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Postado em 26-06-2009
Arquivado em (Artigos) por vitor em 26-06-2009 09:08

Sarrah Faucett: “febre dos descolorantes”
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ARTIGO/ ARTE E TENDÊNCIA

A  ANJA FARRAH FAWCETT
Aparecida Torneros

Estávamos nos anos 70, o seriado das Panteras fazia sucesso na televisão e todas as jovens de 15 a 30 anos cortavam o cabelo como Farrah Fawcett. As mechas alvoroçadas, a febre dos descolorantes em camadas diferenciadas, luzes nas cabeças de uma geração espremida entre o pós-guerra, a misteriosa guerra fria e o arrocho ditatorial brasileiro.

Eu não escapei, usei madeixas como a pantera loira do Charlie, e incorporei até o perfume Charlie’s, de uma grife famosa da época.

Ela, a atriz, não nos indicou somente o modismo da série televisiva, valores comerciais ou cortes de cabelos, ela nos passou identidade de mulher do nosso tempo, amante assumida dos seus amores, e foi das primeiras mães solteiras hollywoodianas a assumir publicamente amor e maternidade, sem casamento e sem divórcio.

Há duas semanas, quando seu estado de saúde se agravou, a bela Farraw, em noticiário constante, foi pedida em casamento pelo pai do seu filho, o não menos famoso ator Ryan O’Neal , e nem deu tempo de sabermos se aceitou a proposta. O que sabemos é que ela lutou contra o câncer, bravamente, em meio a infortúnios e desgostos, acompanhando problemas constantes do filho herdeiro envolvido com prisões e drogas.

A guerreira Farrah nos lembrava mesmo a saga das garotas do Charlie, anjos lutadores em favor da lei. Ela demonstrou, muitas vezes, sua performance atlética nas produções cinematográficas, em meio a sorrisos grandiosos, olhares profundos, posturas próprias de mulheres que dizem ao que vieram, que não fogem da raia e nem tampouco se escondem sob subterfúgios inconsistentes.

Hoje, ao descansar seu corpo do embate inglório, a angelical Farrah nos dá o exemplo da fêmea contemporânea, ocidental, modelo e atriz, aquela que posou para a Playboy, andou metida em questões judiciais em função de quebra de contrato comercial, cumpriu papel como detetive na fantasia televisiva e chegou a vender 1 milhão e trezentos e cinquenta e um mil exemplares na edição das suas fotos sensuais. Foi o segundo recorde da publicação norte americana. Também, durante a amargura da doença, produziu um documentário corajosos sobre abordando o tema, de frente, exemplarmente, servindo de referência para o público feminino do mundo inteiro.

Farrah Fawcett foi casada com Lee Majors (da série “O Homem Biônico”). Nessa altura adotava o nome de Farrah Fawcett-Majors. Depois de se separar de Lee Majors, Farrah teve um romance com o ator Ryan O’Neal que durou 17 anos e com quem teve um filho. Esse caso fez com que Ryan tivesse um sério atrito com sua filha atriz Tatum O’Neal, que não aceitou essa relação. Estiveram separados por 13 anos e voltaram a se relacionar recentemente.

A atriz americana, nascida no Texas, tinha 62 Anos e enfrentou um câncer anal desde setembro de 2006. Em outubro do mesmo ano, Farrah se submeteu a uma cirurgia para retirar um tumor do intestino grosso e fez sessões de quimioterapia e radioterapia durante seis semanas. Quatro meses depois, a atriz recebeu um diagnóstico de que estava curada. No entanto, em maio de 2007, ela anunciou que o tumor havia voltado.

Farrah, cujo nome verdadeiro é Mary Farrah Leni Fawcett, estudou microbologia na Universidade do Texas, mas sempre quis ser atriz. Estreou na televisão em 1965 na série Jeannie é um Gênio. Nos anos seguintes, participou de The Flying Nun (1967) e The Partridge Family (1970). O grande sucesso veio após ser convidada pelo produtor Aaron Spelling para atuar no seriado As Panteras (Charlie Angel’s), em 1976, ao lado de Kate Jackson e Jaclyn Smith.

Ela nos deixa sob o real impacto da identificação de mulher da nossa geração. Imagem forte, com expressivo rosto da modernidade, a bela Mary viveu com intensidade, carreira e vida pessoal, e agora, a expontaneidade do seu sorriso nos faz entender que anjos são mesmo assim, fortes, femininos muitas vezes, e , trazem um brilho que faz bem aos nossos olhos e à nossa imaginação, envolto por cabelos iluminados, que ficarão pra sempre esvoaçando em torno dos nossos corações.

Cida Torneros, jornalista e escritora, é autora do livro “A Mulher Necessária”, mora no Rio de Janeiro.

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