Cena do curta de Ceci
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Maria Olívia

A primeira exibição do curta-metragem Doido Lelé, da jornalista e cineasta baiana Ceci Alves, acontece hoje, 30 de julho, às 20h30min, como parte do V Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual, realizado no Teatro Castro Alves.

Inspirado nas memórias do pai da jornalista, a fita conta a história de um garoto negro, morador da periferia de Salvador, que tem um sonho: Cantar no rádio. O ator mirim Vinícius Nascimento – atuou no filme e na minissérie Ó Pai Ó – é o protagonista da história de Ceci. O curta, que venceu concurso de roteiros do Ministério da Cultura, é ambientado na Bahia dos anos 50 e tem trilha musical assinada por Gerônimo.

Como tive a honra de ser convidada especial da amiga, jornalista e cineasta Ceci Alves, formada em Havana, na melhor escola de cinema da América Latina, estarei presente na plateia e na “fila do gargarejo”.

Chegue junto!

Maria Olivia é jornalista

jul
30
Posted on 30-07-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais, Multimídia) by vitor on 30-07-2009


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Deu na revista digital

Terra Magazine postou nesta quinta-feira(30) uma das mais interessantes análises produzidos até aqui, sobre o documentário “Coração Vagabundo”, dirigido por Fernando Grostein Andrade, que focaliza o cantor-compositor santamarense, Caetano Veloso, durante a turnê de lançamento do disco “A Foreiggn Sound”, de 2004.

De Salvador, depois de ver o filme, o músico e produtor Paquito fala de Caetano, “seu peculiar senso de humor, seus comentários sobre religião, cultura, música” e outros temas sobre os quais o artista baiano discorre com generosidade e poder de síntese. (Vitor Hugo Soares)

Bahia em Pauta e pede licença ao editor-chefe de Terra Magazine , Bob Fernandes, para compartilhar com os leitores deste site-blog baiano (com sonhos cosmopolitas que passam por São Paulo e terras mais distantes ), o expressivo texto de Paquito, com os devidos agradecimentos e créditos

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O Coração Vagabundo de Caetano

Paquito
De Salvador (BA)

“Fui ver Coração vagabundo, documentário sobre Caetano Veloso, dirigido por Fernando Grostein Andrade, e que acompanha o cantor-compositor na turnê do disco A foreign sound, de 2004. Fui ver e curti viajar com Caetano, seu peculiar senso de humor, seus comentários sobre religião, cultura, música, enfim, assuntos acerca dos quais discorre com generosidade e poder de síntese: “eu sou do sol, quero ser lúcido e feliz”.

Não é um retrato que se pretende absoluto ou historicamente detalhado; são instantes, momentos no Japão e nos EUA, dos quais se pode destacar a resposta a Hermeto Paschoal, que o chamou de “musiquinho”, após Caetano ter declarado que achava a música americana mais rica que a brasileira. Caetano usa o próprio discurso de Hermeto para desenvolver o seu raciocínio de maneira brilhante. É o que ele mesmo já chamou de “dança da inteligência”. Não é pra, simplesmente, se concordar com o que ele diz, mas pra se pensar sobre.

Há instantes engraçados, como quando ele se vê diante de uma sobremesa japonesa que receia comer, por não gostar no aspecto, e há a conversa com um monge budista que diz gostar da canção Coração vagabundo, que dá título ao filme. Me interessa falar desta música, lançada em 1967, antes da explosão tropicalista, e referida quarenta anos depois neste filme, não por acaso.

Coração vagabundo, a canção, aparentemente uma bossa-nova tardia, é um samba curto que sintetiza o percurso de Caetano: anúncio e prenúncio do que viria a seguir na sua obra, por conta dos versos iniciais – “meu coração não se cansa/ de ter esperança/ de um dia ser tudo o que quer”- e finais, “meu coração vagabundo/quer guardar o mundo em mim”. Não só a “lembrança de um vulto feliz de mulher”, não só a procura romântica do objeto amoroso único, tema constante das canções da bossa-nova, mas a apreensão da complexidade das coisas do mundo e as utopias possíveis, mais amplas que as utopias da esquerda tradicional.

O tropicalismo quer abraçar e guardar o mundo e o Brasil, por isso une o aparentemente inconciliável, bossa-nova e iêiêiê, cafonice e sofisticação, na ânsia de apreendê-lo. Como ele mesmo antecipou no texto para o LP pré-tropicalista de Gil: “que se coloquem em outro nível as relações de nossa música com a realidade. (…) prefiro descobrir e ressaltar que a verdade mais profunda da beleza do seu trabalho está no risco que corre de descobrir uma beleza maior: a capacidade de criar uma obra íntegra, assumindo o Brasil inteiro”.

O ponto de partida foi todo um raciocínio de Caetano em cima das lições de João Gilberto e da bossa-nova, o que fez dele um caso único de artista que pensou a música popular. Em Coração vagabundo, ele oferece uma alternativa existencial distinta da do lirismo bossa-novístico, algo que vai desenvolver também em canções posteriores. A Inútil paisagem, de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira, tornar-se-á a Paisagem útil, em suas mãos. As Janelas abertas de Tom e Vinicius, “para que o sol possa vir/ iluminar nosso amor” tornar-se-ão “as portas que dão pra dentro” e “janelas pra que entrem/ todos os insetos” de Janelas abertas número 2, de Caetano. E Saudosismo, deste último, relê a Fotografia, de Tom, e cita Lobo bobo, de Lyra e Bôscoli, e A felicidade e Chega de saudade, ambas de Tom e Vinicius.

Se a pós-modernidade prevê a falência das utopias, Caetano é moderno, pois canta “não tendo utopia/ não pia a beleza também” em Love love love. O projeto estético, portanto, comporta uma ética, “um acorde perfeito maior/ com todo mundo podendo brilhar no cântico” de Muito romântico. E há a crença na nossa identidade como algo que pode interferir nos destinos do mundo, apesar e por conta de nossa diferença: “absurdo, o Brasil pode ser um absurdo/ até aí, tudo bem, nada mal/ pode ser um absurdo, mas ele não é surdo/ o Brasil tem ouvido musical/ que não é normal”, também de Love love love.

Todo esse vasto universo, no entanto, pode ser visto como desdobramento de Coração vagabundo, em sua simplicidade cristalina, com o que a canção ambiciona – “ser tudo o que quer”- e persegue – “guardar o mundo”. As palavras “tudo” e “mundo” abrem prováveis e improváveis portas e janelas, pela variedade, conjugada à unidade, do que significam.

A obra, a vida. Desde que apareceu no cenário da cultura, Caetano dá muitas entrevistas, discute, se expõe, movimenta-se. Até hoje é assim, e assim foi, como quando teve o blog Obra em progresso, antes de lançar o recente Zii e Zie: aos 66 anos, o artista respondia sempre a todos, e estava atento aos que dele discordavam. Da Bahia, onde há um bolsão de resistência, roqueiros iniciaram um diálogo. Nos dois últimos discos e shows, se fez acompanhar por uma banda de rock, com integrantes mais jovens, oriundos do underground carioca. O coração, portanto, continua vagabundo, e os desafios ainda maiores, num Brasil/mundo cada vez mais fragmentado e partido.

Paquito é músico e produtor.

TERRA MAGAZINE:(http://terramagazine.terra.com.br)

jul
29

Cerveja para três
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ERA OBAMA

DIPLOMACIA DA CERVEJA

Regina Soares

O presidente dos Estados Unidos, o oficial de Policia de Cambridge (MA) e o professor da Harvard University encontram-se hoje na Casa Branca,  para compartilhar cervejas e, possivelmente, entenderem-se acerca do incidente que os ligou, de uma maneira infeliz, na semana passada.

James Crowley, of icial de policia (branco), algemou e prendeu o professor Henry Louis Gates Jr. (negro),  e m  f rente a sua residência, depois de receber um telefonema de uma passante ao ver o professos e um outro acompanhante, forcarem a porta de entrada da casa, o que lhe pareceu suspeito. Ambos personagens trocaram ofensas que arranharam os egos e a etinicidade.

Quando o presidente Obama, na quarta feira passada, o meio de uma conferencia, foi questionado sobre o incidente, declarou que achava que o oficial de policia tinha agido estupidamente (“acted stupidly”), o velho debate sobre perfil racial veio a tona em toda a Nação de maneira feroz, de tal modo que ocupou o lugar de duas importantes questões do momento, Reforma do Plano de Saúde e a histórica confirmação da Juíza Sonia Sotomayor para a Suprema Corte. Obama apressou-se em pedir desculpa pela infeliz escolha de palavras.

A troca de ofensas daquela tarde,  entre duas pessoas respeitadas em suas respectivas profissões e no meio em que circulam, se transformou em um ardente debate onde americanos tiraram suas próprias conclusões quanto ao preconceito racial, comportamento apropriado no relacionamento entre profissionais e opinião do presidente sobre um assunto local do qual, segundo ele mesmo reconheceu, não conhecia todos os detalhes, embora seja de conhecimento publico de que ele e o professor de Harvard são amigos.

Após telefonemas trocados entre as partes, foi sugerido por Crowley (o policial), um encontro dos três para uma cerveja da reconciliação. Mas, o que servir? Crowley prefere Blue Moon beer, Gates favorece a Red Stripe, enquanto o presidente já foi visto com uma Budweiser no “All-Star game”. Essa noite, juntamente com suas familias, espera-se que cheguem a um dominador comum.

Só nos resta esperar que, além de uma boa oportunidade para fotos, o diálogo entre os indivíduos envolvidos no caso e suas representações, os reponsáveis por aplicar a lei e as minorias, siga aberto e melhore.

Regina Soares, advogada, mora em Belmont, área da baia de San Francisco, Califórnia (USA).

jul
29

Sarkozy e Carla em Itacaré (BA)/Arquivo-2008
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O presidente da França, Nicolas Sarkozy, que entra de férias amanhã, disse nesta quarta-feira(29) em París, que o mal estar que sofreu no domingo passado, quando corria, foi só uma questão de falta de energia momentânea.

“Fiquei sem gasolina, como pode acontecer com qualquer um” disse o dirigente francês ao fim de uma reunião do gabinete de governo no Palacio do Elíseo, antes de sair de férias que passará com sua esposa e seus filhos às margens do Mediterrâneo.

No domingo, o político consevador de 54 anos se sentiu mal enquanto corria nas proximidades da residência governamental em Versailles, e foi levado ao hospital, onde passou a noite em observação.

“Tive um golpe de fadiga, mas quero dizer aos franceses que minha saúde é boa”, insistiu o presidente, que também agradeceu às mensagens enviadas por numerosos mandatários estrangeiros preocupados com sua saúde.

“Passei por toda uma série de exames que dão como resultado que não tenho nada. Tenho que descansar”, concluiu Sarkozy, que agora inicia três semanas de férias com a mulher, Carla Bruni, na casa da da família da cantora, em Cap Negre, na  Riviera francesa.

Moderação, Sarkô!

(Vitor Hugo Soares, com informações da edição online de El Mundo, de Madri, e agências européias de notícias)

jul
29
Posted on 29-07-2009
Filed Under (Newsletter) by vitor on 29-07-2009

Dica de TV do Bahia em Pauta

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Fora da lei

Carlos Monforte comanda o Espaço Aberto desta quarta-feira(29), às 21.30h, na Globo News, para quem tem assinatura de canal privado, que vai falar sobre corrupção. A expulsão de servidores públicos por práticas ilícitas, bate recorde: 311 são demitidos por ano. Participam Jorge Hage, ministro-chefe da CGU; e Leonardo Bandarra, presidente da Confederação Nacional dos Procuradores-Gerais (CNPG).

Imperdível

(Maria Olívia, jornalista)

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jul
29
Posted on 29-07-2009
Filed Under (Multimídia) by vitor on 29-07-2009


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A música para começar o dia nesta quarta-feira (29) no Bahia em Pauta não precisa de mais nenhuma explicação, além do título: “Ainda é tempo pra ser Viver Feliz”. O mais é ouvir e se deliciar com Zeca Pagodinho e Beth Carvalho e lutar firmemente, acreditando que o mal pode ser vencido e todos, no Rio, em Salvador e no resto do país poderão viver feliz e em paz. Tente, e conte com a gente.

(Vitor Hugo Soares)

jul
29
Posted on 29-07-2009
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Massa: primeiros socorros na Hungria
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Os médicos atendem Felipe Massa, no hospital do Budapeste onde o piloto brasileiro da Ferrarri está internado deque sofreu um grave acidente na qualificação do Grande Prémio da Hungria, informaram que o paciente segue apresentando melhoras significativas, mas “tem uma inflamação biliar”.

Apesar desse problema físico, Massa continua a apresentar melhorias do seu estado de saúde geral e poderá ser transferido para o Hospital de Pitie-Salpetriere em Paris, ainda esta semana.

“No choque, o cinto de segurança comprimiu violentamente o seu corpo, os intestino e a vesícula biliar”, afirmou o médico do hospital militar em que Felipe massa se encontra internado, segundo informa a edição online do jornal Diario de Notícias, de Lisboa.

Massa foi atingido no capacete por uma peça (mola de suspensão) que soltou do carro do compatriota Rubens Barrichelo e acabou por se chocar com o muro de pneus a 190 km/h. Apesar do forte impacto dessa peça no capacete, Massa não apresenta qualquer problema grave no olho esquerdo, segundo os médicos que o acompanham.

(Postada por:Vitor Hugo Soares, com informações de agências de noticias européias e do jorna Diário de Notícias. de Lisboa)

jul
29
Posted on 29-07-2009
Filed Under (Artigos, Gilson) by vitor on 29-07-2009

Ilustração: Gilson Migué
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OPINIÃO/CIDADES

Bandidos à solta

Gilson Nogueira

Comparações sobre beleza enfadam-me. Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos,Antoine de Saint-Exupéry escreveu. Francês retado, autor do livro O Pequeno Príncipe.

Cotejar Salvador com Rio de Janeiro, por exemplo, para apontar a mais bonita das duas capitais, faz-me solicitar, no ato, que me indiquem a porta de saída, com urgência, a fim de livrar-me do papo careta e, por tabela, dos chatos de plantão. Rio e Salvador são consideradas as mais belas metrópoles do Brasil, por suas belezas naturais. Se o quesito decisivo for violência urbana, não há vencedor, dá empate técnico.

A violência, lá, como cá, está a atingir níveis insuportáveis, fazendo com que os habitantes das duas cidades sintam-se cada vez mais indefesos por ineficiência do aparelho policial e da ausência de políticas públicas eficazes, com capacidade de conter a progressão geométrica desse câncer social. Não à violência urbana deveria ser o lema de campanha envolvendo todos os veículos de comunicação de massa do país, com o propósito de sensibilizar a nação para o gravíssimo problema. Que surjam os criativos e os patrocinadores da empreitada, aqui sugerida, paro bem do povo!

Por conta da violência, sente-se, já, em diversos locais, que muitas pessoas, sem saber, talvez, blindam-se no contato com o outro, nas ruas e shoppings ( e, até, no elevador do edifício onde moram ), prejudicando, por conseguinte, as boas relações humanas, tão necessárias à saúde da sociedade. Nesses encontros, fortúitos, ou não, sob o manto da desconfiança, esvai-se a cordialidade, esquece-se a gentileza, ignora-se a simpatia mútua, joga-se fora a felicidade, afugenta-se a convivência feita de coisas simples, como o aperto de mão, o sorriso cordial, o cumprimento educado, o simples alô!O prejuízo é enorme. E a paz entre os homens, aditivo que movimenta a confraternização entre os povos, vai para o brejo, como grande prejudicada.

A violência chega, a passos largos, às mais longínquas vilas do território brasileiro. Ali, marginais visitantes e marginais locais, os que nasceram no teatro onde o crime é praticado, assaltam e matam confiantes na impunidade. Espalham o terror por onde passam. Deixam suas marcas nos corações dos que tiveram seus entes queridos e amigos por eles assassinados. E muitos não são presos por isso. Fogem para matar mais. O tema Violência precisa ser discutido com mais profundidade, pela população brasileira, objetivando ao enfrentamento das suas causas , hoje. Ações policiais devem ser intensificadas. de Norte a Sul, com inteligência, para evitar uma barbárie coletiva. Aparelhe-se, em nível de primeiro mundo, todas as polícias. A força da lei é inquestionável. Aplique-se ela.

O medo, nesse cenário desalentador, de quase total desamparo do cidadão, pela inércia de gestores públicos, é parceiro da agonia e da desesperança. A pátria clama por segurança, ao ver, na mídia, assassinos de todos os matizes sendo contemplados com reduções de penas e verdadeiras mordomias concedidas pela justiça. Sua população está no limite da paciência..

…Por enquanto, amigo, mude seus hábitos, não saia às ruas, principalmente, à noite. Sua vida não tem preço. A sociedade está presa. Os bandidos estão soltos. Inclusive, no Congresso.

Gilson Nogueira é jornalista

jul
29
Posted on 29-07-2009
Filed Under (Newsletter) by vitor on 29-07-2009

Deu na coluna:

A coluna do jornalista Alex Ferraz, na edição desta quarta-feira(29) da Tribuna da Bahia, está inperdível, como sempre. Dois aperitivos, a seguir, para os leitores do Bahia em Pauta

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Tudo é bolsa

Toda a propaganda do governo Lula/PT é centrada na esmola que permite aos pobres comprar gás de cozinha, gêneros alimentícios de primeiríssima necessidade (feijão, arroz e farinha) e, com isso, diz que reduziu a miséria absoluta em mais de 40%. Sim. Reduziu. Mas de que adianta reduzir a miséria absoluta se a miséria parcial, em que vivem todos os do Bolsa Família, continua lá, intacta? Sem perspectivas de um emprego formal que finalmente lance essas famílias num patamar digno.

E por falar…

… em infra-estrutura que amarra nosso desenvolvimento e consequente não-geração de empregos, o nosso blog http://osinimigosdorei.blogspot.com traz uma radiografia rápida da infra-estrutura rodoviária da Bahia que, segundo o Guia Quatro Rodas, é a pior malha do Brasil. Até a Ford, que é a única grande multinacional a ter tido coragem de se instalar na Bahia, sofre com a buraqueira de nossas estradas. Confiram nosso blog.
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Leia integra da coluna de Alex na Tribuna da Bahia

jul
29
Posted on 29-07-2009
Filed Under (Artigos, Eventuais) by vitor on 29-07-2009

Cartório: triunfo da burocracia
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CRÔNICA DA CIDADE
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MEU DIA NUM CARTÓRIO DA CAPITAL

Carlos Neto

Ontem, dia 28 de julho, fui obrigado a me dirigir ao Cartório de Tabelionato de Notas do 10º Ofício – Distrito da Vitória, para reconhecer a firma de um documento de transferência de um veículo que acabara de vender.

Cheguei às 8h30min, me reportei a uma atendente sobre a possibilidade de abrir uma firma. Ela assim me respondeu: “Nós só abrimos dez firmas por dia, corre e pega uma senha que só tem duas fichas” (sic). Corri no balcão e, ofegante, agarrei, com um misto de alegria e alívio, a minha senha de número 40. Naquele momento o painel registrava o atendimento de número 06.

Aproveitei meu longo tempo de espera para observar o dia-a-dia num cartório. Primeiro constatei que os amigos dos serventuários têm grande regalia. Um policial, muito cortês, realizava o atendimento dos idosos. Ops! Um policial realizava o atendimento? Isso mesmo. Enquanto a população está completamente insegura, contingente policial, em desvio de função, atua nos burocráticos ninhos cartoriais.

Já passava das nove e o painel, emperrado, registrava a senha de número 26, e dali não saia. Usuários entravam e saiam, sopravam, resmungavam e nada adiantava. Para não dizer que aspectos positivos não foram observados, o ar condicionado estava funcionando, e bem.

Quase dez da manhã e nada. Levantei e fui andar um pouco. Passei a ler os avisos estampados em diversos locais do salão. O primeiro em letra tamanho 20 informava o artigo do Código Penal que penaliza o desacato ao funcionário público, os outros eram todos taxativos e bem claros para não ter reclamação. Mas uma pergunta que não quer calar, e nós usuários que ficamos mais de duas horas numa fila sendo desrespeitados, recorremos a quem?

Enfim chegou minha vez. Eram exatamente 10h08min. Após reconhecer a firma, ainda fui obrigado a trocar o dinheiro, pois a atendente não tinha troco. Essa mesma atendente é muito eficaz, mas em termos de cordialidade e cortesia dispensada aos usuários aí, aí, aí.

Até quando ?

Carlos Neto é jornalista

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