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Posted on 05-07-2009
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Balas no domingo em Tegucigalpa
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Bombas de gás lacrimogêneo atiradas por soldados hondurenhos contra manifestantes que esperavam o regresso do presidente deposto, Manuel Zelaya  no aeroporto de Tegucigalpa, geraram grandes tumultos na capital de Honduras: Segundo a Agência EFE divulgou por volta das 20h deste domingo (5) os confrontos provocaram dois mortos e dois feridos entre os manifestantes, de acordo com informações da polícia. O avião que transporta Zelaya sobrevoou o aeroporto, mas os militares bloqueiam a pista, impedindo uma aterrisagem com segurança, o que forçou o avião que conduz Zelaya ser desviado para Managua (Nicarágua) 

Em declarações à televisão de Caracas de dentro do avião venezuelano em que viaja, o chefe de Estado deposto e expulso pelos militares há uma semana admitiu que não deverá conseguir aterrar e disse que voltaria a tentar “amanhã, ou depois de amanhã”.

Já a bordo do aparelho em que embarcou em Washington, Zelaya invocara a condição de “comandante geral” das Forças Armadas para ordenar aos militares a abertura do aeroporto para a aterragem. Mas o novo poder mostrou-se intransigente. “Ordenei que não seja autorizado a entrar, aconteça o que acontecer”, declarou Enrique Ortez, ministro dos Negócios Estrangeiros do governo interino de Roberto Micheletti.

Mais cedo, segundo a EFE, a polícia hondurenha tinha cortado os acessos ao aeroporto Toncontín, onde se concentravam dezenas de milhares de seguidores de Zelaya, Presidente desde 2006. O aeroporto estava ocupado por um forte dispositivo militar. No sábado, Michelleti dissera que Zelaya seria preso “mal ponha um pé nas Honduras”.

Nos últimos dias, a tensão cresceu e houve manifestações a favor e contra o regresso do chefe de Estado deposto, acusado de tentar organizar um referendo que lhe permitisse concorrer a um segundo mandato, uma iniciativa que o Supremo Tribunal, uma parte da classe política e os militares consideraram ilegal. No sábado, a Igreja, que manifestou o seu apoio ao Governo de Micheletti, considerou que um regresso “poderia provocar um banho de sangue”.

A agência europeia de notícia informa ainda, que pois de diversos presidentes latino-americanos terem manifestado a intenção de acompanhar Zelaya no regresso, e de o próprio ter dito que chegaria à capital com “vários presidentes e membros da comunidade internacional”, a viagem acabou por ser feita apenas na companhia do presidente da Assembléia Geral das Nações Unidas, Miguel D’Escoto. “Decidimos que seria o mais prudente”, justificou o Presidente do Equador, Rafael Correa, que manifestou receio de que os militares reprimissem os aliados de Zelaya.

Seguem os choques na ruas de Tegucigalpa e a incerteza em relação ao futuro político em Honduras com o acirramento do golpe.

(Vitor Hugo Soares, com Agência EFE e ediução on-line do jornal Diário de Notícias, de Lisboa).

jul
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Posted on 05-07-2009
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Saiu do forno o Portal Scramble empreitada de Daniel Cruz. Quem conhece sabe da persistência desse baiano, criado em São Paulo, que recentemente voltou às origens – reside em Salvador – de onde dirige o seu mega portal.

O site foi lançado na última quarta-feira, dia 1.° de julho, com o objetivo de oferecer o mais completo conteúdo de diversão e serviços de todo país, para um público exigente que prima pelo lazer. De acordo com Cruz, “Existia uma carência na Internet de um site de notícias que reunisse em um mesmo lugar dicas de lazer de todas as capitais”.

O portal Scramble já entra na rede antenado com as principais novidades tecnológicas. A mais nova delas é o fenômeno Twitter, as reportagens e notas atualizadas no site são também automaticamente atualizadas no Twitter  através do endereço: http://twitter.com/scramblebrasil

Daniel é amigo e parceiro da equipe do Bahia em Pauta, mas é pela sua competência que nós o parabenizamos e desejamos SUCESSO. Confiram www.scramble.com.br

Por Laura Tonhá

jul
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Posted on 05-07-2009
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Grazzi Brito

JUAZEIRO (BA) – Em razão de denúncias de irregularidade permanece o suspense sobre a eleição para a escolha dos Conselheiros Tutelares municipais, realizada em Juazeiro, na região do Vale do São Francisco, quinta-feira, 2 de julho. Durante a votação houve acusações de que alguns candidatos estavam transportando eleitores, prática proibida pelo edital do processo eleitoral. A promotora de Justiça, Andrea Ariadne, determinou que as urnas fossem lacradas até segunda ordem.

Quando a população foi convocada pela primeira vez a participar do processo de escolha dos membros do Conselho Tutelar Municipal, via voto direto, testemunhou irregularidades que terminaram impugnando a eleição.

O processo de contratação desses funcionários foi alterado pela lei municipal 1979/2008, que dispõe sobre a condição de atendimento ao direito da criança e do adolescente. O esquema foi iniciado com a inscrição do candidato, que passou por uma avaliação de conhecimentos e logo após por um processo eletivo em que qualquer cidadão do município pôde votar.

Durante a eleição todo o município teve a oportunidade de, pela primeira vez, escolher através do voto os cinco novos conselheiros, dentre os dez aprovados na prova de conhecimentos. Esse processo seletivo e eleitoral foi realizado pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) do município.

Segundo a presidente do Conselho Mônica Pontes, esse é um processo novo, antes só quem votava eram vereadores, representantes de entidades de atendimento o menor e os secretários municipais. Os eleitos cumprirão um mandato de três anos com direito a uma recondução, trabalhando 40 horas semanais e a remuneração é de dois salários mínimos.

O que parecia mais uma conquista da democracia aqui em Juazeiro, tornou-se mais um exemplo de como os candidatos costumam burlar as leis e tentam aquele famoso “jeitinho” para vencer uma eleição. O curioso neste caso é que o cargo pretendido oferece remuneração de dois salários mínimos e 40 horas de trabalho semanal, não parece tão atraente. Mas ainda assim, alguns candidatos contrataram ônibus para fazer a condução de eleitores de bairros mais distantes até o Colégio Paulo IV onde ocorreu a eleição.

Grazzi Brito, jornalista, mora em Juazeiro(BA)

jul
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Posted on 05-07-2009
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Deu nos blogs e jornal

Em maio de 2008, na semana em que foram suspensas as buscas no extrmo-sul da Bahia pelo avião Cessna desaparecido quando fazia o percurso entre Salvador e Ilhéus, levando “empresários britãnicos”, o editor deste Bahia em Pauta escreveu sobre o assunto o seguinte artigo publicado na época no Blog do Noblat, Site da Radio Metrópole e Jornal Tribuna da Bahia, reproduzido em vários outros sites nacionais: O texto vai republicado a seguir, como memória jornalística deste estranho e obscuro caso á espera de esclarecimento. Confira.

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SEGREDOS NO PARAÍSO

Vitor Hugo Soares

Foram suspensas ontem, pela Marinha e Aeronáutica, as operações de buscas pelo avião Cessna desaparecido na semana passada, quando fazia o percurso entre Salvador e Ilhéus e sobrevoava a costa sul da Bahia. A bordo do bimotor de uma empresa de táxi-aéreo, dois tripulantes locais, quatro empresários britânicos e muitos segredos, submersos no pedaço de paraíso no Atlântico cuja orla abriga alguns dos mais exclusivos empreendimentos turísticos e imobiliários do País.

Familiares dos ingleses agradeceram às autoridades, em nota sintética, pelos esforços na procura dos desaparecidos, que seguem agora a cargo da PM e voluntários na região. Os empresários foram identificados como AlanKempson, Ricky Every, Nigel Hodges e Sean Woodhall, este último, presidente da World Wide Destinations (WWD), cujo projeto de maior visibilidade no Brasil é o “Barra Nova Pearl Eco-Nature Resort”, entre Ilhéus e Itacaré. Busca mais refinada na Internet, porém, conduz a revelações surpreendentes sobre viagens e transações de Woodhall antes do acidente.

As primeiras suspeitas sobre a movimentação do empresário britânico por paraísos turísticos da Espanha, Caribe e América do Sul foram levantadas em março de 2006, quando o jornal “El Mundo” publicou reportagem sobre achamada “Operação Malaya”. O tradicional diário de Madri teve acesso a um informe detalhado depois da detenção, por ordem judicial, de 28 pessoas acusadas de envolvimento no “Escândalo de Marbella” – rumoroso caso de desvio de verbas públicas e suborno de autoridade que abalou a cidade consagrada como um dos mais sonhados destinos de férias e badalação de gente rica e celebridades do mundo inteiro até pouco tempo.

A Unidade Central de Inteligência da Polícia (UCI) e o Serviço Executivoda Comissão de Prevenção da Lavagem de Capitais (Sepblac), encarregados deinvestigar um dos maiores escândalos na Europa naquele ano, entraram em campo com vontade. Mas ainda tentam descobrir onde estão as centenas de milhões de euros conseguidos por alguns dos principais imputados pelo juiz Miguel Angel Torres neste assalto aos cofres públicos, entre eles Carlos Sanchez, Juan Antonio Roca e Andrés Lietor, peixes grandes espanhóis fisgados no caso.

Anexo de um informe do Sepblac, em poder do “El Mundo”, falava de “outras pessoas” envolvidas nas tenebrosas transações e traçava o caminho percorridona época pela maior parte do dinheiro, que em grande parte ia parar em “lavanderias” de edens turísticos da República Dominicana. Sepblac indicou que a sociedade anônima “Punta Perla Caribbean Ltda”, por exemplo, remeteu mais de 11 milhões de dólares à empresa “Paraíso Tropical”, controlada diretamente por Carlos Sanchez e seus sócios espanhóis.

A partir daí, as suspeitas apontam também na direção do empresário britânico que consta da lista dos desaparecidos no desastre da semana passada na Bahia. O informe da polícia espanhola destaca que Sean Woodhall é, também, diretor na sociedade “Paraíso Tropical”. O empresário inglês passou a ser considerado o “eslabon necessário” (elo necessário) entre os investidores espanhóis e os projetos dominicanos.

As investigações citadas na reportagem de “El Mundo”, depois aprofundadasem jornais dominicanos, denunciam ainda o empresário britânico como beneficiário dos fundos remetidos pela “Sungolf Desarollo Inmobiliário”, outra das sociedades que participam do projeto Punta Perla no paraíso caribenho. O site noticioso dominicano, Clave Digital, acrescenta: em seu país, a Inglaterra, o empresário foi acusado e julgado por envolvimento em uma fraude escandalosa no ramo de venda de automóveis. Woodhall teria admitido a sua responsabilidade e foi sentenciado a 18 meses de prisão. Cumprida a pena, mudou-se para a Espanha, e ingressou em negócios ligados ao setor imobiliário.

Ultimamente a WWD, presidida por Woodhall, tocava importante empreendimento turístico-imobiliário no Sul da Bahia: o “Barra Nova PearlEco-nature Resort”. Complexo de luxo, com investimentos avaliados na casados R$ 500 milhões, o complexo “Barra Nova Pearl” prevê a construção de um hotel de luxo, um condomínio de 1,3 mil apartamentos e um seletissimo campode golfe.

Tudo isso em “bela área da Bahia, de clima político seguro, praias deslumbrantes, habitat tropical, comida exótica, cultura colorida e vibrantes localidades, perfeitas como destino”, segundo exalta o site da empresa. Na fase de pré-lançamento, um apartamento de dois quartos no Resort estaria sendo anunciado por imobiliárias inglesas por 67 mil libras esterlinas e por americanas ao preço de 130 mil dólares, segundo o jornal Correio da Bahia em informação creditada a Agência Estado (AE).

“Histórias como esta vão longe de carro ou avião, se pegam boa estrada ou céu de brigadeiro”, diria certamente se vivo estivesse o grande cronista baiano Raimundo Reis. No caso de Sean Woodhall, a viagem foi interrompida tragicamente na costa sul baiana. Na nota em que agradecem os esforços de buscas aos desaparecidos no desastre do bimotor, familiares dos empresários ingleses pedem à imprensa que “continue e respeitar nossa privacidade neste momento difícil” . Seguem os segredos no paraíso tropical da Bahia.

* Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitors.h@ig.com.br

jul
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Posted on 05-07-2009
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Bombeiros no segundo dia de buscas/A TARDE
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Deu no jornal

“Sumiço de avião com empresário inglês ainda é mistério”. Esta é a principal manchete de primeira página da edição do jornal A Tarde deste domingo (05), que chama para reportagem assinada por Flávio Costa , com fotos de Zeka ( Ag. A Tarde ), que trata da falta de esclarecimento sobre o sumiço do bimotor “com um empresário inglês envolvido com fraudes e o piloto da Casa Civil do governador Jaques Wagner”, segundo destaca o diário baiano.

A reportagem informa: após 14 meses, a Aeronáutica segue sem esclarecer o sumiço do um bimotor. Um co-piloto carioca e três executivos britânicos também estavam a bordo do Cessna 310-Q, de matrícula PT-JGX, desaparecido do radar minutos antes de pousar no Aeroporto de Ilhéus (litoral sul, a 456 km de Salvador).

Segundo A TARDE, as buscas resultaram no recolhimento de partes ínfimas do avião; nada dos seis corpos. “O fato alimenta a desconfiança de parte da família do piloto, Clóvis Revault Figueiredo e Silva, de que ele tenha sido forçado a simular um acidente e, talvez, morto. À época, Clóvis estava lotado na Casa Civil e pilotava ocasionalmente para a Aero Star”, revela A Tarde em sua edição de hoje.

Mais: Em 2 de maio de 2008, a empresa, de Salvador, alugou o bimotor para os executivos ingleses Sean Woodhall, Ricky Every, Nigel Hodges e Alan Kempson. O co-piloto Leandro Oliveira Veloso também estava presente. O objetivo da viagem era sobrevoar uma área do litoral de Itacaré (vizinha à Ilhéus), onde seria construído um resort de alto luxo com campo de golfe.

(Postado por: Vitor Hugo Soares)

LEIA A INTEGRA DA REPORTAGEM EM A TARDE

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Posted on 05-07-2009
Filed Under (Aparecida, Artigos, Multimídia) by vitor on 05-07-2009


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Nelson: “tantos anos depois”
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CRÔNICA/VIDA E ARTE

TODOS NÓS,MUITOS ANOS DEPOIS…

Aparecida Torneros

Terminei minha sexta-feira, tomando chope na Lapa carioca, já noite alta, aliás, no sábado entrante, passava da meia noite, e eu estava ali, com duas outras “cinderelas”, amigas de profissão, ambas ex-alunas minhas, nos tempos, mais de 20 anos atrás, em que dava aulas de jornalismo, na universidade,e me tornava referência para meninas como elas, cheias de ideais e sonhos.

Vínhamos de uma palestra, dada pelo escritor moçambicano Mia Couto, num festival que se realiza no Rio, sobre o teatro da língua portuguesa. Ela própria, a afiada “flor do Lácio, inculta e bela”, mais uma vez, a pátria de nós todos, os escribas e falantes felizes de um idioma tão sensibilizante.

Na única pergunta que formulei ao poeta e palestrante do evento, incitei-o a discorrer sobre a sensação de ver textos seus traduzidos em mais de 20 idiomas e do quanto isso o agradava ou não. Ele foi humilde e direto: “Estou condenado a ser mesmo um escritor da língua portuguesa, não sei se as traduções são bem feitas, acho mesmo é que não, mas só consigo conferir em duas ou três línguas, e o que sinto é comum a todos os escritores, na verdade”. E seguiu nos impressionando com seu jeito bem humorado de falar dos anos da sua infância, da sua juventude engajada na revolução em Moçambique, na sua tarefa simples de escrever e dizer coisas da sua alma, no faz de conta que lhe atravessa a vida e faz dele um autor teatralizado e um poeta revisitado, tempos afora.

Antes, pela tarde, em trabalho de assessoria,eu tinha acompanhado meu chefe num debate sobre as favelas e bairros do Rio de Janeiro. Na mesa principal, encontrava-se o cineasta Nelson Pereira dos Santos e foi exibido trecho do seu antológico filme Rio 40 graus, de 1955. O sábio intelectual, do alto dos seus 81 anos, digno imortal que é da Academia Brasileira de Letras, contou sobre a realização daquela produção em preto e branco e se declarou emocionado ali, diante de uma platéia cheia de estudantes, professores e técnicos para discutir a realidade urbanísitica e social da cidade maravilhosa, sob o tema abordado no seu projeto de jovem que observou o comportamento do morador da favela dos anos 50, e o levou para o cinema com maestria e sensibilidade.

Aproveitei o intervalo do café e fui até ele. Conversamos aquele tipo de conversa que une pessoas de várias gerações em torno de um só tema…o tempo… tantos anos depois… eu fora aluna dele, nos anos 70, na Universidade Federal Fluminense, quando ele rodou com a participação dos alunos, “Como era gostoso o meu francês”.

Nos poucos minutos do nosso papo informal, Nelson me contou que foi à França em maio último para festejar seus 60 anos de Paris, pois lá chegou em 1949, às vésperas de completar os 21 anos para estudar, com bolsa do governo francês.

Trocamos algumas confidências sobre o encantamento da cidade francesa, eu lhe falei dos mistérios que quero ainda desvendar por lá, e que acabei de ter meu primeiro contato com o lugar dos sonhos de tantas gerações, mas vou voltar, com calma e descobrir um a um, segundo meu coração indica e minha alma clama.

Contei-lhe que já me matriculei num curso de francês, para preparar-me melhor e viver algum tempo a partir da minha próxima aposentadoria, bem ali, no ponto de encontro da minha juventude com a minha maturidade. Não lhe revelei, entretanto, que vou viver também o que estiver ao meu alcance, em termos de amor entre homem e mulher, já que tenho um namorado novo e ele vive por lá.

Mas, na manhã do dia seguinte, deparo-me com um texto que relembra o filme “Um homem , uma mulher”, obra que me emocionou tanto, nos anos 60. Volto mais um pouco a fita e me recordo que assisti também à produção do mesmo Claude Lelouch, que se atreveu a filmar, 20 anos depois , a continuação da história, e em 1986, fez “Um homem, uma mulher 20 anos depois”.

Como os mesmos atores protagonizando o enredo que trouxe a sequencia das suas vidas para o tempo do amanhã, em doce e reconfortante final feliz, acompanhei, a tal nova versão, para meu gáudio e de tantos sonhadores, contemporâneos da minha adolescência.

Encontro-me agora, exatamente, na manhã do dia seguinte, na manhã do tempo de todos nós, tantos anos depois.

Pergunto-me sobre a razão pela qual o tempo ao correr nos deixa assim tão à mercê de si, envolvidos com lembranças extremamente frágeis e num piscar de olhos, ali estamos todos, embalados por histórias que permanecem vivas no imaginário do escritor moçambicano, na alma do cineasta brasileiro, na criação do diretor francês de cinema, na saudade da cronista carioca e até no reencontro das meninas alunas que atingiram os 40 anos com a carinha dos 20, e me resgataram a deliciosa condição de amiga do tempo, tantos anos depois…a rodagem do filme continua…ainda somos os melhores protagonistas dos nossos roteiros.

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro

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