “o membro mais eficiente do Senado quando queremos resultados”. Numa entrevista em junho com a Reuters, McCain notou as dificuldades em alcançar um acordo sobre a saúde sem ele. “A ausência de Ted Kennedy é um fator muito grande”, disse McCain. “O que Ted Kennedy faz habitualmente é sentar-se e negociar e depois é possível chegar a algum tipo de acordo.”

Muitos analistas acreditam que será possível chegar a uma lei do sistema de saúde até ao fim do ano. Mas dizem que certamente vai ficar longe do objectivo de Kennedy de dar cobertura a todos os 46 milhões de norte-americanos que não têm seguro de saúde.

“O que quer que aconteça, Kennedy merece crédito por ter sido durante décadas a luz que guiou todos neste assunto”, diz Ethan Siegal, do Washington Exchange, grupo que acompanha o Congresso para investidores institucionais.

Nascido no privilégio e na riqueza, Kennedy tornou-se numa voz dos jovens e velhos, pobres, minorias e trabalhores durante o quase meio século que passou no Senado. Ao longo dos anos, liderou bem-sucedidos esforços na melhoria das escolas, reforço dos direitos cívicos, aumento do salário mínimo, ilegalização de discriminações e alargamento do acesso a cuidados de saúde.

“Há muito a fazer”, disse Kennedy à Reuters numa entrevista de 2006 em que lhe foi pedida para explicar o que até os críticos chamam os seus esforços incessantes em nome dos oprimidos. “Acima de tudo é a injustiça que continuo a ver e a oportunidade de ter algum impacto sobre isso”, acrescentou.

(Nota so Bahia em Pauta: Texto do jornal Público, de Lisboa, com informações da Reuters)

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Comentários

Regina on 26 agosto, 2009 at 16:01 #

Perdemos hoje um importante membro da bancada Democrata nos Estados Unidos. O Senador Edward Kennedy foi um grande lutador das causas liberais e dos direitos civis nessa nação. Por quase 5 décadas, Ted, foi a inspirarão e o líder liberal, um verdadeiro “Leão do Senado”, como era conhecido e respeitado entre seus colegas e o publico americano. Obrigada por sua liderança, sua voz, e o seu árduo trabalho e dedicação ao serviço publico. Nos perdemos um batalhador incansável de importante causas como: educação, direitos civis, saúde (Health Care for all Americans), reforma imigratoria, etc.
Sem duvida que ainda ha muito que fazer, mas Ted fez sua parte.


Dylan on 28 agosto, 2009 at 13:21 #

Com a morte do senador Edward Kennedy, fechou-se mais um capitulo da dinastia política desta família, marcada pela tragédia e os escândalos, mas mais importante, modelo do idealismo e da concepção do sonho americano.

Todos os irmãos foram expoentes do liberalismo norte-americano, partilharam o mesmo legado: a democracia, inclusive morreram em nome dela. A ambição política progressista era correspondida com triunfos retumbantes, dados pelas minorias sem voz, pelos imigrantes e injustiçados, no fundo, a possibilidade de todos acreditarem novamente na América, pelas mãos de três grandes estadistas.


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