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13

Luzia: marcas da tortura/ A TARDE
luzia
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Em sua edição desta segunda-feira (13) o jornal A TARDE publica entrevista com Luzia Ribeiro, única sobrevivente entre os guerrilheiros baianos que participaram da Guerrilha do Araguaia, nos anos 70, contra o regime militar instalado no País. A conversa da sofrida ex-guerrilheira com a experiente e sensível repórter política Patrícia França, produz um relato jornalístico comovente, diante do qual a indiferença torna-se impossível.

Deu no jornal

Luzia, prestes a completar 60 anos, faz um mergulho no tempo e fala de um período doloroso ao lembrar de quando a jovem estudante de Ciências Sociais, nascida em Jequié e então com 22 anos, desembarcou em Xambioá, às margens do Rio Araguaia , em Goiás, em área hoje pertencente ao estado do Tocantins.

“Era janeiro de 1972”, revela A TARDE na apresentação da entrevista: A jovem Luzia chega acompanhada do carioca Tobias Barreto, também filiado ao PCdoB, para integrar o Destacamento C, onde já estavam os baianos Rosalino Souza, o casal Dinalva e Antonio Carlos Monteiro e o cearense Bergson Gurjão Farias (cujo corpo só foi identificado na semana passada).

“Começava a história de luta na selva dessa combatente, a única sobrevivente dos 11 baianos que integraram a Guerrilha do Araguaia. Sua permanência ali foi rápida. Apenas seis meses, dois dos quais em luta armada”, assinala ainda o texto de apresentação da conversa sobre o tempo em que Luzia era conhecida como “Lúcia “ , na selva amazônica.

Trinta e cinco anos depois Luzia dá um salto pungente no tempo. Na conversa com PATRÍCIA FRANÇA, a ex-guerrilheira, funcionária aposentada do extinto Baneb faz o seu relato para conhecimento público, pela primeira vez. Segundo a repórter, a ex-guerrilheira fala com “voz pausada, algumas vezes embargada; olhar perdido no horizonte. Marcas das torturas e de um período sombrio da história do Brasil que não consegue apagar. Para o tenente-coronel Sebastião Curió, segundo quem as Forças Armadas executaram pelo menos 41 guerrilheiros já presos e sem possibilidade de defesa, Luzia defende julgamento “como criminoso de guerra”.

Indagada se vê empenho no governo Lula em abrir os arquivos da ditadura, a ex-guerrilheira afirma que não; e acusa setores do PT de terem acordo com os militares para impedir que isso aconteça.

Intensidade emotiva, informação, análise critica, segredos revelados, dúvidas e denuncias à espera de esclarecimentos, completam este relato jornalístico . A exemplo do real papel de militares como Sebastião Curió que atuaram em Xamboiá, mas também do PC do B, que organizou e conduziu a guerrilha na qual foram dizimados alguns de seus mais audazes e generosos militantes – muitos deles baianos como Luzia – sem que se saiba ainda , tanto tempo depois, onde estão os seus corpos.

(Postada por: Vitor Hugo Soares)
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LEIA A INTEGRA DA ENTREVISTA DE LUZIA RIBEIRO NO JORNAL A TARDE.

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