Junte a bela poesia do compositor chileno Julio Numhauser e a interpretação ímpar da cantora argentina Mercedes Sosa. Pronto, aí está a combinação mais que perfeita da música para terminar a noite do último dia de julho e entrar pela madrugada do primeiro dia de agosto de 2009.Para completar, chove e faz frio em Salvador da Bahia, tempo melhor ainda para escutar “Todo Cambia” (Tudo muda) e se aquecer na noite baiana (ou de outras terras mais distantes) com os versos chilenos cantados por voz argentina neste vídeo ainda mais caloroso pela intensa participação do público. Confira.
(Vitor Hugo Soares)
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Todo Cambia (Tudo Muda)
Tradução da letra:
Muda o superficial
também muda o profundo
muda o modo de pensar
muda tudo neste mundo.
muda o clima com os anos
muda o pastor e seu rebanho
e assim como tdo muda
que eu mude não é estranho.
muda o mais fino brilhante
de mão em mão o seu brilho
muda o ninho, o passarinho
muda o sentir de um amante.
muda de rumo o caminhante
mesmo que isso lhe cause dano
e assim como tudo muda
que eu mude não é estranho.
muda, tudo muda
muda, tudo muda
muda, tudo muda
muda, tudo muda.
muda o sol em seu caminho
quando a noite resiste
muda a plante e se veste
de verde a primavera
muda a pelagem da fera
muda o cabelo do ancião
e assim como tudo muda
que eu mude não é estranho
mas não muda meu amor
por mais distante que me encontre
nem as lembranças, nem a dor
de meu povo e minha gente
o que mudou ontem
terá que mudar amanhã
assim como mudo eu
nesta terra distante.
repete refrão.
Deu no Blog do Congresso:
“A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) assinou recomendação interna em que veta militares chefiando estatais. A medida tem endereço: a pressão da FAB para o brigadeiro Jorge Godinho, Secretário de Aviação Civil do Ministério da Defesa, presidir a Infraero. Após as restrições ao chefe de gabinete do ministro o Nelson Jobim, outro militar passou a ser cotado: o brigadeiro Paulo Rhorig de Britto, chefe do Estado-Maior da Aeronáutica”.
Em memória do perito morto

Deu na coluna:
O jornalista Ivan de Carvalho, em sua coluna de hoje na Tribuna da Bahia, expõe e analisa o conflitos que amedrontaram Salvador nas últimas 48 horas – os efeitos ainda seguem presentes em vários pontos da capital nesta sexta-feira(31) -, envolvendo a Polícia Civil e a PM baianas, com repercussão e espanto nacional. Bahia em Pauta reproduz o artigo para que seus leitores leiam e reflitam.As autoridades públicas também.
(Vitor Hugo Soares)
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OPINIÃO
Complicações policiais
Ivan de Carvalho
“Há muitos anos, sob um dos governos de Antonio Carlos Magalhães, a Polícia Militar do Estado da Bahia, ou parte dela, se rebelou e para controlar o motim foram mobilizados os fuzileiros navais da base da Marinha em Salvador, sediada na Avenida da França, Comércio, na Cidade Baixa. Chegou a haver conflito no bairro da Calçada, com tiros e vítimas, estas entre os policiais militares.
Anos depois, um episódio bem mais recente. Algumas unidades da Polícia Militar se rebelaram, declarando uma greve que não tinham, pelas Constituições da República e da Bahia, bem como pelo regulamento da corporação, o direito de fazer. E continuam não tendo até hoje. A cidade, onde a segurança já era frágil, ficou à mercê dos criminosos, protegida apenas por uma mirrada, despreparada, mal equipada e mal armada Polícia Civil. A população evitava sair às ruas (só ia quem não podia mesmo ficar em casa) e, quando saía, voltava o mais depressa possível.
Os chamados “arrastões” ocorreram e, até pior do que isso, a boataria sobre “arrastões” que teriam ou estariam ocorrendo – mesmo que na maioria dos casos não houvesse fundamento – infundiram o medo na cidade. Este sentimento de medo tornou-se tão forte, tão denso, que se podia senti-lo quase como uma coisa concreta. Os pequenos shopping centers de bairros fechavam mais cedo do que o habitual e a tensão era visível no rosto de cada cidadão pedestre ou que usava transporte coletivo. Enfim, a cidade não estava entregue às baratas, mas aos bandidos, enquanto a Polícia Militar fugia a suas obrigações legais, rasgava as Constituições federal e estadual, estraçalhava seu próprio regulamento, agredia a hierarquia e a disciplina e – para maior refinamento no mal – envolvia-se no que poderia tornar-se um amplo conflito armado com ela mesma.
Dessa vez, não foram os Fuzileiros Navais a serem mobilizados. Unidades do Exército foram chamadas, inclusive havendo deslocamento até de Aracaju para Salvador, para ajudar no patrulhamento da cidade, o que fizeram, e para intervir pela força na PM baiana, se necessário. Felizmente, esta última parte não precisou concretizar-se. As tropas de choque da própria PM, que não aderiram ao motim – com a ajuda do poderoso fator psicológico representado pelo eventual apoio das tropas federais – ocuparam, sem resistência armada, os quartéis onde a rebelião se instalara. Sem mortos e feridos, salvaram-se todos.
Agora, quem resolveu parar foi a Polícia Civil. E não pela primeira vez. Mas desta vez a paralisação começou com um morto. Assassinado na manhã de quarta-feira. Os policiais civis em geral e Carlos Lima, o presidente do Sidpoc (sindicato que representa os policiais civis, que, aliás, não deviam ser sindicalizados, pois não são uma categoria comum de trabalhadores, mas uma corporação armada de funcionários estatais) afirmam que a morte do perito criminal foi causada por dois tiros disparados por um tenente da Polícia Militar, sem fazer nenhuma provocação. Apenas estava armado e por isto foi abordado e, embora se identificasse devidamente como policial civil, foi alvejado duas vezes.
O corregedor da Polícia Militar deu outra versão: o oficial, “felizmente”, atirou primeiro, quando o policial civil tentou sacar a arma. Atirou a segunda vez quando, mesmo já ferido, o perito criminal tentou pela segunda vez sacar a arma. O noticiário deu conta de que uma testemunha, uma mulher, disse que o oficial atirou depois que o policial civil estava se identificando.
Bem, a Polícia Civil proclamou paralisação em todo o Estado até que o oficial PM se apresente na 2ª Delegacia de Polícia. Ontem, policiais civis fizeram passeata na Praça da Piedade, em frente ao prédio da chefia da Polícia Civil (antiga sede da Secretaria da Segurança Pública) e paralisaram o trânsito no sentido Barra, Avenida Centenário, nas proximidades do Departamento de Polícia Técnica. Exigem “justiça”. Até 20h30min de ontem, quando acabava de escrever estas linhas, a paralisação da Polícia Civil persistia, confirmada por Bernardino Gayoso, da diretoria do Sindpoc.
Ivan de Carvalho é jornalista
“Ilha de Maré”, com a baiana Marienne de Castro no vídeo com cenas do filme “Ó paí Ó”, é a música para começar o dia no Bahia em Pauta, nesta sexta-feira(31), último dia de julho de 2009. Sem mais explicações. É só ouvir… e apreciar (VHS)
Deu na Tribuna da Bahia, edição desta sexta-feira,31/7:
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O barco do ministro

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A imagem que vale por (muito mais) de mil palavras!
Pena que seja tão minúscula, na edição on-line da TB. Mas vale buscar a ajuda de uma boa lupa para dar uma olhada em todos os detalhes, inclusive no expressivo nome do barco – “Deus do Impossível” -, na viagem do prefeito João Henrique, acompanhado do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, entre outros, à localidade de Ilha de Maré. No recôncavo baiano a visita da quinta-feira(30) seguramente não será esquecida tão cedo.
Tente enxergar tudo, como nos jogos de almanaque de antigamente. Mas, se não der, veja tudo na foto antológica publicada em tamanho bem maior na edição impressa da Tribuna da Bahia que está nas bancas.
Corra que é Imperdível!
(Vitor Hugo Soares)
FOTO DO DIA

Comandantes na coletiva da Segurança/AGECOM

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Convocada às pressas pela pela área de comunicação do governo do Estado (AGECOM), diante do clima de tensão que tomou conta da cidade na tarde desta quinta-feira (30), com manifestações de policiais civis em greve em vários pontos de Salvador, a entrevista coletiva realizada na sede da Secretaria de Segurança Pública (SSP), além de não produzir as respostas nem as ações efetivas esperadas pela população, deixou no ar uma sensação de desconforto e inquietação.
Isso, apesar de todo esforço dos comandos da segurança publica para demonstrar unidade e interesse investigativo sobre a morte à bala do perito-técnico Hilton Martins Rivas, de 25 anos, que teria sido produzida por um policial da PM baiana. Fato que deixou facções das duas policias em pé de guerra.
Juntos o secretário da Segurança Pública, César Nunes, o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Nílton Mascarenhas, e o delegado-chefe da Polícia Civil, Joselito Bispo, anunciaram quase nada de concreto, além de que o policial militar acusado, Fagner Castro Santos, será afastado de suas atividades durante as investigações da morte ocorrida na noite de quarta-feira, 29, no Largo do Santo Antônio Além do Carmo.
O Sindicato dos Policiais Civis do Estado (Sindpoc) decidiu manter a paralisação das atividades da categoria, iniciada hoje, por considerar que ” questão não é que o PM seja afastado. A questão é que ele seja apresentado para depor na 2ª Delegacia, que é o procedimento correto”, segundo assinalou Bernardino Gayoso, secretário-geral do Sindpoc.
Na outra ponta do problema, Manoel Francisco Bastos, corregedor da PM, reage: “não existe razão para prender alguém que agiu no legítimo cumprimento do dever. O perito sacou a arma e, felizmente, o tenente atirou primeiro. Foi um caso de legítima defesa evoluído do estrito cumprimento do dever”, garantiu.
Na coletiva desta tarde, em seus respectivos pronunciamento, os comandantes da segurança pública na Bahia foram todos mais indecisos e menos explícitos e firmes que os seus comandados. Deixaram a impressão, segundo um atento conhecedor da retórica e dos signos policiais, “que tudo será feito para deixar tudo como está e não se chegue a lugar nenhum”.
A conferir

Policia Civil pára e protesta na cidade/Img.Correio

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O tempo fechou no centro de Salvador, onde fagulhas de alta tensão se espalham no ar, mesmo com o dia ensolarado que faz nesta quinta-feira(30) na capital baiana.
Integrantes da Policia Civil do estado protestam há varias horas na cidade, causando transtorno e preocupação em vários pontos, a começar pela própria praça da Piedade, bem em frente ao prédio histórico da Secretaria séde Segurança Publica. Ali, em manifestação pública, policiais gritam por “justiça”, ao mesmo tempo em que falam em “vingança” pela morte de um colega, supostamente morto a tiro por policial militar na manhã de ontem, no bairro de santo Antonio Além do Carmo.
Também foi bloqueada a Avenida Centenário, no sentido Barra, nas imediações do Instituto Médico Legal (IML), antecipando mais uma “tarde de cão” na hora do retorno de milhares de baianos do trabalho para casa. A Superintendência de Trânsito e Transporte de Salvador (Transalvador), pede que os motoristas evitaem trafegar pela região.
Todo o bloqueio, tumulto e tensão fazem parte da paralisação das atividades da Policia Civil em todo o estado, em protesto contra a morte do perito técnico Hilton Martins Rivas Júnior, de 25 anos, verificado na última quarta (29). O perito teria sido baleado e morto por um agente da Polícia Militar, no bairro histórico de Santo Antônio Além do Carmo.
À morte do perito do IML se sucederam vários episódios violentos e sangrentos na noite e madrugada desta quinta-feira(30), a começar pelo bairro do Nordeste de Amaralina, onde três pessoas foram assassinadas a tiros.
Delegados e dirigentes de associações de policiais civis denunciam que o técnico da policia civil foi morto na manhã de ontem com um tiro no peito disparado à queima-roupa e sem provocação ou reação, segundo informações do serviço de investigação da 2ª Delegacia (Liberdade). Ainda de acordo com a delegacia, suspeita-se que Hilton Martins Rivas tenha sido morto por um policial militar, mas ninguém ainda foi preso ou identificado até agora.
“Queremos justiça”, gritavam há pouco no centro da cidade, dezenas de policiais em greve, durante passeata, em que alguns falavam também em “vingança”. O protesto ganhou dimensão nacional, com imagens transmitidas pelo Jornal Hoje, da Rede Globo, para o país, quando policiais pediam justiça e colavam cartazes e faixas no prédio da SSP-BA.
Não houve ainda manifestação do Secretário de Seguraça Pública, nem do comando da Polícia Militar do Estado.
Mas a tensão cresce e se espalha na cidade.
Lúcio: malho na Centenário

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O local é a pista relativamente nova , mas já bastante estragada pelas enchentes, falta de cuidado e conservação da obra feita a “toque de caixa” para a campanha de reeleição do prefeito João Henrique Carneiro , da Avenida Centenário. Ali uma cena quase diária tem chamado a atenção dos passante ultimamente.
O presidente do PMDB baiano, Lucio Vieira Lima, faz “cooper” nas proximidades de sua residência, naquela área nobre do bairro Chame-Chame.Acontece em geral depois das 7h da manhã. O político quase sempre está acompanhado de dois “amigos”, os mesmos todos os dias. De short, camiseta e tênis, os três, ritmo meio lento, provavelmente para evitar surpresas desagradáveis como a sofrida em Paris semana passada pelo presidente Sarkozy, da França, os três caminhantes conversam praticamente sem parar, enquanto se exercitam.
O tema da conversa dos já chamados “atletas da Centenário” ( ao que é possível escutar exercitam também as línguas), é um só: Governo Jaques Wagner, tratado frequentemente com palavras pouco amáveis.
Parece até obsessão.
(Postada por: Vitor Hugo Soares, com informações seguras de outro atleta de ouvidos atentos, que também faz “cooper”, mas de boca fechada para não entrar mosca, na Centenário).
Cena do curta de Ceci

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Maria Olívia
A primeira exibição do curta-metragem Doido Lelé, da jornalista e cineasta baiana Ceci Alves, acontece hoje, 30 de julho, às 20h30min, como parte do V Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual, realizado no Teatro Castro Alves.
Inspirado nas memórias do pai da jornalista, a fita conta a história de um garoto negro, morador da periferia de Salvador, que tem um sonho: Cantar no rádio. O ator mirim Vinícius Nascimento – atuou no filme e na minissérie Ó Pai Ó – é o protagonista da história de Ceci. O curta, que venceu concurso de roteiros do Ministério da Cultura, é ambientado na Bahia dos anos 50 e tem trilha musical assinada por Gerônimo.
Como tive a honra de ser convidada especial da amiga, jornalista e cineasta Ceci Alves, formada em Havana, na melhor escola de cinema da América Latina, estarei presente na plateia e na “fila do gargarejo”.
Chegue junto!
Maria Olivia é jornalista
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Deu na revista digital
Terra Magazine postou nesta quinta-feira(30) uma das mais interessantes análises produzidos até aqui, sobre o documentário “Coração Vagabundo”, dirigido por Fernando Grostein Andrade, que focaliza o cantor-compositor santamarense, Caetano Veloso, durante a turnê de lançamento do disco “A Foreiggn Sound”, de 2004.
De Salvador, depois de ver o filme, o músico e produtor Paquito fala de Caetano, “seu peculiar senso de humor, seus comentários sobre religião, cultura, música” e outros temas sobre os quais o artista baiano discorre com generosidade e poder de síntese. (Vitor Hugo Soares)
Bahia em Pauta e pede licença ao editor-chefe de Terra Magazine , Bob Fernandes, para compartilhar com os leitores deste site-blog baiano (com sonhos cosmopolitas que passam por São Paulo e terras mais distantes ), o expressivo texto de Paquito, com os devidos agradecimentos e créditos
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O Coração Vagabundo de Caetano
Paquito
De Salvador (BA)
“Fui ver Coração vagabundo, documentário sobre Caetano Veloso, dirigido por Fernando Grostein Andrade, e que acompanha o cantor-compositor na turnê do disco A foreign sound, de 2004. Fui ver e curti viajar com Caetano, seu peculiar senso de humor, seus comentários sobre religião, cultura, música, enfim, assuntos acerca dos quais discorre com generosidade e poder de síntese: “eu sou do sol, quero ser lúcido e feliz”.
Não é um retrato que se pretende absoluto ou historicamente detalhado; são instantes, momentos no Japão e nos EUA, dos quais se pode destacar a resposta a Hermeto Paschoal, que o chamou de “musiquinho”, após Caetano ter declarado que achava a música americana mais rica que a brasileira. Caetano usa o próprio discurso de Hermeto para desenvolver o seu raciocínio de maneira brilhante. É o que ele mesmo já chamou de “dança da inteligência”. Não é pra, simplesmente, se concordar com o que ele diz, mas pra se pensar sobre.
Há instantes engraçados, como quando ele se vê diante de uma sobremesa japonesa que receia comer, por não gostar no aspecto, e há a conversa com um monge budista que diz gostar da canção Coração vagabundo, que dá título ao filme. Me interessa falar desta música, lançada em 1967, antes da explosão tropicalista, e referida quarenta anos depois neste filme, não por acaso.
Coração vagabundo, a canção, aparentemente uma bossa-nova tardia, é um samba curto que sintetiza o percurso de Caetano: anúncio e prenúncio do que viria a seguir na sua obra, por conta dos versos iniciais – “meu coração não se cansa/ de ter esperança/ de um dia ser tudo o que quer”- e finais, “meu coração vagabundo/quer guardar o mundo em mim”. Não só a “lembrança de um vulto feliz de mulher”, não só a procura romântica do objeto amoroso único, tema constante das canções da bossa-nova, mas a apreensão da complexidade das coisas do mundo e as utopias possíveis, mais amplas que as utopias da esquerda tradicional.
O tropicalismo quer abraçar e guardar o mundo e o Brasil, por isso une o aparentemente inconciliável, bossa-nova e iêiêiê, cafonice e sofisticação, na ânsia de apreendê-lo. Como ele mesmo antecipou no texto para o LP pré-tropicalista de Gil: “que se coloquem em outro nível as relações de nossa música com a realidade. (…) prefiro descobrir e ressaltar que a verdade mais profunda da beleza do seu trabalho está no risco que corre de descobrir uma beleza maior: a capacidade de criar uma obra íntegra, assumindo o Brasil inteiro”.
O ponto de partida foi todo um raciocínio de Caetano em cima das lições de João Gilberto e da bossa-nova, o que fez dele um caso único de artista que pensou a música popular. Em Coração vagabundo, ele oferece uma alternativa existencial distinta da do lirismo bossa-novístico, algo que vai desenvolver também em canções posteriores. A Inútil paisagem, de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira, tornar-se-á a Paisagem útil, em suas mãos. As Janelas abertas de Tom e Vinicius, “para que o sol possa vir/ iluminar nosso amor” tornar-se-ão “as portas que dão pra dentro” e “janelas pra que entrem/ todos os insetos” de Janelas abertas número 2, de Caetano. E Saudosismo, deste último, relê a Fotografia, de Tom, e cita Lobo bobo, de Lyra e Bôscoli, e A felicidade e Chega de saudade, ambas de Tom e Vinicius.
Se a pós-modernidade prevê a falência das utopias, Caetano é moderno, pois canta “não tendo utopia/ não pia a beleza também” em Love love love. O projeto estético, portanto, comporta uma ética, “um acorde perfeito maior/ com todo mundo podendo brilhar no cântico” de Muito romântico. E há a crença na nossa identidade como algo que pode interferir nos destinos do mundo, apesar e por conta de nossa diferença: “absurdo, o Brasil pode ser um absurdo/ até aí, tudo bem, nada mal/ pode ser um absurdo, mas ele não é surdo/ o Brasil tem ouvido musical/ que não é normal”, também de Love love love.
Todo esse vasto universo, no entanto, pode ser visto como desdobramento de Coração vagabundo, em sua simplicidade cristalina, com o que a canção ambiciona – “ser tudo o que quer”- e persegue – “guardar o mundo”. As palavras “tudo” e “mundo” abrem prováveis e improváveis portas e janelas, pela variedade, conjugada à unidade, do que significam.
A obra, a vida. Desde que apareceu no cenário da cultura, Caetano dá muitas entrevistas, discute, se expõe, movimenta-se. Até hoje é assim, e assim foi, como quando teve o blog Obra em progresso, antes de lançar o recente Zii e Zie: aos 66 anos, o artista respondia sempre a todos, e estava atento aos que dele discordavam. Da Bahia, onde há um bolsão de resistência, roqueiros iniciaram um diálogo. Nos dois últimos discos e shows, se fez acompanhar por uma banda de rock, com integrantes mais jovens, oriundos do underground carioca. O coração, portanto, continua vagabundo, e os desafios ainda maiores, num Brasil/mundo cada vez mais fragmentado e partido.
Paquito é músico e produtor.
TERRA MAGAZINE:(http://terramagazine.terra.com.br)
Cerveja para três

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ERA OBAMA
DIPLOMACIA DA CERVEJA
Regina Soares
O presidente dos Estados Unidos, o oficial de Policia de Cambridge (MA) e o professor da Harvard University encontram-se hoje na Casa Branca, para compartilhar cervejas e, possivelmente, entenderem-se acerca do incidente que os ligou, de uma maneira infeliz, na semana passada.
James Crowley, of icial de policia (branco), algemou e prendeu o professor Henry Louis Gates Jr. (negro), e m f rente a sua residência, depois de receber um telefonema de uma passante ao ver o professos e um outro acompanhante, forcarem a porta de entrada da casa, o que lhe pareceu suspeito. Ambos personagens trocaram ofensas que arranharam os egos e a etinicidade.
Quando o presidente Obama, na quarta feira passada, o meio de uma conferencia, foi questionado sobre o incidente, declarou que achava que o oficial de policia tinha agido estupidamente (“acted stupidly”), o velho debate sobre perfil racial veio a tona em toda a Nação de maneira feroz, de tal modo que ocupou o lugar de duas importantes questões do momento, Reforma do Plano de Saúde e a histórica confirmação da Juíza Sonia Sotomayor para a Suprema Corte. Obama apressou-se em pedir desculpa pela infeliz escolha de palavras.
A troca de ofensas daquela tarde, entre duas pessoas respeitadas em suas respectivas profissões e no meio em que circulam, se transformou em um ardente debate onde americanos tiraram suas próprias conclusões quanto ao preconceito racial, comportamento apropriado no relacionamento entre profissionais e opinião do presidente sobre um assunto local do qual, segundo ele mesmo reconheceu, não conhecia todos os detalhes, embora seja de conhecimento publico de que ele e o professor de Harvard são amigos.
Após telefonemas trocados entre as partes, foi sugerido por Crowley (o policial), um encontro dos três para uma cerveja da reconciliação. Mas, o que servir? Crowley prefere Blue Moon beer, Gates favorece a Red Stripe, enquanto o presidente já foi visto com uma Budweiser no “All-Star game”. Essa noite, juntamente com suas familias, espera-se que cheguem a um dominador comum.
Só nos resta esperar que, além de uma boa oportunidade para fotos, o diálogo entre os indivíduos envolvidos no caso e suas representações, os reponsáveis por aplicar a lei e as minorias, siga aberto e melhore.
Regina Soares, advogada, mora em Belmont, área da baia de San Francisco, Califórnia (USA).
Sarkozy e Carla em Itacaré (BA)/Arquivo-2008

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O presidente da França, Nicolas Sarkozy, que entra de férias amanhã, disse nesta quarta-feira(29) em París, que o mal estar que sofreu no domingo passado, quando corria, foi só uma questão de falta de energia momentânea.
“Fiquei sem gasolina, como pode acontecer com qualquer um” disse o dirigente francês ao fim de uma reunião do gabinete de governo no Palacio do Elíseo, antes de sair de férias que passará com sua esposa e seus filhos às margens do Mediterrâneo.
No domingo, o político consevador de 54 anos se sentiu mal enquanto corria nas proximidades da residência governamental em Versailles, e foi levado ao hospital, onde passou a noite em observação.
“Tive um golpe de fadiga, mas quero dizer aos franceses que minha saúde é boa”, insistiu o presidente, que também agradeceu às mensagens enviadas por numerosos mandatários estrangeiros preocupados com sua saúde.
“Passei por toda uma série de exames que dão como resultado que não tenho nada. Tenho que descansar”, concluiu Sarkozy, que agora inicia três semanas de férias com a mulher, Carla Bruni, na casa da da família da cantora, em Cap Negre, na Riviera francesa.
Moderação, Sarkô!
(Vitor Hugo Soares, com informações da edição online de El Mundo, de Madri, e agências européias de notícias)
Dica de TV do Bahia em Pauta
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Fora da lei
Carlos Monforte comanda o Espaço Aberto desta quarta-feira(29), às 21.30h, na Globo News, para quem tem assinatura de canal privado, que vai falar sobre corrupção. A expulsão de servidores públicos por práticas ilícitas, bate recorde: 311 são demitidos por ano. Participam Jorge Hage, ministro-chefe da CGU; e Leonardo Bandarra, presidente da Confederação Nacional dos Procuradores-Gerais (CNPG).
Imperdível
(Maria Olívia, jornalista)
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A música para começar o dia nesta quarta-feira (29) no Bahia em Pauta não precisa de mais nenhuma explicação, além do título: “Ainda é tempo pra ser Viver Feliz”. O mais é ouvir e se deliciar com Zeca Pagodinho e Beth Carvalho e lutar firmemente, acreditando que o mal pode ser vencido e todos, no Rio, em Salvador e no resto do país poderão viver feliz e em paz. Tente, e conte com a gente.
(Vitor Hugo Soares)
Massa: primeiros socorros na Hungria

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Os médicos atendem Felipe Massa, no hospital do Budapeste onde o piloto brasileiro da Ferrarri está internado deque sofreu um grave acidente na qualificação do Grande Prémio da Hungria, informaram que o paciente segue apresentando melhoras significativas, mas “tem uma inflamação biliar”.
Apesar desse problema físico, Massa continua a apresentar melhorias do seu estado de saúde geral e poderá ser transferido para o Hospital de Pitie-Salpetriere em Paris, ainda esta semana.
“No choque, o cinto de segurança comprimiu violentamente o seu corpo, os intestino e a vesícula biliar”, afirmou o médico do hospital militar em que Felipe massa se encontra internado, segundo informa a edição online do jornal Diario de Notícias, de Lisboa.
Massa foi atingido no capacete por uma peça (mola de suspensão) que soltou do carro do compatriota Rubens Barrichelo e acabou por se chocar com o muro de pneus a 190 km/h. Apesar do forte impacto dessa peça no capacete, Massa não apresenta qualquer problema grave no olho esquerdo, segundo os médicos que o acompanham.
(Postada por:Vitor Hugo Soares, com informações de agências de noticias européias e do jorna Diário de Notícias. de Lisboa)
Ilustração: Gilson Migué

OPINIÃO/CIDADES
Bandidos à solta
Gilson Nogueira
Comparações sobre beleza enfadam-me. Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos,Antoine de Saint-Exupéry escreveu. Francês retado, autor do livro O Pequeno Príncipe.
Cotejar Salvador com Rio de Janeiro, por exemplo, para apontar a mais bonita das duas capitais, faz-me solicitar, no ato, que me indiquem a porta de saída, com urgência, a fim de livrar-me do papo careta e, por tabela, dos chatos de plantão. Rio e Salvador são consideradas as mais belas metrópoles do Brasil, por suas belezas naturais. Se o quesito decisivo for violência urbana, não há vencedor, dá empate técnico.
A violência, lá, como cá, está a atingir níveis insuportáveis, fazendo com que os habitantes das duas cidades sintam-se cada vez mais indefesos por ineficiência do aparelho policial e da ausência de políticas públicas eficazes, com capacidade de conter a progressão geométrica desse câncer social. Não à violência urbana deveria ser o lema de campanha envolvendo todos os veículos de comunicação de massa do país, com o propósito de sensibilizar a nação para o gravíssimo problema. Que surjam os criativos e os patrocinadores da empreitada, aqui sugerida, paro bem do povo!
Por conta da violência, sente-se, já, em diversos locais, que muitas pessoas, sem saber, talvez, blindam-se no contato com o outro, nas ruas e shoppings ( e, até, no elevador do edifício onde moram ), prejudicando, por conseguinte, as boas relações humanas, tão necessárias à saúde da sociedade. Nesses encontros, fortúitos, ou não, sob o manto da desconfiança, esvai-se a cordialidade, esquece-se a gentileza, ignora-se a simpatia mútua, joga-se fora a felicidade, afugenta-se a convivência feita de coisas simples, como o aperto de mão, o sorriso cordial, o cumprimento educado, o simples alô!O prejuízo é enorme. E a paz entre os homens, aditivo que movimenta a confraternização entre os povos, vai para o brejo, como grande prejudicada.
A violência chega, a passos largos, às mais longínquas vilas do território brasileiro. Ali, marginais visitantes e marginais locais, os que nasceram no teatro onde o crime é praticado, assaltam e matam confiantes na impunidade. Espalham o terror por onde passam. Deixam suas marcas nos corações dos que tiveram seus entes queridos e amigos por eles assassinados. E muitos não são presos por isso. Fogem para matar mais. O tema Violência precisa ser discutido com mais profundidade, pela população brasileira, objetivando ao enfrentamento das suas causas , hoje. Ações policiais devem ser intensificadas. de Norte a Sul, com inteligência, para evitar uma barbárie coletiva. Aparelhe-se, em nível de primeiro mundo, todas as polícias. A força da lei é inquestionável. Aplique-se ela.
O medo, nesse cenário desalentador, de quase total desamparo do cidadão, pela inércia de gestores públicos, é parceiro da agonia e da desesperança. A pátria clama por segurança, ao ver, na mídia, assassinos de todos os matizes sendo contemplados com reduções de penas e verdadeiras mordomias concedidas pela justiça. Sua população está no limite da paciência..
…Por enquanto, amigo, mude seus hábitos, não saia às ruas, principalmente, à noite. Sua vida não tem preço. A sociedade está presa. Os bandidos estão soltos. Inclusive, no Congresso.
Gilson Nogueira é jornalista
Deu na coluna:
A coluna do jornalista Alex Ferraz, na edição desta quarta-feira(29) da Tribuna da Bahia, está inperdível, como sempre. Dois aperitivos, a seguir, para os leitores do Bahia em Pauta
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Tudo é bolsa
Toda a propaganda do governo Lula/PT é centrada na esmola que permite aos pobres comprar gás de cozinha, gêneros alimentícios de primeiríssima necessidade (feijão, arroz e farinha) e, com isso, diz que reduziu a miséria absoluta em mais de 40%. Sim. Reduziu. Mas de que adianta reduzir a miséria absoluta se a miséria parcial, em que vivem todos os do Bolsa Família, continua lá, intacta? Sem perspectivas de um emprego formal que finalmente lance essas famílias num patamar digno.
E por falar…
… em infra-estrutura que amarra nosso desenvolvimento e consequente não-geração de empregos, o nosso blog http://osinimigosdorei.blogspot.com traz uma radiografia rápida da infra-estrutura rodoviária da Bahia que, segundo o Guia Quatro Rodas, é a pior malha do Brasil. Até a Ford, que é a única grande multinacional a ter tido coragem de se instalar na Bahia, sofre com a buraqueira de nossas estradas. Confiram nosso blog.
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Leia integra da coluna de Alex na Tribuna da Bahia
Cartório: triunfo da burocracia

CRÔNICA DA CIDADE
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MEU DIA NUM CARTÓRIO DA CAPITAL
Carlos Neto
Ontem, dia 28 de julho, fui obrigado a me dirigir ao Cartório de Tabelionato de Notas do 10º Ofício – Distrito da Vitória, para reconhecer a firma de um documento de transferência de um veículo que acabara de vender.
Cheguei às 8h30min, me reportei a uma atendente sobre a possibilidade de abrir uma firma. Ela assim me respondeu: “Nós só abrimos dez firmas por dia, corre e pega uma senha que só tem duas fichas” (sic). Corri no balcão e, ofegante, agarrei, com um misto de alegria e alívio, a minha senha de número 40. Naquele momento o painel registrava o atendimento de número 06.
Aproveitei meu longo tempo de espera para observar o dia-a-dia num cartório. Primeiro constatei que os amigos dos serventuários têm grande regalia. Um policial, muito cortês, realizava o atendimento dos idosos. Ops! Um policial realizava o atendimento? Isso mesmo. Enquanto a população está completamente insegura, contingente policial, em desvio de função, atua nos burocráticos ninhos cartoriais.
Já passava das nove e o painel, emperrado, registrava a senha de número 26, e dali não saia. Usuários entravam e saiam, sopravam, resmungavam e nada adiantava. Para não dizer que aspectos positivos não foram observados, o ar condicionado estava funcionando, e bem.
Quase dez da manhã e nada. Levantei e fui andar um pouco. Passei a ler os avisos estampados em diversos locais do salão. O primeiro em letra tamanho 20 informava o artigo do Código Penal que penaliza o desacato ao funcionário público, os outros eram todos taxativos e bem claros para não ter reclamação. Mas uma pergunta que não quer calar, e nós usuários que ficamos mais de duas horas numa fila sendo desrespeitados, recorremos a quem?
Enfim chegou minha vez. Eram exatamente 10h08min. Após reconhecer a firma, ainda fui obrigado a trocar o dinheiro, pois a atendente não tinha troco. Essa mesma atendente é muito eficaz, mas em termos de cordialidade e cortesia dispensada aos usuários aí, aí, aí.
Até quando ?
Carlos Neto é jornalista