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Postado em 07-07-2009
Arquivado em (Artigos, Eventuais, Multimídia) por vitor em 07-07-2009 17:38


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O texto que o Bahia em Pauta publica a seguir nesta sua área de conteúdo principal, no dia do sepultamento de Michael Jackson, em Los Ângeles, saiu originalmente como simples comentario a uma crônica sobre a morte do megaastro do pop, assinada pela jornalista e escritora carioca Maria Aparecida Torneros, cidadã do mundo colaboradora de primeira hora deste BP.

É um texto saído das entranhas de um jovem, nascido na Califónia nos loucos anos 70, Pablo Nicholas Vallejos. Amante de Rock desde a infância, ainda atualmente costuma cruzar o seu enorme país de ponta a ponta, viajando de carro, ônibus e trem para assistir a todos os shows da temporada de uma banda, ou de um artista (como Michael Jackson ou os brasileiros do Sepultura), desde que ele efetivamente goste e ache que o sacrifício vale a pena.

Com o passar dos dias, ficou cada vez mais evidente para nós, que o texto de Pablo merecia mais luz e atenção. Pela simplicidade, pelo sentimento verdadeiro, pela pungência das recordações, mas também pela real qualidade de uma escrita densa, crítica, amarga as vezes, mas enxuta ao mesmo tempo, e que vai direto ao ponto: corações e mentes.

Decidimos que esta terça-feira, dia do enterro de Jackson, é a oportunidade que faltava para republicar o texto de Pablo Vallejos. É também a mensagem de despedida do Bahia em Pauta ao incomparável artista que partiu

Em tempo: a tradução do texto de Pablo, publicado originalmente em inglês, é de Laura Tonhá, outra jovem cidadã do mundo, e uma das razões de ser deste Bahia em Pauta.

(Vitor Hugo Soares, editor)

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CRÔNICA/DESPEDIDA

CONTINUAMOS DANÇANDO

Pablo Nicholas Vallejos

“Os anos 80 foram os dias de rei do Michael, e uma visao apurada da década mostrará um tempo de maior simplicidade.

O jornalismo de celebridade ainda não tinha se transformado na pouco inteligente “caça ao peru” dos dias de hoje.

Rumores sobre as excentricidades de Jackson – chimpazé de estimação, camara de gás, homem dos ossos de elefante – eram espalhados jocosamente pelo próprio Jackson.

Durante este período, o pop estava em seu apogeu e Jackson seguramente era o Rei.

Não foi evidenciado o fato de que sua música era, sem nenhum esforço, progressiva: do disco pop duplo “Não pare até você conseguir o suficiente” para o rock pesado da guitarra de Eddie Van Halen (guitarrista holandes) em “Beat it = Cai fora” para a electro-gofh – gênero musical que combina diversos estilos de música eletrônica, com a atitude e o espírito do rock gótico – de “Thriller” – para o astro da musica Soul (musica afro-americana) de “Smooth Criminal” (canção do album “BAD” de 1987). Hoje cruzadas com o mais importante do gênero pop, essas musicas são facilmente percebidas como extremamente inovadoras para o seu período de tempo clássico.

Apesar de Jackson ainda produzir grandes musicas, videos e performances em shows na década de 90, Jackson nunca se recuperou completamente das acusações de molestar crianças em 1993. Ele se sentiu traído pelo público- seu público – e o crescimento da exposição, acelerava sua reclusão.

A musica mudou nos anos 90: o rock alternativo alterou as percepções do que era o pensamento geral sobre sucesso, e Gangsta Rap – termo cunhado pela mídia para descrever um certo gênero do rap, que tem por característica a descrição do dia-a-dia violento dos jovens de algumas cidades – oferecia criminalidade como entretenimento. Cultura em geral mudou, e nós, como consumidores, mudamos com isto.

Na época do segundo julgamento por molestação de crianças de Jackson, em 2005 – no qual o cantor foi inocentado – ele tinha começado a usar palavras de “brincadeira” para se defender, que causavam estranhamento. Ultra-saturados, simpatia em baixa, cínicos, nós fomos induzidos por sensacionalistas e não-provadas alegações. Não prestamos atenção na verdade. Nós queríamos a história dos tabloides, principalmente porque isto era o que todos ofereciam. Se nós dançávamos a sua música, isto era com uma piscada de olho irônica.

Mas nós continuamos dançando.”

Pablo Nicholas Vallejos

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Comentários

olivia on 7 julho, 2009 at 17:59 #

Com certeza, Pablito. Vamos continuar dançando. Belo texto, puro sentimento.


Regina on 7 julho, 2009 at 18:32 #

Obrigada, Laurinha, pela bela traducao. Pensei em fazer a traducao muitas vezes mas optei em deixar as palavras de Pablo registradas exatamente como ele as sentiu. Gostamos do video e Pablo se emocionou ao ver a exposiçã dada a seu texto. Thank you / Obrigado!!!
Quando escutei a noticia do falecimento de MJ meu primeiro pensamento foi para Pablo, ele sempre o amou muito, cresceu com ele (1980 & 1890), cantava e dancava suas musicas como se comungasse com Jackson seus sentimentos.
Em tempo, acabamos de assistir a cerimonia de celebração e despedida
ao Rei do Pop e nos encontramos muito emocionados!!! God Bless Him.


Mariana Soares on 7 julho, 2009 at 19:40 #

Querido Pablo, eu não fui fã de MJ como você, sua mãe e tantos outros no mundo inteiro, que chora a morte do astro venerado com toda razão e emoção que lhes cabe neste momento de tanta dor. Não obstante, sei reconhecer o quanto ele foi importante para a música pop e os embalos inigualáveis que criou e por isso, também sofro esta perda. Quero mais que tudo, no entanto, me solidarizar com você, com a sua dor, sensibilidade e beleza humana, traduzida nesta belíisima crônica. Parabéns! E, com certeza, vamos continuar dançando sempre, pois a vida é muito boa e sempre vale a pena!


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