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Em entrevista ao blog Oba Oba a DJ Vivian Seixas, filha de Raul Seixas abre o coração e fala sobre o baiano mais notável do rock brasileiro, que partiu há 20 anos, como alguém que conheceu e conviveu com o maluco beleza como ninguém.Vivi fala com carinho do Raul pai, caseiro, “às vezes meio careta”, mesmo quando já carregava o mito de revolucionário, o que ele sempre foi, de fato no terreno da criatividade e da ousadia, desde a infância.

Os primeiros tributos do Bahia em Pauta a Raul neste dia de recordações de um compositor, intérprete e pensador genial da Bahia e do País, são a reprodução de trechos da entrevista de Vivi, e a escolha de “Tente outra vez”, como música do dia. Tem mais, mas por enquanto confira a entrevista e a canção. Pense em Raul Seixas como se ele ainda estivesse entre nós, olhando com esperança para o futuro, mesmo quando o presente se mostrava desanimador.

( Vitor Hugo Soares)

===================================================== Vivi :”pai revolucionário e careta”
VIVI
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BLOG OBA OBA

Vivi e o pai Raul

“Há 20 anos, no dia 21 de agosto de 1989, a música brasileira perdia Raul Seixas. E já que o ano foi repleto de homenagens ao pai do rock brasileiro, o !ObaOba resolveu dar um tom diferente e trazer à luz um Raul caseiro, intimista, às vezes até meio “careta”. Fomos buscar um homem por trás do mito com alguém conheceu Raul melhor do que ninguém: sua filha Vivian.

Hoje, Vivi Seixas é DJ, especialista em house, já tocou na D-Edge, animou um fim de tarde em Ibiza, conheceu de perto a cena eletrônica da Austrália. É fã declarada de Pink Floyd, The Doors, Led Zeppelin e Jimi Hendrix, mas não teve paciência para dedicar-se às cordas do violão, que de acordo com ela, “machucam demais os dedos”. Nem por isso, o rock passou longe: ela já chegou a se apresentar com banda e é figurinha carimbada nos tributos a Raul Seixas. Afinal, ela é a “fã número zero” do pai.

E como fã número zero que é, é dela a palavra em nossa singela homenagem ao Maluco Beleza.

No início da carreira, o fato de ser filha do Raul Seixas ajudou ou atrapalhou?
Por um lado, abre muitas portas. Quando as pessoas veem o sobrenome Seixas, elas ficam curiosas, interessadas em conhecer. Por outro lado, tem uma responsabilidade maior, por ser filha dele. Às vezes, as pessoas esperam que eu seja tão genial e tão incrível como meu pai.

E o fato de você fazer um som diferente do dele não desagrada os fãs?
As pessoas cobram… (Perguntam) Se eu não toco violão, se eu não canto. Sempre tem essas perguntas. Mas acho que cada um tem que seguir o seu caminho. Como diria uma música do meu pai: “Não sei onde eu estou indo, mas sei que estou no meu caminho” (“Por quem os sinos dobram”). Enquanto vocês me criticam, eu estou no meu caminho. Durante um bom tempo, quando virei DJ, essa foi a música em que eu me espelhava.

Então, de um jeito ou de outro, a música do Raul te influencia…
Com certeza, me ajuda bastante. Sempre ouço os discos dele. Sou fã número um… Número zero, na verdade (risos)!

Sempre se ouve falar que o Raul era doidão, Raul era isso, Raul era aquilo. Como era o Raul em casa?
Pois é. Mas em casa, ele tinha um lado bem careta. Não gostava que eu fizesse malcriação com a minha mãe. Lembro que quando eu era bem pequenininha – devia ter uns quatro aninhos -, fiz uma malcriação qualquer, ele abaixou minha calcinha e me deu três tapas na bunda (risos). Ele disciplinava pra caramba, mas era um pai muito carinhoso, muito engraçado. Ele era todo carinho, bem mansinho… Nunca aumentava a voz, nunca gritava; coisa de baiano, né (risos)? E ele tinha umas brincadeiras engraçadas, que ele fazia comigo…

E você tinha um contato frequente com ele ou ele viajava muito?
Tinha. Até meus seis anos de idade, quando minha mãe se separou do meu pai. A gente morava junto em São Paulo. Mas, quando eu vim pro Rio, durante dois aninhos – quando eu tinha oito ele morreu -, ele morava em São Paulo, mas sempre vinha pro Rio me visitar, aparecia de surpresa no colégio. Eu adorava: descia na hora da aula, matava aula pra ficar conversando com o meu pai…

E os coleguinhas da escola nessa hora?
Ah, ficava o maior buxixo, né? “O Raul Seixas tá aí!”. E eu descia toda orgulhosa! Mas a gente sempre teve contato. Minha mãe sempre fez questão da gente estar sempre muito pertinho – ao contrário das minhas outras irmãs, com quem meu pai não teve muito contato.

Nesses últimos 20 anos, parece que Raul, Bob Marley e Jimi Hendrix só cresceram. Como você encara esse legado do seu pai hoje?
É verdade. Eu fico impressionada que muita garotada de oito anos de idade, que não era nem vivo quando meu pai morreu, vai nos shows e fala que é fã. Então, eu acho que ele tem essa mágica de tocar as pessoas da geração dele e as pessoas que estão crescendo hoje em dia, que são novinhas e que gostam de Raul por causa dos pais. Então, ele atinge do rico ao pobre, da madame ao… Ele vai viver pra sempre.

E como é acordar de manhã e pensar: “Pô, sou filha de um cara que vai viver pra sempre”?
Você acostuma, né (risos)? Mas é orgulho, cara! Tenho muito orgulho! E eu gosto de conversar sobre ele porque é uma forma que eu tenho de lembrar dele. Às vezes, as pessoas perguntam: “Você fica chateada de falar do seu pai?”; de forma nenhuma, eu gosto! A gente gosta de falar das pessoas que a gente ama…

Como foi quando ele morreu, você já tinha idade para assimilar e entender?
Ah, foi triste, né? Eu já tava bem espertinha… Mas eu lembro que um mês antes de ele morrer, eu fui a São Paulo fazer uma visita e eu, minha mãe e meu pai fomos numa padaria, umas 10h, 11h da manhã. E a gente foi de mãos dadas, andando. Ele chegou na padaria e pediu um chope. Eu comecei a chorar. Ele perguntou pra mim porque eu estava chorando e eu falei que não gostava que ele bebesse. Eu não lembro bem, mas ele falou alguma coisa tipo: “Poxa, papai sabe o que tá fazendo, não se preocupa”. E um mês depois ele morreu. Acho que foi um feeling que eu tive de que tinha alguma coisa que não estava legal.

Hoje existe um culto ao Raul, muitos fãs dele são meio idólatras. Como é isso pra você?
Pra mim, é difícil entender… Quer dizer, lógico que eu tenho noção do que ele representa. Mas, pra mim, é difícil entender o Raul como um mito, como um ídolo, porque, antes de ser o Maluco Beleza, ele é meu pai (risos). Mas eu acho que até hoje, as letras dele são muito atuais. Acho que é por isso que ele faz cada vez mais sucesso: você ouve uma música dele que foi gravada 30 anos atrás e parece que foi feita hoje, pro momento atual.

LEIA INTEGRA DA ENTREVISTA NO OBA OBA
http://www.obaoba.com.br

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Comentários

Gregory Despain on 18 setembro, 2011 at 5:23 #

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