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Postado em 06-07-2009
Arquivado em (Artigos, Claudio) por vitor em 06-07-2009 23:09

Lobo Antunes: feijoadas de Ubaldo
antunes

O repórter Claudio Leal passou o fim de semana no Rio de Janeiro recolhendo pérolas entre os participantes (escritores e público) da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP). Generoso, como sempre, o jornalista baiano oferece algumas preciosidades aos leitores do Bahia em Pauta, a exemplo das recordações do escritor português, Antonio Lobo Antunes, das feijoadas que o baiano João Ubaldo preparava na cozinha, com pés descalços, nas frias madrugadas de Lisboa. Confira.

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Claudio Leal

PARATY-RJ – Na mesa mais elogiada da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), sábado (4/7), o escritor português António Lobo Antunes contou ao jornalista Humberto Werneck sua amizade com os baianos Jorge Amado e João Ubaldo Ribeiro, depois de confessar admiração pelo poeta e cronista mineiro Paulo Mendes Campos.

Lobo Antunes guarda o sabor de uma temporada gastronômica “portuguesa” de Ubaldo. Quando residia em Portugal, o autor de “Sargento Getúlio” chamava o amigo para pernoitar uma feijoada. “Ele fazia a feijoada às duas horas da manhã, de chinelo, no inverno, como se estivesse no verão da Bahia…”. O prato era servido às 4h.

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O romancista português, que lançou recentemente “O Meu Nome é Legião”, lembrou outra boutade ubaldiana. João Ubaldo não escrevia nenhuma obra, em Portugal, mas respondeu à cobrança de um jornalista: “Tenho escrito, sim. Meu pseudônimo é António Lobo Antunes”.

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“Era um homem maior que sua obra”: Jorge Amado, “um homem sem inveja”, pelos olhos de Lobo Antunes, o que tanto soa como um elogio quanto um drible em avaliações críticas sobre os romances do baiano que o consideva um “filhote”.

“Por que você vive me beijando, Jorge?”.

“Porque gosto de lamber os meus filhotes…”

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No sábado, o craque do jornalismo Gay Talese autografou seus livros, lançados no Brasil pela Cia. das Letras, no espaço dos autores da Flip. Por fora da festa, uma mulher puxava a filha pelo braço. “Mãe, quem é?”. Depois de olhar o alinhado Talese, metido num impecável terno de filho de alfaite, a mãe deu o parecer: “Ah! É o (Ariano) Suassuna…”

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Comentários

Laura on 6 julho, 2009 at 23:44 #

Claúdio,

Adorei a feijoada as 4h da manhã do Ubaldo, … lembrei-me das feijoadas de Margarida (vulga Ilá, para os muy intimos), na casa dos Soares também se come feijoada a qualquer hora. Será que é mal de intelectual, baiano e bom-vivedor?


Graça on 7 julho, 2009 at 0:11 #

” Pernoitar uma feijoada” no inverno em Lisboa, deve ser mesmo tudo de bom. Grande Ubaldo!
Valeu Claudio – grande jornalista!


olivia on 7 julho, 2009 at 9:21 #

Uma pena que não pude participar da FLIP ao lado de um dos meus jornalistas preferidos – nosso Claudinho Leal, conforme tínhamos combinado. Em 2010, estaremos lá.


janio on 8 julho, 2009 at 7:00 #

Parati, hein, seu malandro? Finalmente este ano os famosos ojos verdes de Chico Buarque tiveram um concorrente a altura. Maravilha.


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