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Postado em 29-07-2009
Arquivado em (Artigos, Eventuais) por vitor em 29-07-2009 10:14

Cartório: triunfo da burocracia
cartorio
CRÔNICA DA CIDADE
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MEU DIA NUM CARTÓRIO DA CAPITAL

Carlos Neto

Ontem, dia 28 de julho, fui obrigado a me dirigir ao Cartório de Tabelionato de Notas do 10º Ofício – Distrito da Vitória, para reconhecer a firma de um documento de transferência de um veículo que acabara de vender.

Cheguei às 8h30min, me reportei a uma atendente sobre a possibilidade de abrir uma firma. Ela assim me respondeu: “Nós só abrimos dez firmas por dia, corre e pega uma senha que só tem duas fichas” (sic). Corri no balcão e, ofegante, agarrei, com um misto de alegria e alívio, a minha senha de número 40. Naquele momento o painel registrava o atendimento de número 06.

Aproveitei meu longo tempo de espera para observar o dia-a-dia num cartório. Primeiro constatei que os amigos dos serventuários têm grande regalia. Um policial, muito cortês, realizava o atendimento dos idosos. Ops! Um policial realizava o atendimento? Isso mesmo. Enquanto a população está completamente insegura, contingente policial, em desvio de função, atua nos burocráticos ninhos cartoriais.

Já passava das nove e o painel, emperrado, registrava a senha de número 26, e dali não saia. Usuários entravam e saiam, sopravam, resmungavam e nada adiantava. Para não dizer que aspectos positivos não foram observados, o ar condicionado estava funcionando, e bem.

Quase dez da manhã e nada. Levantei e fui andar um pouco. Passei a ler os avisos estampados em diversos locais do salão. O primeiro em letra tamanho 20 informava o artigo do Código Penal que penaliza o desacato ao funcionário público, os outros eram todos taxativos e bem claros para não ter reclamação. Mas uma pergunta que não quer calar, e nós usuários que ficamos mais de duas horas numa fila sendo desrespeitados, recorremos a quem?

Enfim chegou minha vez. Eram exatamente 10h08min. Após reconhecer a firma, ainda fui obrigado a trocar o dinheiro, pois a atendente não tinha troco. Essa mesma atendente é muito eficaz, mas em termos de cordialidade e cortesia dispensada aos usuários aí, aí, aí.

Até quando ?

Carlos Neto é jornalista

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Comentários

olivia on 29 julho, 2009 at 12:27 #

É a estréia do grande Carlos Neto – conhecido nas rodas como Leleto – no Bahiaempauta . Que venham outros artigos/protestos.


lilian machado on 29 julho, 2009 at 17:51 #

Texto maravilhoso! Conseguistes retratar com muita clareza a realidade de quem precisa desses serviços. Siga em frente!


Mariana Soares on 30 julho, 2009 at 14:38 #

Caríssimo Leleto, belo e verdadeiro artigo de estréia! Parabéns! É certo que ainda precisamos andar muito para termos um serviço público descente neste nosso País, mas não desanime, amigo, pois já existe lugar onde o serviço público funciona e tende a melhorar, como você pode constatar, modéstia à parte, pelo excelente trabalho desenvolvido pela CGU, sob a batuta inigualável do Ministro Jorge Hage. Não sei até quando temos que esperar, mas chegaremos lá!


LUIZ GONZAGA FERREIRA on 3 agosto, 2009 at 7:49 #

Grande Hugo: estou aqui, muito ligado em seu blog. Obrigado pela deliadeza e atenção. Estou programando um enontro om velhos ompanheiros (Helio Duque, Nery, o historiador Muniz Ferreira) e desejo inclui-lo e a Margarida para conversarmos e degustarmos um vinho com tiragosto de atum branco. Neste mês de agosto. Abraços do Luiz de Penedo


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