jun
27
Posted on 27-06-2009
Filed Under (Newsletter) by vitor on 27-06-2009

Nestor a Cristina: “te amo”
eleicao
==================================================
A Argentina renova este domingo(28) a metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado —127 e 24 cadeiras, respectivamente— através da eleições legislativas que o casal presidencial, Cristina e Nestor Kirchner, encara como um plebiscito sobre os seis anos dos dois na Casa Rosada.
Ao todo, 28,7 milhões de argentinos escolherão os candidatos que postulam a mais de 30.000 cargos parlamentares e de vereadores das Câmaras da cidade de Buenos Aires e de várias provincias.

O casal peronista coloca em jogo a maioria parlamentar que desde 2003 permitiu a ambos governar e aprovar leis quase sem sobressaltos. Até agora contavam com quorum próprio no Senado e uma ajustada supremacía no Congresso.

Mas as pesquisas de opinião – segundo informa o jornal espanhol El Mundo neste sábado – antecipam que o oficialismo poderá ser derrotado na capital e nas províncias de Buenos Aires, Córdoba, Santa Fé, e Mendoza. Se forem confirmados esses prognósticos, com 10 a 20 cadeiras a menos, o governo de Cristina perdería o controle no Congresso.

Em razão disso, este pleito legislativo da metade do mandato da Presidenta Cristina Fernández de Kirchner resulta crucial para os planos políticos do casal. Cristina sofreu uma forte queda de popularidade, perdeu a iniciativa política, e ainda lhe faltam dois anos de gestão até 2011. Segundo La Nacion, “os Kirchner planejavam postular a reeleição no pleito presidencial previsto para aquele ano, mas esse sonho depende da colheita nas urnas urnas deste domingo e a consequente governabilidade durante o próximo bienio.

Néstor Kirchner, que o jornal espanhol chama de “o homem forte do País e marido da presidenta”, apostou no tudo ou nada. Hoje ele postula na condição de número um da chapa justicialista o cargo de deputado pela provincia de Buenos Aires, apesar de ser um ex-Presidente da República (2003-2007).

“Vou ao Congresso sem vinganças nem ódios para que apoiemos a Presidenta, que tem sofrido ataques e tentativas de destituição de todo tipo”, proclamou o candidato no comício finalm da campanha, onde confessou a sua mulher um “te amo” e a chamou de “Presidenta coragem”.

Façam as apostas

jun
27
Posted on 27-06-2009
Filed Under (Artigos) by vitor on 27-06-2009

Deu na coluna

Raio Laser, coluna política da Tribuna da Bahia, traz em sua edição de hoje a seguinte nota:
=================================================
Chapão- A ideia de um chapão com Geddel Vieira Lima (PMDB) ao governo, César Borges (PR) e Lídice da Mata (PSB) ao Senado animou os debates políticos em Cachoeira, onde o governador Jaques Wagner (PT) despachou, atendendo a lei criada na Assembleia Legislativa por sugestão da socialista quando era deputada estadual. Por enquanto, ela não afirma nem nega o projeto.
======================================================
LEIA INTEGRA DA COLUNA RAIO LASER NA TRIBUNA DA BAHIA

jun
27
Posted on 27-06-2009
Filed Under (Artigos, Multimídia) by vitor on 27-06-2009

CRÕNICA DE SENTIMENTOS

QUASE BRANCO, TRISTE E SOZINHO

Janio Ferreira Soares

Vibrei muito quando vi pela primeira vez aquele menino de nariz de taboca e cabelo black power mandando ver um suingue completamente atípico na tela da tevê. Ele era o menorzinho dos cinco jacksons e cantava e saracoteava de uma forma bem diferente dos demais, prenúncio de que ali tinha algo bem além dessas susans boyles da vida e desses “prodígios” que se esgoelam nas tardes de sábado no programa Raul Gil.

Mais pra frente, namorinho no portão e sarrinho nas boates sob os acordes de suas primeiras baladas e souls, confirmariam o que todos desconfiavam: ali estava um novo e legítimo brother da Motown, desses que seguiriam sem pestanejar os mandamentos black do grande Gerson King Combo, que dizia: “Dançar, como dança um black! Andar, como anda um black! Falar, como fala um black! Viver, sempre na onda black! Ter, orgulho de ser black!”. Só que a coisa não foi bem assim.

À medida que o tempo foi passando e a sua voz engrossando, começaram também as suas primeiras mutações físicas. Primeiro, o nariz foi afinando. Depois, o pixaim foi ganhando cachos mais lisos do que as suas andadas pra trás. E, por fim, foi a vez de a sua pele começar a embranquecer de tal maneira, que, à época, o meu vizinho e figuraça, João Vaqueiro, me saiu com mais uma de suas tiradas impagáveis: “Ôxente, quem já viu! E ele é as avessas do urubu, é, que nasce branco e depois fica preto? Eu sabia que dinheiro comprava quase tudo, mas cor? Agora, os bagos, eu aposto! Ali, só se transplantar. Ô Adalgisa, quando eu ficar rico vou lhe deixar mais branquinha do que a farinha de Sergipe!”.

Brincadeiras a parte, sua morte foi bastante prematura, embora meio que anunciada. É que, apesar de um grande artista e compositor, de há muito ele se transformara num cara muito, mas muito, estranho. A propósito, depois da autopsia, talvez a gente fique sabendo se o seu clareamento foi devido a algum problema de saúde ou se foi, como brincou seu João, por conta dessas maluquices que só o dinheiro pode proporcionar. Só sei que à medida que ele mudava de cor e de feições, sua tristeza e solidão só aumentavam. Uma pena.

Agora só me resta botar pra rodar uns velhos discos com aquelas canções do tempo em que ele era um garoto lindo e risonho, e lembrar das noites em que a grande onda da moçada ainda era dançar suas músicas pra frente e pros lados, botando pra quebrar debaixo das luzes estroboscópicas das boates.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, no Vale do São Francisco

jun
27
Posted on 27-06-2009
Filed Under (Multimídia) by vitor on 27-06-2009


E agora? Rezemos, reparando, antes, no assobio, ao final da canção. Será que ele está aqui, ainda, em forma de anjo, sobrevoando o Pelô, ao nosso lado?
(Gilson Nogueira, jornalista e colaborador do Bahia em Pauta)

jun
27
Posted on 27-06-2009
Filed Under (Artigos) by vitor on 27-06-2009

Onde estão Dina e Monteiro?…
dina  monteiro2
…Ministro Jobim: ele pode ajudar a responder
jobim2
================================================

ARTIGO DA SEMANA

ARQUIVOS DE UMA TRAGÉDIA BRASILEIRA

Vitor Hugo Soares

Demolidos emocionalmente pela longa espera da notícia que não chega, há entre os parentes dos desaparecidos quem desconfie que as surpreendentes e polêmicas revelações do major Curió na entrevista ao “Estadão” esta semana, sobre a Guerrilha do Araguaia, tenham mais o propósito de confundir do que o desejo sincero de esclarecer este episódio tenebroso da história recente do País. Segundo o oficial da reserva do Exército, 41 guerrilheiros foram executados, depois de presos e amarrados.

Teorias de conspirações à parte, tudo é possível, inclusive algo exatamente assim, ou parecido, em uma terra de absurdos. Principalmente quando se desliza sobre terreno alagadiço, mais coberto de sombras que as causas da morte do astro pop, Michael Jackson, quinta-feira (25), pois não se trata apenas das obscuridades do coração e dos sentimentos, nem daquelas produzida pelas imensas árvores milenares da Amazônia que ainda restam em Xambioá. Fala-se, neste caso, principalmente da zona de neblina causada pelos desleais e desumanos jogos de interesse da política, da grana, das ideologias e do poder.

Ainda assim resta muito de positivo e alentador na matéria assinada pelo repórter Leonencio Nossa no “Estado de S. Paulo” – tanto para o jornalismo que ultimamente se tem praticado por aqui, como para a parte da sociedade – em especial a formada pelas famílias das vítimas – que aguarda há mais de três décadas não apenas pelos corpos de seus entes queridos, mas também a verdade sobre o que se passou com eles naqueles tempos temerários.

O fato é: raramente se viu revelações de uma reportagem ou entrevista sobre este episódio cavernoso despertar tamanha atenção e tantos propósitos de esclarecimentos. Além disso, não recordo de outra matéria jornalística recente que tenha merecido tanta repercussão no seio da própria mídia em geral, mas igualmente em redutos de opinião diversificados, relevantes e significativas, quanto esta conversa com o oficial do Exército brasileiro com papel preponderante no combate à guerrilha.

Onze baianos, quase todos jovens, constam da relação dos 60 desaparecidos no Araguaia há mais de três décadas. Dez deles tiveram seus nomes divulgados mais uma vez pela secção estadual do grupo Tortura Nunca Mais, coordenado por Diva Santana (cuja irmã Dinaelza Santana Coqueiro e o cunhado Wandick Coqueiro estão entre os que não voltaram para casa).

Estudante de Jornalismo e de Direito na UFBA, na época pré-guerrilha, convivi muito proximamente com quase todos eles. Na faculdade, na resistência das ruas, no Restaurante Universitário, nos shows de novos e velhos baianos, nas sessões do Clube de Cinema da Bahia, nos fantásticos carnavais atrás dos trios elétricos, na Barraca Botafogo, nos bares e na vida política e boêmia da cidade, enquanto eles andavam por Salvador.

Dois deles, Rosalindo Souza (ex-presidente do histórico Centro Acadêmico Ruy Barbosa – CARB) e Dermeval Pereira (clássico e culto beque central do time da Faculdade de Direito, fã ardoroso de Caetano, dos Beatles e de Waltinho Queirós), ex-colegas de turma, estão na lista de melhores e mais leais amigos de sempre. Outros dois, Dina e Antonio Monteiro, “casal mais bonito de Geologia e da UFBA dos anos 60/70”, integram a lista permanente da admiração maior. Mas todos um dia sumiram “para nunca mais”, como canta o baiano Gil, que os três amigos admiravam igualmente.

Esta semana o presidente Lula afirmou: “é importante levar a sério” (espera-se que a começar por ele próprio), os documentos revelados pelo “Estadão” sobre a repressão à Guerrilha do Araguaia, escondidos durante 34 anos por Curió. E justificou em uma emissora de rádio: “uma mãe que tem um filho desaparecido e não sabe o paradeiro dele, essa mãe só vai se conformar quando enterrar o filho”. Um sentimento que, de outra maneira de querer, é também dos amigos, posso acrescentar.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, defendeu igualmente a abertura de todos os documentos e segredos do tempo da guerrilha, com outro argumento forte: o direito à verdade. “Eu acho que há um direito à verdade. Se de fato esses documentos existem, eles devem ser mostrados”. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, também falou grosso demais como sempre, mas dá sinais de agir de menos. Criou há dois meses um grupo responsável por retomar as buscas pelos corpos dos guerrilheiros, mas até esta semana, nem sequer a composição dos integrantes havia sido definida totalmente. Além disso, na comissão de Jobim os parentes e representantes das vítimas constam apenas como observadores.

Mesmo cético por dever de profissão, o jornalista prefere acreditar que algo de novo se move das sombras de Xambioá, na direção da luz dos fatos e da justiça. Seria doloroso demais se essa nova esperança se transformasse, para a família dos desaparecidos e para a sociedade, em mais uma farsa das tantas que cercam esta tragédia brasileira dos anos 70, nas selvas do Araguaia.

A conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

  • Arquivos