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Postado em 22-06-2009
Arquivado em (Artigos) por vitor em 22-06-2009 15:35

Chineses em Harvard/ Foto: Rosane Santana
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Rosane Santana*

BOSTON ( EUA) -A temporada de verão nas universidades americanas aberta na prestigiosa Universidade de Harvard, sob chuva fina e constante, no domingo (21), consolidou um fenômeno crescente nos ultimos dois anos, acompanhado com atenção, inclusive, pela comunidade de inteligência do país, segundo informacao da National Public Radio (NPR). Trata-se do grande numero de estudantes chineses matriculados inicialmente para o aprendizado da língua inglesa e posterior ingresso em carreiras acadêmicas, notadamente em áreas de ciencia e tecnologia.

Frequentando Harvard, desde 2007, para estudo do chamado inglês acadêmico, no Institute for English Language Programs (IEL), tenho vivenciado um aumento consideravel de colegas de origem chinesa e coreana em sala de aula, onde antes havia europeus, latinos de origem hispânica e brasileiros, o que torna o desafio do aprendizado ainda mais dificil para qualquer ocidental como eu e, suponho, para os professores, todos eles, ressalte-se, especialistas em linguística e com anos de cátedra, aos quais ainda não perguntei sobre a questão. Ha problemas fonéticos, de pronúncia e acentuação quase intransponiveis para qualquer chines falar ingles e entende-los, então, requer, convenhamos, uma dose a mais de paciência, sendo a recíproca verdadeira.

Muito simpáticos e bem vestidos, alguns em trajes orientais, são uma geracão que se prepara para comandar o mundo, onde a presença chinesa é cada vez mais marcante no campo econõmico, inclusive nos Estados Unidos. Dados da National Public Radio revelam que a China possui em torno de um trilhao em letras do tesouro e outros seguros americanos, financiando grande parte do deficit do pais e colocando em alerta a comunidade de inteligencia, temerosa de que os chineses, em futuro incerto, coloquem esses ativos a venda. Tal risco é chamado por aqui de “A Pearl Habor on the Dollar” – uma alusão á base americana do Pacífico atacada pelos japoneses na Segunda Guerra Mundial, que provocou a entrada dos EUA no conflito.

Especialistas em ameaças financeiras afirmam que os chineses são sofisticados o suficiente para colocar em prática iniciativa dessa natureza, porque muitos de seus economistas passaram por universidades americanas como a Harvard, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e a Universidade de Chicago. O MIT é conhecido por abrigar centenas de genios em matematica e Harvard, embora tenha perdido, este ano, para o MIT e para a Universidade de Standford a posição de numero 1 do mundo, mantida por seis anos consecutivos,
ainda é a estrela das academias americanas, com mais de 40 prêmios Nobel e oito presidentes entre seus ex-alunos, alem do homem mais rico do mundo, Bill Gates. Estudar em Harvard continua sendo o sonho da maioria dos jovens americanos e uma carteira de estudante da universidade por aqui e um símbolo de distinção para o portador.

É nos Estados Unidos que os chineses vem buscar conhecimento e tecnologia, o que, num certo sentido, reafirma a lideranca da cultura americana no mundo. Isso me faz lembrar da “Helenizacao de Roma”, fenômeno que a historia relata como a influencia que a cultura grega exerceu sobre os invasores romanos, depois da Grecia domindada, a partir do qual Roma nasceu para as artes, para a filosofia e para as ciencias, em cujas fontes bebemos até hoje. Na Era do Capital Intelectual este é um tema para se refletir ainda que muitos insistam ser este um seculo asiático.

Rosane Santana, jornalista (com diploma da UFBA), mora em Boston(EUA).

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