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Posted on 22-06-2009
Filed Under (Artigos) by vitor on 22-06-2009

Samba-reague em Harvard Square/ Fotos Rosane Santana
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Melinda dança em Cambridge: “você é baiana?”
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ROSANE SANTANA

CAMBRIDGE (EUA) – No domingo, enquanto caminhava, sob chuva fina, pelas ruas de Cambridge, elegante cidade americana localizada nos arredores de Boston, que abriga a Universidade de Harvard, para fotografar estudantes chineses para o site/blog Bahia em Pauta, fui surpreendida pelo som da batida marcante do samba-reggae, genuinamente baiano. Pensei comigo mesma: tem brasileiro fazendo festa por aqui. Dei meia volta, atravessei a rua e segui em direção à estação de ônibus e metrô da universidade, notando que muitas pessoas, atraídas pelo som contagiante dos tambores faziam o mesmo, enquanto outras paravam nas calçadas para ouvir.

Deparei, primeiro, com meia duzia de americanos brancos de olhos azuis, tocando e dançando e fiquei intrigada até que, de repente, surgiu a figura inconfundivel de uma mulata rodopiando de pés descalcos sob a chuva. “Voce é baiana?”, perguntei, ignorando a multidão e interrompendo a apresentacao dela. Melinda de Araujo, nascida em Belém do Pará, pegou um Ita no Norte e foi para a Bahia ainda pequena. Mora nos Estados Unidos há 20 anos e junto com Marcus Santos, um baiano da gema, criou a organização AfroBrazil, onde ensina música e dança para americanos.

Peguei o telefone e disquei rapidamente para o Brasil. Do outro lado da linha, a amiga Margarida Cardoso, companheira de longa jornada do editor deste site, Vitor Hugo, a quem disse: “Ouça Margô, os chineses invadiram a Harvard, mas os baianos é que fazem a festa em plena Harvard Square”. Gargalhadas. E segui para uma cerveja, que ninguém e de ferro, depois de duas horas e meia de teste.

Rosane Santana, jornalista baiana, mora em Boston e faz curso em Harvard.

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Posted on 22-06-2009
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Chineses em Harvard/ Foto: Rosane Santana
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Rosane Santana*

BOSTON ( EUA) -A temporada de verão nas universidades americanas aberta na prestigiosa Universidade de Harvard, sob chuva fina e constante, no domingo (21), consolidou um fenômeno crescente nos ultimos dois anos, acompanhado com atenção, inclusive, pela comunidade de inteligência do país, segundo informacao da National Public Radio (NPR). Trata-se do grande numero de estudantes chineses matriculados inicialmente para o aprendizado da língua inglesa e posterior ingresso em carreiras acadêmicas, notadamente em áreas de ciencia e tecnologia.

Frequentando Harvard, desde 2007, para estudo do chamado inglês acadêmico, no Institute for English Language Programs (IEL), tenho vivenciado um aumento consideravel de colegas de origem chinesa e coreana em sala de aula, onde antes havia europeus, latinos de origem hispânica e brasileiros, o que torna o desafio do aprendizado ainda mais dificil para qualquer ocidental como eu e, suponho, para os professores, todos eles, ressalte-se, especialistas em linguística e com anos de cátedra, aos quais ainda não perguntei sobre a questão. Ha problemas fonéticos, de pronúncia e acentuação quase intransponiveis para qualquer chines falar ingles e entende-los, então, requer, convenhamos, uma dose a mais de paciência, sendo a recíproca verdadeira.

Muito simpáticos e bem vestidos, alguns em trajes orientais, são uma geracão que se prepara para comandar o mundo, onde a presença chinesa é cada vez mais marcante no campo econõmico, inclusive nos Estados Unidos. Dados da National Public Radio revelam que a China possui em torno de um trilhao em letras do tesouro e outros seguros americanos, financiando grande parte do deficit do pais e colocando em alerta a comunidade de inteligencia, temerosa de que os chineses, em futuro incerto, coloquem esses ativos a venda. Tal risco é chamado por aqui de “A Pearl Habor on the Dollar” – uma alusão á base americana do Pacífico atacada pelos japoneses na Segunda Guerra Mundial, que provocou a entrada dos EUA no conflito.

Especialistas em ameaças financeiras afirmam que os chineses são sofisticados o suficiente para colocar em prática iniciativa dessa natureza, porque muitos de seus economistas passaram por universidades americanas como a Harvard, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e a Universidade de Chicago. O MIT é conhecido por abrigar centenas de genios em matematica e Harvard, embora tenha perdido, este ano, para o MIT e para a Universidade de Standford a posição de numero 1 do mundo, mantida por seis anos consecutivos,
ainda é a estrela das academias americanas, com mais de 40 prêmios Nobel e oito presidentes entre seus ex-alunos, alem do homem mais rico do mundo, Bill Gates. Estudar em Harvard continua sendo o sonho da maioria dos jovens americanos e uma carteira de estudante da universidade por aqui e um símbolo de distinção para o portador.

É nos Estados Unidos que os chineses vem buscar conhecimento e tecnologia, o que, num certo sentido, reafirma a lideranca da cultura americana no mundo. Isso me faz lembrar da “Helenizacao de Roma”, fenômeno que a historia relata como a influencia que a cultura grega exerceu sobre os invasores romanos, depois da Grecia domindada, a partir do qual Roma nasceu para as artes, para a filosofia e para as ciencias, em cujas fontes bebemos até hoje. Na Era do Capital Intelectual este é um tema para se refletir ainda que muitos insistam ser este um seculo asiático.

Rosane Santana, jornalista (com diploma da UFBA), mora em Boston(EUA).

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Posted on 22-06-2009
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“Relíquia histórica”
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OPINIÃO / DIPLOMA

RIFA-SE UM “DIPLOMA DE JORNALISTA”

Aparecida Torneros

“Senhoras e senhores, colecionadores de ocasião, os bons apreciadores de papéis históricos, quem sabe algum bom e nostálgico representante do público leitor de jornais das décadas de 60, 70 e 80, atenção aos remanescentes da “ditabranda”, os que ficaram na estrada, no meio do caminho, relembrando lutas e sonhos, ideais democráticos, e até soluções passivas para guerras de mercado!

Creiam, tenho um diploma de Comunicação Social, expedido por Universidade Federal, datado de 1973, que remete à primeira turma de alunos-bacharéis em jornalismo, cujo curso foi criado para implantar-se de acordo com a tal lei que exigia, a partir de 69, a obrigatoriedade do “canudo” universitário para o exercício da profissão no Brasil.

Ele ( o diploma em questão) é precioso, uma vez que pertence à classe dos ainda impressos em papel pergaminhado, o que lhe dá um tom de relíquia histórica, como se não bastasse, pertence a alguém que exerce(u) o ofício por mais de 40 anos, aprendeu a acatar decisões do STF, respeita a ordem legal do país, e entende que há um mercado de trabalho sazonal para todas as profissões. Muitas vezes, a diplomada ( eu ) cobriu, por necessidade de informar à população, casos de exercício ilegal da medicina, por exemplo, e o fez, ciosa da importância que assume a revelação da fraude e do embuste diante dos critérios responsáveis que devem permear as práticas dos serviços prestados a um povo crente nos seus cuidadores de saúde física e mental.

Bem, ao aludir a saúde mental, claro, refiro-me ao contexto social e humano que toda informação traz no seu bojo, tanto a nível estampado em manchetes chamativas como no subreptício enfoque ideológico que toda mensagem traz, e na responsabilidade que esta plêiade informativa é capaz de legar aos seus públicos desavisados ou inocentes.

Mas, o objeto em questão, digo, o diploma universitário, tornou-se obsoleto e desnecessário, uma vez que não é mais exigido, por força de decisão judicial, para o desempenho da profissão “romântica” de jornalista, segundo o que ficou estabelecido, e aí, apesar de pensado em leiloá-lo, pois seria um bom destino que seu comprador o pusesse num quadro envidraçado e o expusesse para as futuras gerações, acabo de resolver que a rifa, esse popular hábito, é mesmo, uma agradável solução.

Vou numerar de um a 1000, estabelecer valor compatível, colocar na internet, arrecadar o dinheiro, estabelecer data na Loteria Federal para a conferência do número ganhador do prêmio, e avisar aos incautos, que toda a venda da rifa será doada a uma instituição de caridade, qual seja, uma ordem religiosa séria que cuide de jornalistas idosos, desamparados, principalmente os que penduraram, além das chuteiras, também os diplomas, e se orgulharam algum dia, de ter exercido profissão tão valorizada e respeitada no Brasil.

Caso alguém conheça algum “coleguinha” que precise de fundos para sua sobrevivência honrada, que não consiga viver apenas da aposentadoria precária que lhe foi concedida pelo INSS, avise que há em curso uma rifa que arrecadará “algum” para ajudar na compra de pílulas alimentícias do Dr. Diploma Falido. Ou, para qualquer outro medicamento prescrito a engasgados, com gargantas fechadas que precisam se abrir e engolir, goela abaixo, decisões que envolvam interesses vários, que atinjam diretamente as vidas de operários como os da comunicação, os tais qualificados, mas que, na verdade, não devem interferir nos preceitos básicos da indústria cultural comandada por grupos idôneos, detentores das respeitáveis redes de informação que “assolam” o país.

Sendo assim, ponho-me à disposição para iniciar a rolagem da “rifa”, ou melhor, da dívida que penso ter com a União, já que ela, através da Universidade Federal, me deu a chance de estudar, nos anos de chumbo, um curso tão esclarecedor e que me abriu os olhos para um contexto acadêmico onde aprendi a observar ideologias e comportamentos industriais, além de ter incorporado a grande sapiência de entender que a corda arrebenta sempre do lado mais fraco, as leis mudam de acordo com a sociedade reinvindicadora e como dizia o “mestre”, sem diploma, Ibrahim Sued: os cães ladram e a caravana passa”.

Aparecida Torneros, Jornalista diplomada pela UFF-RJ EM 1973 , escrtora e poeta, mora no Rio de Janeiro. Este artigo pode (e deve) ser lido tambem no site “A Mulher Necessária” (http://www.blogger.com/profile

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