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Postado em 24-07-2009
Arquivado em (Artigos, Gilson) por vitor em 24-07-2009 21:52

A santa que vela por Serrinha
sanfa
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CRÔNICA/VIVÊNCIAS

Em nome da Santa

Gilson Nogueira

O Governo do Estado da Bahia vai proporcionar ao povo da cidade de Serrinha ( 173 km de Salvador ) maior quantidade de água nas suas torneiras. Por conta disso, lembro-me das primeiras trovoadas vividas, ali, nas férias escolares. Era época do deslizar no barro molhado por tempestades raras, no início dos anos 50 do século passado, como se o desejo fugaz de velocidade tivesse, também, o de comemoração, ao sentir o frescor da chuva a nos lambuzar a cara pintada de terra e manga.

As tempestades serrinhenses caiam para fazer “sangrar” o açude da Bomba e o riacho da Bela Vista, hoje mortos, no início dos anos 50 do século passado. Alagavam, de quebra, o desejo de jogar bola, na Baixa. Não era problema. Entre as opções de lazer dos meninos, além do baba, ver passar boi de careta constituía-se em espetáculo gratuito e imperdível. Tangido por vaqueiro encourado, torcíamos pela fuga do boi, a caminho do matadouro. Perdíamos o jogo.

Com uma venda de couro sobre olhos, parecendo chifrar a própria sombra, a caminho da morte, o bicho era um perigo só. Parado, nos olhava, de lado, furioso, até o momento exato de “resolver” sair correndo, pular cercas e muros, invadir quintais, colocar assustados moradores da Avenida Antonio Rodrigues Nogueira, grande e bonita via que liga o centro da hospitaleira Serrinha ao município de Barrocas.

Desde sua fundação, Serrinha é a casa de Nossa Senhora Santana, sua padroeira. A estátua, esculpida em cimento e ferro, foi erigida pelo saudoso fazendeiro Samuel Nogueira, no alto da colina que leva o seu nome, em atenção ao pedido de seu pai, Antonio Rodrigues Nogueira, devoto da Santa e um dos pioneiros da cidade, antiga morada dos índios Cariris. Comenta-se que o belo monumento, doado pela família Nogueira ao Clero de Serrinha, está a merecer cuidados especiais da Diocese local, em vez da idéia, que muitos consideram absurda, de vir a ser trocada por uma estátua de madeira, conforme anunciado, recentemente, por um padre, em sermão de missa por ele celebrada.

Volto ao boi de careta. Como não sou adepto do “ atletismo” da Corrida de São Firmino, na Espanha, jamais desafiei touro algum, mesmo porque, considero-me, desde as touradas que os circos inventavam, hoje, no patamar de meus bem vividos anos, entre idas a vindas a Serrinha, defensor intransigente do aconselhamento naturalista de quanto menos carne verde comer, melhor para a saúde humana.

A Santa, graças a Deus, continua, lá, firme e forte, como o maior cartão-postal de Serrinha!. Os bois de careta? Bem, esses, sumiram, como os carros puxados por aqueles que não usavam máscara. “Ôa, Turmiada!; Meia-volta, Canário; Volta, Passo Preto! Na lembrança, os sons de um tempo do gemido de pau na roda e da toada dos que não imaginavam, um dia, na esteira das impiedosas agressões à história de um povo e às suas tradições religiosas e culturais, que se cogitasse transformar um símbolo de fé em pó.

Gilson Nogueira é jornalista

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Comentários

jose silva on 25 julho, 2009 at 16:15 #

Ola, amigo!!!
A sua cronica fez eu lembrar da monha infancia.
Escreva sempre sobre serrinha.


william on 14 Abril, 2012 at 19:47 #

adorei o comentario não sou nascido em serrinha mas meus pais sim ja faz 3 ou 14 anos que não ponho meus pes nesta santa cidade mas espero estar ai este ano visitando meus queridos tios e primos e apresentando esta linda cidade a minha esposa e filha serrinha quem bebe sua agua sempre volta.


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