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Postado em 24-06-2009
Arquivado em (Artigos) por vitor em 24-06-2009 08:25

Museu Carlos Costa Pinto e Yatch: vai deixar acabar?
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CRÔNICA URBANA

NAUFRÁGIO DE UMA CIDADE

Gilson Nogueira

“Oh, Salvador da procissão de velas brancas no sentido da Bahia que Rosa Passos imagina quando canta em Candeias, que pena você estar, assim, tão diferente, tão modificada, tão desigual, tão quase desfigurada, tão sem graça!

Salvador, querida, sua preguiça poética não tem nada a ver com vadiagem. Mesmo que queiram, seus inimigos não irão roubar seu brilho, mais que tudo solar, seu azul de tontear, seus espaços preciosos de ficar. Nem matarão seus deuses da brisa soprando sempre novos amanheceres.

Oh, cidade amada secular que vê seus monumentos se deteriorando, a cada dia, enquanto seus gestores discutem quem é mais quem, com fome de poder insaciável, em composições políticas que esquecem seus problemas, que pena!

Oh, linda capital do berimbau, da cultura que não é teatral, quem foi que fez você ficar tão suja, tão feia, tão sem trato, tão violenta e maltratada, assim, de uma hora para outra?

Pode crer, Salvador, você tem tudo para voltar a ser aquela cidade encantadora, que, um dia, fez Caribé fazer, daqui, sua terra natal e desenhar e pintar você e sua gente e suas coisas para o mundo inteiro ver e admirar, que fez Caymmi eternizar a Lagoa do Abaeté, Ary Barroso imaginar a morena mais frajola da Bahia fugir, sem mesmo, como dizem, nunca ter estado aqui, que fez do acarajé, de seu Carnaval, de suas praias, de seus pedaços tantos, de paz , nacos deliciosos, manjares inigualáveis da alegria de viver!!!

E aí, Salvador, você vai ficar esperando o que, para dar um balão nesses assaltantes de suas terras, que tentam deflorar sua beleza? E o Yatch Club da Bahia, hein, que faz parte de você, de sua história, do seu mar, de sua paisagem, do orgulho de sua gente hospitaleira, quem irá impedir que ele venha a naufragar nas águas de tanta insensatez?

Está na hora de agir, Salvador, de você parar para pensar, urgentemente, em não deixar que o Museu Carlos Costa Pinto feche suas portas, para sempre, que o Dique do Tororó, que é dos Orixás, um dia, vire, simplesmente, estacionamento de veículos de uma copa do mundo de futebol que ninguém ter certeza se, aqui, a redonda vai rolar. Fique sabendo, minha doce aldeia, a Fonte Nova, hoje, é um monumento ao abandono, fruto das péssimas escolhas que você fez, de uns tempos para cá.

Acorda, já, Salvador, acorda, antes que lhe roubem seu pouco que restou! Não deixe morrer suas tradições. Impeça, antes que seja tarde, que mudem seu nome, na calada da noite, e resolvam, também, cobrar pedágio aos seus filhos que vão ao Bonfim. Axé, Salvador, é hora de despertar, para o bem da Bahia! Gilson Nogueira

Gilson Nogueira é jornalista

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