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Posted on 13-07-2009
Filed Under (Aparecida, Artigos, Multimídia) by vitor on 13-07-2009


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CRÔNICA / MAGESTADE

RC , o Rei e seus súditos, muito além do horizonte da mídia

Aparecida Torneros

Um rei que não perde a majestade nem debaixo d’água, assim é o Roberto Carlos, o cantor que se apresentou no sábado dia 11 de julho para um público de milhares de admiradores no estádio do Maracanã, em show comemorativo dos seus 50 anos de carreira, enquanto uma chuva caía sobre as pessoas fascinadas diante do ídolo.

Sua história musical tão decantada por diversas formas de mídia se confunde com a vida de gerações de brasileiros comuns, aqueles que aprenderam a cantarolar suas canções, enquanto varrem as ruas, atendem nos postos de gasolina, ouvem o rádio dos automóveis, sintonizam pequeninos transmissores no alto amazonas, ligam receptores de tevê nas praças das cidades interioranas dos rincões nacionais, acorrem a shows em grandes casas de espetáculos, no nordeste ou no sul, se ligam atentamente aos especiais transmitidos em rede nacional nos finais do ano, como parte das comemorações natalinas e até incorporam expressões suas que podem servir para orações contritas ou para declarações rasgadas de amor e paixão.

Se ele passou por poucas e boas, ao longo da sua vida pessoal e profissional, soube conservar uma característica que é fundamental para a comunicação social, fala com o coração a linguagem da sua gente brasileira, independente de idade, credo, raça, classe social, e costuma enfatizar mesmo é o amor que o une ao seu público.

Isso lhe confere um lugar cativo como o Rei, embora, nas entrevistas e declarações se apresente sempre como o humilde homem que veio lá de seu pequeno Cachoeiro de Itapemirin para conquistar o mundo musical e sagrar-se o mais comunicativo entre tantos talentos, aquele que se identifica em forma e conteúdo com os intrincados aspectos da semiologia dos significados que garantem o feed back dos receptores e dos diversos públicos.

O que se viu no Maraca lotado foi uma partida espetacular onde o jogo se resumia a vários gols de placa marcados por um astro que é craque da empatia popular, o mesmo Roberto Carlos cujos símbolos são cultivados carinhosamente por décadas, apresentou-se com o tradicional “calhambeque”, vestiu-se de branco, lavou a alma dos seus súditos, garantiu a audiência do Oiapoc ao Chuí, na noite de um sábado frio e chuvoso, e levou ao delírio gente de todas as partes, de todas as espécies, de todas as idades, repetiu canções que todos sabiam de cor, riu e chorou, abraçado ao amigo Erasmo Carlos, e à maninha Wandeca, levou paz a milhões de espectadores que, por algumas horas, esqueceram da violência e vivenciaram o que ele define simplesmente como amor entre ele e seu público.

Edgard Morin teorizou bastante sobre os Olimpianos e como suas vidas passam a ser vividas por seus adoradores, Roberto é um deles, mas vai além do simples Olimpiano da mídia industrial porque ultrapassa modismos, movimentos, atenua diferenças, consegue apresentar-se junto de um Caetano Veloso no Teatro Municipal para comemorar 50 anos da Bossa Nova, tem suas músicas cantadas nas igrejas de várias religiões, quando fala da espiritualidade e de Jesus Cristo, tem ainda um percentual respeitável das chamadas “ trilhas sonoras de motel”, atende aos casais enamorados nas diversas fases das suas vidas afetivas, reverencia as mulheres de 40, as que usam óculos, as baixinhas, as gordinhas, as abandonadas, as sonhadoras, e aos homens, empresta bons argumentos para conseguirem conquistas ou para lograrem reconciliações.

Ter um CD do Roberto na manga do colete, ou no MP4, deixar que algumas das suas centenas de músicas aguardem para serem ouvidas ou cantadas no momento certo. Há sempre uma delas destinada ao instante necessário, até aquela do “Cachorro que sorriu latindo”, quando o homem volta pra casa e espera ser recebido de braços abertos pela família.

Engenhosidade, senso de oportunidade, feeling, estrela, tenacidade, boa produção, cuidadosa escolha de repertório, e voz macia com trejeitos de homem que conserva o menino que todos gostariam de proteger, são tantas emoções e tantos ingredientes que concorrem para fazer dele uma unanimidade nacional, apesar dos narizes torcidos de alguns, quem não se rendeu alguma vez a um canto do gênero: Como é grande o meu amor por você?

Pois a noite de 11 de julho, segundo ele próprio, foi a maior emoção da sua vida, uma vida de um persistente brasileiro dedicado ao que escolheu fazer, de homem com talento aliado a trabalho, de pessoa sensível ao movimento que invade a alma de um povo que o sente tão próximo, que faz dele um quase irmão, quase confidente, quase vizinho, um personagem quase comum que é ao mesmo tempo um Rei com um reinado bem delineado.

O seu trono é alma do povo brasileiro e o cetro que empunha é o coro de milhões de vozes que podem ser ouvidas nos confins, além do maracanã, muito além da lógica e bem mais além do horizonte da mídia. Onde deve ter um lugar tranqüilo pra nossa gente amar a saga do Roberto Carlos, tanto assim.

Aparecida Torneros, jornalista, escritora e professora universitária, mora no Rio de Janeiro. Esta crônica foi postada originalmente no Blog da Mulher Necessária (http://blogdamulhernecessaria.blogspot.com), editado pela autora.

Luzia: marcas da tortura/ A TARDE
luzia
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Em sua edição desta segunda-feira (13) o jornal A TARDE publica entrevista com Luzia Ribeiro, única sobrevivente entre os guerrilheiros baianos que participaram da Guerrilha do Araguaia, nos anos 70, contra o regime militar instalado no País. A conversa da sofrida ex-guerrilheira com a experiente e sensível repórter política Patrícia França, produz um relato jornalístico comovente, diante do qual a indiferença torna-se impossível.

Deu no jornal

Luzia, prestes a completar 60 anos, faz um mergulho no tempo e fala de um período doloroso ao lembrar de quando a jovem estudante de Ciências Sociais, nascida em Jequié e então com 22 anos, desembarcou em Xambioá, às margens do Rio Araguaia , em Goiás, em área hoje pertencente ao estado do Tocantins.

“Era janeiro de 1972”, revela A TARDE na apresentação da entrevista: A jovem Luzia chega acompanhada do carioca Tobias Barreto, também filiado ao PCdoB, para integrar o Destacamento C, onde já estavam os baianos Rosalino Souza, o casal Dinalva e Antonio Carlos Monteiro e o cearense Bergson Gurjão Farias (cujo corpo só foi identificado na semana passada).

“Começava a história de luta na selva dessa combatente, a única sobrevivente dos 11 baianos que integraram a Guerrilha do Araguaia. Sua permanência ali foi rápida. Apenas seis meses, dois dos quais em luta armada”, assinala ainda o texto de apresentação da conversa sobre o tempo em que Luzia era conhecida como “Lúcia “ , na selva amazônica.

Trinta e cinco anos depois Luzia dá um salto pungente no tempo. Na conversa com PATRÍCIA FRANÇA, a ex-guerrilheira, funcionária aposentada do extinto Baneb faz o seu relato para conhecimento público, pela primeira vez. Segundo a repórter, a ex-guerrilheira fala com “voz pausada, algumas vezes embargada; olhar perdido no horizonte. Marcas das torturas e de um período sombrio da história do Brasil que não consegue apagar. Para o tenente-coronel Sebastião Curió, segundo quem as Forças Armadas executaram pelo menos 41 guerrilheiros já presos e sem possibilidade de defesa, Luzia defende julgamento “como criminoso de guerra”.

Indagada se vê empenho no governo Lula em abrir os arquivos da ditadura, a ex-guerrilheira afirma que não; e acusa setores do PT de terem acordo com os militares para impedir que isso aconteça.

Intensidade emotiva, informação, análise critica, segredos revelados, dúvidas e denuncias à espera de esclarecimentos, completam este relato jornalístico . A exemplo do real papel de militares como Sebastião Curió que atuaram em Xamboiá, mas também do PC do B, que organizou e conduziu a guerrilha na qual foram dizimados alguns de seus mais audazes e generosos militantes – muitos deles baianos como Luzia – sem que se saiba ainda , tanto tempo depois, onde estão os seus corpos.

(Postada por: Vitor Hugo Soares)
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LEIA A INTEGRA DA ENTREVISTA DE LUZIA RIBEIRO NO JORNAL A TARDE.

jul
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Posted on 13-07-2009
Filed Under (Artigos, Multimídia, Regina) by vitor on 13-07-2009

Pic-nic no parque
festival
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CRÔNICA / CALIFORNIA DREAM

DOMINGO NO PARQUE

Regina Soares

É verão na Califórnia, o Estado Dourado (Golden State), faz jus a seu nome. Dias brilhantes de sol que nos empurra pra fora de casa, especialmente se é Domingo. Para mim só tem um caminho: O Parque Stern Grove www.sterngrove.org no coração de San Francisco onde desde 1932 se realizam concertos musicais grátis para um publico cada vez mais numeroso e diversificado.

O Stern Grove é um lugar lindíssimo, um clarão no meio de uma pequena floresta de eucaliptos. Foi adquirido por Rosalie M. Stern e entregue a cidade de San Francisco em homenagem ao seu esposo Sigmund, um destacado líder cívico. Encantada com a acústica do local, Mrs. Stern determinou que o local seria preservado como parque no qual o publico pudesse desfrutar, “admission-free” (sem custo), de apresentações de musica, dança e teatro, aumentando assim a fama mundial que San Francisco desfruta como reconhecido centro cultural.

Nesse Domingo (12), a atração principal foi Joan Baez, como sabemos, uma legenda da musica folclórica dos Estados unidos por mais de 50 anos. A, reconhecida mundialmente guitarrista, vem fazendo musica como forma de despertar consciência social, desde o deplorável ate o glorioso da condição humana. Nos anos 60’s e 70’s ela esteve lado a lado com Martin Luther King Jr., Cesar Chavez, Bob Dilan, Woody Guthrie, entre outros. Baez continua impressionando com sua voz suave e sua postura de ativista social, como nesse Domingo, quando ela dedicou sua apresentação aos Iranianos que saíram as ruas clamando por liberdade e justiça em seu pais.

Quem me conhece, e ate os que nem tanto, já devem saber que musica, e arte em geral, são como o ar para mim, vital! Acredito que tem forca de apaziguar, ativar, apaixonar, envenenar, inebriar, aclarar, revolucionar, e por ai vai… não tem como subestimar a influência em nossos atos e na direção que damos a nossas vidas. Joan Baez é só um exemplo disso.

Regina Soares é advogada, mora em Belmont, área da Baia de San Francisco, Califórnia (EUA)

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