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Postado em 29-07-2009
Arquivado em (Artigos, Gilson) por vitor em 29-07-2009 11:02

Ilustração: Gilson Migué
miguel

OPINIÃO/CIDADES

Bandidos à solta

Gilson Nogueira

Comparações sobre beleza enfadam-me. Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos,Antoine de Saint-Exupéry escreveu. Francês retado, autor do livro O Pequeno Príncipe.

Cotejar Salvador com Rio de Janeiro, por exemplo, para apontar a mais bonita das duas capitais, faz-me solicitar, no ato, que me indiquem a porta de saída, com urgência, a fim de livrar-me do papo careta e, por tabela, dos chatos de plantão. Rio e Salvador são consideradas as mais belas metrópoles do Brasil, por suas belezas naturais. Se o quesito decisivo for violência urbana, não há vencedor, dá empate técnico.

A violência, lá, como cá, está a atingir níveis insuportáveis, fazendo com que os habitantes das duas cidades sintam-se cada vez mais indefesos por ineficiência do aparelho policial e da ausência de políticas públicas eficazes, com capacidade de conter a progressão geométrica desse câncer social. Não à violência urbana deveria ser o lema de campanha envolvendo todos os veículos de comunicação de massa do país, com o propósito de sensibilizar a nação para o gravíssimo problema. Que surjam os criativos e os patrocinadores da empreitada, aqui sugerida, paro bem do povo!

Por conta da violência, sente-se, já, em diversos locais, que muitas pessoas, sem saber, talvez, blindam-se no contato com o outro, nas ruas e shoppings ( e, até, no elevador do edifício onde moram ), prejudicando, por conseguinte, as boas relações humanas, tão necessárias à saúde da sociedade. Nesses encontros, fortúitos, ou não, sob o manto da desconfiança, esvai-se a cordialidade, esquece-se a gentileza, ignora-se a simpatia mútua, joga-se fora a felicidade, afugenta-se a convivência feita de coisas simples, como o aperto de mão, o sorriso cordial, o cumprimento educado, o simples alô!O prejuízo é enorme. E a paz entre os homens, aditivo que movimenta a confraternização entre os povos, vai para o brejo, como grande prejudicada.

A violência chega, a passos largos, às mais longínquas vilas do território brasileiro. Ali, marginais visitantes e marginais locais, os que nasceram no teatro onde o crime é praticado, assaltam e matam confiantes na impunidade. Espalham o terror por onde passam. Deixam suas marcas nos corações dos que tiveram seus entes queridos e amigos por eles assassinados. E muitos não são presos por isso. Fogem para matar mais. O tema Violência precisa ser discutido com mais profundidade, pela população brasileira, objetivando ao enfrentamento das suas causas , hoje. Ações policiais devem ser intensificadas. de Norte a Sul, com inteligência, para evitar uma barbárie coletiva. Aparelhe-se, em nível de primeiro mundo, todas as polícias. A força da lei é inquestionável. Aplique-se ela.

O medo, nesse cenário desalentador, de quase total desamparo do cidadão, pela inércia de gestores públicos, é parceiro da agonia e da desesperança. A pátria clama por segurança, ao ver, na mídia, assassinos de todos os matizes sendo contemplados com reduções de penas e verdadeiras mordomias concedidas pela justiça. Sua população está no limite da paciência..

…Por enquanto, amigo, mude seus hábitos, não saia às ruas, principalmente, à noite. Sua vida não tem preço. A sociedade está presa. Os bandidos estão soltos. Inclusive, no Congresso.

Gilson Nogueira é jornalista

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Comentários

Regina on 29 julho, 2009 at 14:20 #

Muito bem Gilson! O quarto paragrafo do seu texto eh um retrato perfeito dos danos da violencia nos nossos contatos diarios.
Nao entendo a rivalidade entre Rio e Salvador, duas cidades com caracteristicas diversas no que diz sentido a beleza natural e cultural. Ambas donas de sua nobresa no senario brasileiro. “Cada qual com seu cada qual”…
Quanto a violencia eh produto de falta de educacao, nutricao, respeito humano, etc… o ser humano rejeitado e despojado dessas necessidades basicas fica so o animal!!!!
Concordo com vc que esse eh um problema de todos, inclusive o Governo que nos representa, e nao da pra ficar de bracos crusados ou escondidos em casas cercadas de altos muros. Temos que demonstrar o que sentimos no dia a dia a cada passo, senao vamos nos transformar em uma sociedade de “mocinhos” X “bandidos” e ningem mesmo sabe quem eh quem.


Regina on 29 julho, 2009 at 17:40 #

OK, ja sei, cenario eh com c e tem acento.
Desculpem, computador gringo nao ajuda…


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