jul
20
Postado em 20-07-2009
Arquivado em (Multimídia, Newsletter) por vitor em 20-07-2009 10:43


================================================
Deu no Jornal
Em sua edição desta segunda-feira, 20 de julho, em que a humanidade lembra os 40 anos do primeiro desembarque do homem na Lua, o diário Público, editado em Portugal, lança um olhar analítico para o fututo e tenta prospectar o que serão os vôos das naves tripuladas para outras estrelas, outras galaxias. Confira, a seguir, no texto escolhido pelo Bahia em Pauta para comemorar a data histórica.

===================================================

ATÉ ONDE SERÁ POSSÍVEL IR?

As missões tripuladas para a Lua, para Marte, talvez para algum asteróide deverão tornar-se realidade um dia destes. Mas para outras estrelas, outras galáxias?

Sair do sistema solar ainda não faz parte dos planos mais futuristas para viajantes humanos porque as tecnologias que seriam necessárias ainda não existem. Mas isso não impede cientistas mais visionários de tentarem imaginar novas formas de fazer recuar essa fronteira, vencendo o espaço e o tempo.

O grande problema com o Universo é a sua imensidão. Mesmo as sondas Voyager 1 e 2 da agência espacial norte-americana NASA, que descolaram de Cabo Canaveral em 1977, só recentemente (em 2004 e 2007, respectivamente) atingiram a antecâmara dos confins do nosso sistema solar — a zona, situada a uns dez mil milhões de quilómetros do Sol, onde a influência do vento solar começa a esgotar-se para finalmente ceder o lugar ao meio interestelar.

O grande problema com as naves e sondas espaciais actuais é que são muito lentas. Mesmo a velocidades que a nós nos parecem alucinantes — neste momento, a sonda Voyager 1, o objecto de fabrico humano mais afastado da Terra, é um bólide lançado a 17 quilómetros por segundo —, as Voyager demorariam mais de 70 mil anos a chegar aos subúrbios de Proxima do Centauro, a estrela mais perto do Sol, situada a pouco mais de quatro anos-luz de nós.

O grande problema com as naves tripuladas é, ainda por cima, o seu grande tamanho e peso (as Voyager pesam apenas 700 quilos; já uma nave do tipo da Enterprise da série Star Trek é outra história). E, se se tratasse de uma nave propulsada por motores convencionais, do mesmo tipo que os dos vaivéns norte-americanos, a NASA garante que a matéria do Universo todo não chegaria para fabricar a quantidade de combustível necessária! Claramente, as viagens tripuladas para o espaço extra-solar apresentam obstáculos aparentemente inultrapassáveis de ordem tecnológica.

FATOR HUMANO
Mas também não é possível esquecer um outro factor limitativo: o simples (ou, pelo contrário, muito complexo) fator humano, com as suas vertentes éticas, psicológicas, biológicas. Atravessar o espaço durante dezenas de milhares de anos implicaria o nascimento e morte de inúmeras gerações de seres humanos a bordo da nave espacial (a título comparativo, estima-se que a nossa espécie tenha surgido na Terra há 200 mil anos), com todas as implicações que isso tem em termos de sustentação alimentar, riscos da permanência prolongada no espaço. A alternativa seria desenvolver tecnologias que pudessem manter os tripulantes num estado de vida suspensa durante toda a viagem.

Para mais, continuando com o exemplo de Próxima do Centauro, viajar para aquela estrela nem sequer constituiria um objectivo adequado, pois ela não tem planetas à sua volta susceptíveis de suportar a vida tal como a conhecemos… Aliás, ainda não foi descoberto nenhum planeta parecido com o nosso em torno de uma estrela. É verdade, porém, que os esforços para procurar “pontinhos azuis” como a Terra têm redobrado nos últimos tempos (nomeadamente com o lançamento pela NASA, em Março deste ano, do telescópio espacial Kepler) e que os especialistas estão bastante optimistas quantos às hipóteses de virmos a encontrá-los. Mas o que isto quer dizer é que será sem dúvida preciso olhar para muito mais longe do que alguns anos-luz de distância para encontrar estrelas que possuam planetas habitáveis.
Quanto a visitar outras galáxias, mesmo as mais próximas da nossa Via Láctea… A galáxia Andrómeda fica a dois milhões de anos-luz de nós: mesmo a luz, a coisa mais rápida que há segundo a Teoria da Relatividade de Einstein (300 mil km por segundo no vácuo), demora dois milhões de anos a cobrir essa distância! E a galáxia anã Canis Major, que está mais próxima de nós do que nós próprios estamos do centro da nossa galáxia, encontra-se apesar de tudo a 25 mil anos-luz do sistema solar, o que ainda é abissal. Parece impossível — hoje, amanhã, ou em qualquer outro dia do futuro próximo ou longínquo — que um ser humano possa percorrer distâncias dessa ordem, vencendo o espaço e o tempo.
================================================
LEIA ÍNTEGRA NO JORNAL ‘PÚBLICO’, DE LISBOA
(http://ultimahora.publico.clix.pt)

Be Sociable, Share!

Comentários

Ivan de Carvalho on 21 julho, 2009 at 9:56 #

Sobre as viagens interestelares e intergalácticas, interessante o artigo de “Público”, que o bahiaempauta reproduz, embora me pareça coisa de português (sem nenhuma lusofobia) por este nome em um jornal. É óbvio que é público, não precisa dizer. Quanto a suposta impossibilidade dessas viagens, o “Público” examina apenas a aparentemente impossível travessia seguindo o que hoje nos parece a estrada principal. Esquece dos atalhos. Que, aliás, têm tudo para ser a verdadira estrada principal.


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos